Gabriella Beth Invitti

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"Na direção do vento, ou mesmo contra, deveremos continuar andando... Não se pode parar, porque o tempo não para!"

Que se cansem de falar.

Na medida, em que, assim como até hoje não aprendi a separar sílabas corretamente, até hoje não aprendi a me definir e a justificar meus atos, sem mentir. E isso não é diferente do primário, afinal, no primário pude copiar as lições dos outros alunos e aqui poderei copiar de vocês, ou mesmo, me avantajar em algumas explicações e definições. – Tudo não passa de trapaça. – E, quando as outras pessoas resolvem me resumir, as palavras parecem sempre exageradas. Fica dito, então: que não confio em julgamentos, muito menos em interpretações.

Que seja. Ultimamente vim me preocupando tanto com o que os outros poderiam falar, que me esqueci de viver. E então, foi que descobri, que na verdade, eu quero mesmo é que falem. Falem muito, mintam muito. Afinal, na hora certa, o fundamental irá se surpreender. E esse fundamental me bastará.

Alguns acontecimentos, bobos, me fizeram aprender uma coisa: “até quando o problema for pequeno, a solução deve ser grande”. Odeio vinganças e as acho desnecessárias. Porém hoje, me senti uma boba, ao fazer uma pequena vingança. Por assim dita: vingança merecida. – Mas eu não precisava! – E como meu professor veio a dizer em um de seus sermões: “Todo erro tem justificativa, mas eles não devem ser justificamos e sim corrigidos, ou, servir de lição...” – Está aí, eu errei. Errei ao me vingar. Afinal, seria tão mais elegante apenas ignorar e sorrir. E seria tão mais belo: apenas perdoar.

Em outra “pequena vingança” do mês, eu creio ter acertado. Mas é lógico, que sempre que fazemos algo que parece estar certo, devemos deixar uma dúvida de estar errado, porque os finais são sempre surpreendentes. – Nessa, porém – eu fui apenas indiferente. Sem palavras, sem xingamentos, sem deixar o assunto se prolongar. Deixei que o silêncio desse a resposta, e pelo que me perece, ele está dando as respostas certas.

Mas, no fim, o que eu queria deixar bem claro, é que: “somos todos tão humanos, que na busca da perfeição, esquecemos nossa humanidade” a largamos para o bem, ou para o mau. Às vezes, somos tão generosos, que deixamos de sermos humanos. E, às vezes, somos tão malvados, que deixamos de sermos humanos. – E eu não posso criticar nenhuma das duas, afinal, sempre peço identidade das pessoas, e se a identidade delas é perder a humanidade, eu não poderei fazer nada. Até porque, quando se trata de outra pessoa, eu nunca saberei, realmente, o certo ou errado. Não saberei isto nem de mim. Quando se trata de outra pessoa, não poderei sentir, poderei apenas ouvir os fatos. E como eu disse: eu não acredito em interpretações, ou eu sinto, ou eu não sei.

E o erro das pessoas: é pensar saber. – Vou por outro erro, meu, em pauta. – Há poucos meses, eu tinha uma melhor amiga, que eu pensava saber todos os defeitos e todas as qualidades. Mas, nós nos distanciamos. E há poucos dias, fiz um julgamento de suas atitudes atuais, dizendo que eu a conhecia. – Que erro! Que enorme e cruel erro! – Se não posso me conhecer, como conhecer outra pessoa? Por mais que haja convivência, eu não sinto, eu interpreto. E já não há mais convivência! E as pessoas mudam, mudam em minutos... Porque elas sentem, agem e não interpretam.

“Porque assim como eu nunca irei me conhecer, a ponto de me mudar a todo instante. Eu também nunca poderei conhecer você... Só me resta: confiar”.

Na medida, em que, assim como até hoje não aprendi a separar sílabas corretamente, até hoje não aprendi a me definir e a justificar meus atos, sem mentir.

É como em um filme que conta a história de um criminoso. Conta suas falcatruas e sua vida. Seus crimes e seus amores... Eu fico pensando: “É isso! Quem somos e o que fazemos não nos impedem de amar... Talvez nos impeça de sermos confiáveis, mas de ter sentimentos... Não. Sentimentos todos têm!”. E talvez seja os sentimentos que nos fazem repensar nas ações. Talvez sejam eles que nos fazem ver a vida de outra maneira. Afinal, se você não tem por quem morrer ou matar, não tem graça morrer ou matar. Se você não tem uma paixão, um amor, uma alegria... Você não sente nada além.
O caráter das pessoas está dividido e existem várias formas das pessoas não tê-lo. O que você faz não tem nada haver com o que sente. E o que você sente pode ter haver com o que você faz.

