Isadora Ponte
Hoje em dia virou moda chamar gente sem opinião de bipolar. Tristeza mesmo é sentir o
mundo na garganta, por causa de uma confiança perdida, de uma mentira contada,
de um acerto que virou erro. É não sentir vontade de mover um músculo, sentir lágrimas
ardidas, e ter vontade de tudo e nada ao mesmo tempo. Atitude, é a capacidade de dar um
sorriso, mesmo que falso, pelo responsável por tanta dor. Orgulho, é QUERER manter esse
sorriso. E felicidade é o que você vai sentir quando ver o arrependimento estampado no rosto.
Existem receitas pré-prontas pra quem quer se apaixonar. Mantenha uma boa aparência,
vá a lugares bem frequentados. Não seja muito atirada, e recue na hora certa.
Prometem as receitas: você irá conquistar um homem a sua altura, que te peça em casamento
e te leve para passar a lua de mel em Paris. Ou, em piores casos, há pessoas que recorrem
a metódos duvidosos. Mãe Joana, traz a pessoa amada em 10 dias. E ainda há os mais cultos,
que falam de base em uma relação. Sinceridade, respeito, confiança, afeto, compreensão...
e mais um milhão de outros rótulos. Mas sinceramente, quem é que acredita em bla-bla-bla
de 'você é a pessoa que eu sempre quis'? Ninguém acredita! Já dizia Renato Russo
"sexo verbal não faz meu estilo". Ninguém acredita em palavras pré-fabricadas, em termos
clichês, em coisas que você vê o mocinho da novela das oito dizendo. O que todo ser humano
realmente quer, é provas de amor. Loucuras? Para os mais tímidos é exagero. E não adianta
dizer que pra se apaixonar é necessário sinceridade, confiança, respeito... isso é consequência.
O medo é a falta de provas sinceras, é a falta de capacidade de ler nas entrelinhas. É não ver
luz em um sorriso, e tristeza em um olhar. Se continuarmos presos em uma bolha,
conseguindo enxergar apenas o próprio nariz e apontar os defeitos alheios. Tchau, amor!
Agora não adiantar tentar ler entrelinhas inexistentes, colocar cor em quem não quer, e amar
quem não quer ser amado.
Quem disse que o tempo era o melhor remédio, não conhecia o efeito de um abraço. Abraço calmante, tranquilizante, viciante, efeito de droga. Abraço longo, que traz paz. Que dá a sensação de que o mundo pode cair e nada vai te atingir e se atingir... tanto faz! Abraço que permite que você sinta o cheiro, o perfume de quem te fez falta, e que te leva de volta a um pretérito mais que perfeito.
Pra ser sincera, não espero viver nenhum conto-de-fadas, já que não vivemos em um
reino encantado. Não espero um romance com alguém que dê tudo por mim, não
moro em um clipe musical. Não espero encontrar alguém que seja o total oposto de
mim, e mesmo assim consigamos ter o maior de todos os amores... não faço parte de
uma música do Legião Urbana. Espero ter alguém que me faça chama-lo de príncipe,
e de chato... de super-herói, e até de ridículo. Alguém que me faça chorar de rir, rir e
continuar rindo, e chorar por chorar. Quero alguém que me deixe na dúvida com suas
palavras, e me dê a certeza com os olhos. Qualquer pessoa que me arranque um
sorriso dos lábios nas horas das lágrimas. Uma pessoa imcompreensível, insistente,
preguiçosa, cega, surda e muda, quando quer. E que mesmo assim, lembre das
minhas palavras, gestos, pensamentos. Alguém humano... que não seja perfeito, mas
feito pra mim. Até porque, vamos concordar, o perfeito é muito entediante. E até o
Príncipe Encantado anda sem tempo pra Cinderella.
Quem disse que o tempo era o melhor remédio, não conhecia o efeito de um abraço. Abraço que permite que você sinta o cheiro, o perfume de quem te fez falta, e que te leva de volta a um pretérito mais que perfeito.