Mãe.

“Não chores menina” – era a única coisa que conseguiria lhe dizer, mas não disse. Aquelas lágrimas não mereciam a delicadeza de sua pele, nem a beleza de seu rosto. Aquele sofrimento não pertencia a aquele coração. E aquele olhar triste não era digno da cor brilhante de seus olhos. – “Não chores menina, não chores...” – Olhas o céu, como ainda é belo, mesmo que o chão esteja prestes a desmoronar. Olhas a água que cai daquela cachoeira, como ainda é doce, mesmo que esteja tudo em gosto amargo. Olha com o teu olhar sempre cheio de ternura e sempre disposto a compreender... Olhas bem. Stand by me. E fique à meu lado, fique à meu lado querida.
Era tudo que poderia lhe dizer, mas não disse. Óh! Quantas palavras são deixadas no silêncio em momentos como este. Quantas palavras são deixadas... No silêncio.
Eu posso olhar o horizonte e ver uma borboleta pousar em seu ombro. – Você também pode ver. – Mas as lágrimas te impedem de enxergar. Por favor, seque-as. Olhe como são belas as asas da borboleta, coloridas com a ponta do pincel do criador. Coloridas detalhadamente por Deus, porque ele sabia que quando você olhasse formas tão belas, iria sorrir. E ele também ama teu sorriso. “Não chores querida. Não chores...”
Olha só as folhas que caem nessa estação! São as mesmas lágrimas que caem de seus olhos. A diferença é que elas se preparam para Primavera apenas uma vez por ano, e... Você! Você está sempre prestes a florescer. Sempre...
Não chores querida, as flores virão. Mas elas esperam teu sorriso... Sorria, e, poderá sentir o cheiro doce das Margaridas.

Nas asas do meu Beija-flor.

Era o meu romance preferido que passava na televisão. E eu só conseguia ouvir os sons da TV, da pipoca amanteigada derretendo na boca e sendo triturada pelos dentes, e, ouvir também, o som da respiração dele – que era tranqüila e encantadora – encantadora como tudo nele. A respiração dele parecia me salvar de um abismo, porque ela provava sua existência. E o fato dele existir me acalmava o coração e me entregava uma grande ânsia de viver – a sua existência era a minha motivação.

A melhor cena do filme, finalmente chegou. O bandido eternamente apaixonado pela mocinha de pele branca feito a neve e de olhos negros e profundos – disse: “Eu te amo”, e ela respondeu: “Com todas as forças da minha alma”.

Eu não esperei pelo beijo do casal apaixonado. Olhei para ele que estava há meu lado e também me fitava. Foram segundos perfeitos os antecedentes ao beijo. Nossos olhares se encontraram e expressaram a ternura de falarem sozinhos que a cena que acabávamos de assistir, era nossa, foi feita para nós. Assim como o resto do mundo: que também foi feito para nós dois. E o beijo veio, doce e suave, um beijo apaixonado.

Aquela foi a primeira vez que o vi fumar. Eu, particularmente, sempre achei o horário das tragadas algo muito pessoal, algo difícil de dividir com outra pessoa. E tenho toda certeza que ele também pensava assim. Mas ele não estava dividindo nada com ninguém, afinal, aquela altura, já éramos um só.

Mesmo soltando fumaça da boca, ele era impecavelmente lindo. Seus olhos ardiam beleza e seu sorriso iluminava minha vida. – Com ele, eu não precisava de mais nada. – A vida era somente nós dois. O mundo havia sido feito para nós dois. E as mais belas palavras de amor pertenciam aos nossos lábios e de mais ninguém.

Podíamos ficar horas abraçados. Aquele abraço forte e incomparável, que ao me ter em seus braços, tornava a vida em um Conto de Fadas. E então, aquela voz estonteante vinha ao meu ouvido falar coisas que me erguiam o ego e me deixavam igual boba. Ah! Aquela voz! Não haveria ninguém com voz tão mais bela e gostosa de se ouvir...

Quando nos dávamos às mãos, nós sabíamos que não haveria nada que se encaixasse tão perfeitamente quanto nossas mãos juntas – entrelaçadas e guardadas.

Sim, era tudo realmente perfeito. E isso porque eu ainda não falei de como eram bons os beijos e não citei as noites de amor... Isso, porque apenas resumi algumas coisas. Isso, porque nem todas as palavras do mundo poderiam falar exatamente tudo que nós sentíamos.

Mas a vida é uma só, e, ela não pertence mais ao meu príncipe de extrema beleza. Ele se foi assim como vão os sonhos bons quando acordamos. E ele deixou feridas abertas que nunca irão se cicatrizar. Ou irão, se ele voltar. Mas isso não acontecerá.

E ver aquela beleza eterna, assim, por foto... Machuca ainda mais as feridas sem curativos.

Ficaram as lembranças desse pássaro lindo e livre que voou nesse céu azul de nuvens que tem formas de algodão-doce. Ficaram lembranças... Tão deliciosas e tão dolorosas. Mas que não tenho razão para apagá-las. – “Beija-flor, pássaro tão belo e tão encantador. Eu só posso lhe dar uma palavra: adeus. E, por favor, não deixe de voar...” – E a gente se encontrará, quando permitirem-me asas para voar, e, encontrar teu ninho.

NDA.

Era a mesma sensação de pegar a caixa de cigarros e o meu isqueiro que eu escondo na segunda gaveta de meu guarda-roupa – acender meu cigarro, tragar e soltar a fumaça – nos momentos de nervoso, tristeza e solidão. A mesma coisa que roubar o uísque de meu pai do pequeno bar instalado na sala e tomar um gole nos momentos de fraqueza.
As únicas coisas que eles me pediram era que eu fosse breve, que eu respondesse “por que eu fazia aquilo?”, e, que eu contasse os meus objetivos. – Mas eu me calei. – Para fugir das perguntas, ou, fugir das respostas. Eu não queria conversar, eu só queria ficar olhando os passos do velhinho que andava mancando pela rua. Queria ver como ele usava a bengala, queria me imaginar no lugar dele, queria poder sentir minha imaginação fazendo um pequeno filme sobre aqueles passos, sobre aquela rua ou sobre o jovem que andava com o cachorro no outro lado da rua. Mas eles queriam conversar, queriam me dar uma lição de moral, queriam falar sobre aquilo que eu não queria ouvir. Teimar que podiam optar sobre minha forma de viver.
Quando a única explicação se encontra em três palavras: “eu estou confusa”. Confusa como, pelo menos, metade da população mundial. Confusa como a menina que está na sorveteria tentando decidir entre cobertura de chocolate ou cobertura de morango. Mas ao contrário dela, eu não tenho opções. E é a falta delas que me faz “meter os pés pela cabeça”.
Com uma imaginação fértil, eu não me concentro. Com um espírito disperso, eu não me contento. Com uma energia forte, eu não consigo ficar parada. Com poucas opções, eu escolho sempre a opção errada.
Se eu falasse todos os sentimentos e fatos: não me entenderiam. E se eu falasse como estou escrevendo, entrelinhas, me julgariam mal. Então, era melhor não falar. Era melhor desviar o assunto e colocar os fones de ouvido.
Eles foram embora e com o volume baixo pude ouvir suas criticas, suas previsões para meu futuro nada promissor. – Soltei os ombros. – Aumentei o volume, e, fechei os olhos. Pude me imaginar tocando cada um dos instrumentos que reconhecia ao ouvir a melodia, pude ver flores e lembrar de amores. – Só faltou o café. – Me levantei e fui até a sorveteria na tentativa de que leite gelado esfriasse os sentimentos conturbados. Era só atravessar a rua e comprar um sorvete. Mas ouvi aquele barulho de motor de moto, então fechei os olhos e sorri, só podia ser ele. Era ele! E ele estava ali, impecavelmente lindo, com um capacete nas mãos. Logo abriu aquele sorriso que dizia: “Venha comigo”. Não pensei duas vezes, fui correndo até ele, coloquei o capacete e subi na garupa da moto.
O abracei com força e os sentimentos ruins se foram com o vento, só restaram às borboletas na barriga, que diziam: “É ele!” – e mais ninguém.

Só para ver nascer e brilhar.

Meu querido, tu não podes ver os dias como eu vejo, pois, tu acordas tarde todas as manhãs, na verdade, acordas no meio dos dias. Tu achas belo os grandes prédios, os carros modernos, as roupas de marca, as festas de segunda a segunda. Tu amas fazer cálculos, contar teu dinheiro e viajar ficando nos hotéis mais caros. Tu gostas de comer em restaurantes chiques, de tomar banho de piscina e de beber café na cafeteria do shopping. Tu gostas disso, do movimento seguro de uma vida agitada das grandes cidades... Já eu, eu gosto das incertezas e das poucas mordomias.
Eu amo vestir, praticamente, as mesmas roupas durante a semana, gosto daquelas blusas largas e dos shorts rasgados, que me são muito confortáveis. Eu amo andar na minha bicicleta e apostar corrida com os moleques da rua. Eu amo as jantas nos finais de semana, onde reunimos os amigos, contamos histórias e damos muita risada. Eu amo dar água as flores, desenhar, e ajudar as outras pessoas. Eu amo comer a comidinha de minha mãe, que é sempre aquele arroz papado, aquele bife mau-passado e aquele feijão temperado. Eu gosto de subir nas árvores de manga, caju e goiaba, aqui do quintal e pegar as frutas para comer no fim da tarde. Eu amo tomar banho de rio, cachoeira e de mar... E, eu... Eu, acordo cedo todas as manhãs, na verdade, acordo durante a madrugada, quando o céu já está preto, sem estrelas e sem lua. São sempre quatro horas da manhã quando meu despertador toca. Eu me levanto da cama, escovo os dentes, troco de roupa e vou para cozinha fazer um bom café, um café bem forte e açucarado. Pego as correntes do meu cachorro, e vou correr com ele. Antes disso, coloco o café numa térmica e coloco a térmica dentro de minha bolsa... Corremos até um ponto do caminho, guiados por uma lanterna. Sentamos sempre no mesmo banquinho, e paramos para esperar. Enquanto esperamos, eu abro a minha térmica, coloco café na caneca e dou um bom gole do café quentinho e fresquinho. Respiro fundo, olho no horizonte e vejo as luzes começarem a aparecer. Então, ele nasce, dando brilho as minhas manhãs.
Meu querido, tu não podes ver os dias como eu vejo, porque tu não te arriscas, tu não abres os olhos nem para ver o sol nascer. Talvez, tu o vejas às vezes, quando viras a noite numa festa ou outra. Mas, tu não o vê, como eu o vejo: no meio de uma natureza, de um café fresco e de um cheirinho de terra.
Tu vives num mundo que se acaba, eu vivo num mundo que não para de nascer. Assim como, a fotossíntese das plantas, que não param de gerar oxigênio.
Tu não vês as coisas como eu vejo, e, mesmo assim, eu posso te ver meu querido. Mas, quem sabe, um dia, tu descobrirás o segredo da minha felicidade inabalável. E verás então, um nascer do sol mais rico que o carro de tintura brilhante que se encontra em sua garagem de portão elétrico.

Pois, “O nascer do sol iluminará e tu encontrarás um sabor especial em cada coisa que farás durante o decorrer dos teus dias. E o pôr-do-sol deixará, o ar de saudade, que inundará tuas noites e lhe fará admirar as estrelas, na espera de um sol que já vem...”. Só para ver nascer e brilhar, como o brilho do teu sorriso.

"Não deixe de me procurar quando algo lhe aflige – não precisarás falar o que te preocupas, poderás ficar apenas calada, e, se quiser – poderá chorar também. Eu estarei aqui para ouvir, para aconselhar, para lhe dar o ombro, para ouvir palavras que levarei para o tumulo e para lhe abraçar e dizer: TE AMO.
Porque muitas vezes os amigos são assim, eles podem não estar presentes nos momentos mais felizes – e isso não quer dizer que eles não fiquem felizes com a sua felicidade, porque eles ficam, e muito –, mas com certeza, não hesitarão de estar com você nos momentos em que você mais precisará deles.
E eu serei assim com você – não estarei sempre presente – mas sempre estarei aqui para secar suas lágrimas e fazer-lhe abrir um sorriso!"

Eu sei – eu sei.

Sim menina, eu sei que estás confusa e que não sabes o que fazer. Sim menina, eu sei que tu sentes medo e tem vergonha de admitir isso. Sim menina, eu sei que não confias falar destes medos há ninguém. Eu sei – menina – eu sei. Mas o que é que eu lhe posso dizer? Já buscastes todas as respostas dentro de você? Sei que já! Sei que já buscastes menina. Mas o medo nos deixa cegos, já percebestes isso? O medo nos tira a visão. O medo nos tira o poder de enxergar aqui dentro: o que é que se passas... E o medo, muitas vezes, nos faz agir sem pensar. Então, pare menina. Pare agora e pensas melhor. Pensas melhor, menina. Preocupar-se não adiantará nada. Busca soluções, menina. Busca soluções...
Sei que quer falar, mas sei que não consegue. Dá para notar de longe teus olhos aflitos e longes... Teu olhar não tem o mesmo brilho, menina. Teu olhar encontra-se disperso, quase inalcançável. – Sei que tentas disfarçar, menina. Sei que procura falar que “está tudo bem” quando as pessoas notam as diferenças em você, quando notam teu olhar distante e teu recolhimento. Eu sei – menina – eu sei. Eu sei que estas te esforçando ao máximo, eu sei que busca forças onde não existem forças, eu sei que disfarça as dores... Sei que tenta ser corajosa – menina – eu sei.
Mas o que é que lhe posso fazer? Dar-te uma porção que um gole dela resolverá todos os teus problemas, lhe parece pouco. E sei que não é isto que queres... Queres apenas segurança – menina – queres mandar estes medos embora, e, repito: queres segurança.
Mas o que é que lhe posso fazer? Sei que estás frágil e com medo, menina. E sei que não podes falar disso com ninguém. Sei que agora neste momento busca forças lá dentro de você, buscas respostas lá dentro de você, e, sei que estas tentando tirar tua aflição em meio a palavras. E o que é que lhe posso dizer? Apenas: “buscai respostas menina e não deixes fazer-te cega”. Acalma-se – menina – o sol voltará a brilhar amanhã bem cedo.

Me invade!

Eu lá cheguei e ali chovia. Olhei ao longe e ele sorria. – Tão belo sorriso! – Suspirei e pus-me a cumprimentar os queridos ali presente, não demorou muito e me pus a dançar e a beber. – Sorrir! Curtir a vida da melhor maneira: dança, festa, canção, sorrisos, amigos, gritos, e, bebedeira. – Não vem a calhar lhe dar um “oi”, mas assim bem de longe, num sorriso discreto. Não quero chegar tão perto, não aos olhos dos teus amigos. Olham-me de maneira estranha, eles parecem não gostar, aquele típico olhar: “ela não é pra você – você não é pra ela” – puro olhar de reprovação que me paralisa.

Bem, nesta noite, tu sabes. Vou deitar-me a cabeça em teu peito e falar-te disparates e loucuras. Vou falar de coisas belas e de coisas monstruosas. Também vou te tirar a paciência com meus ciúmes bobos. – Ah! Pois bem, também vou pedir-lhe conselhos e opiniões, brincar que você pode me proteger de todos os males. Talvez até, não seja brincar. Ali com você, só existirá um mal, e não sei bem se quero ser protegida deste...

Vou refugiar-me em você por algumas horas, e bem antes da aurora, eu vou partir. Vou fazer-te sair e olhar o céu comigo, só para deitar a cabeça no teu ombro e ouvir você respirar. Eu vou passar-te as minhas mãos em teu rosto, para sentir as formas e guardá-las melhores em mim. Eu vou afogar minha cabeça pertinho do seu pescoço, e sentir teu cheiro, já guardado no melhor espaço da memória.

Doentes do coração, nós poderíamos até dançar, ao som da música que faz a bailarina girar. Vou falar-lhe que bem lembro os detalhes do primeiro dia. E vai rir-te todinho e se deliciar das minhas lembranças, vai me chamar de “boba”, como sempre faz. Vai querer ir embora e vou lhe dizer que “não me apetece ir agora”, ou, vice-versa.

Vais sorrir! Vais sorrir! Vais sorrir, e, sorrir só para mim. – Mesmo que não seja um sorriso verdadeiro. – Consegue ver a minha empolgação? Que chegue logo o dia da noite chuvosa, em que vou olhar teus olhos, assim, cara a cara, como estou a imaginar... Mas as horas, agora, não parecem voar.

Olha que, parece até sonho, mas vou lhe ver dormir. E vou dormir bem junto a ti. Só para te abraçar, só para sentir-te acordar e acordar junto contigo e lhe dizer: “Olá, dai-me um sorriso...”. E vais sorrir, vais sorrir!

Vou acender meu cigarro e pedir para tu me falar aquele verso que tanto gosto e que só tem graça ouvir no som da tua voz. Que tal ligar o aparelho de som e por aquela música que tem nas palavras nós dois? Não sei, é tão bom estar ali com você, que não sei o que quero: talvez, só ouvir sua respiração. – Aquela respiração de quando estou em teus braços, em meios a beijos e abraços. Tu sabes... De qual respiração lhe falo.

E se de repente, eu lhe falar baixinho no ouvido, “o que é que tu sentes?”. Tu vais me olhar com teu olhar bonito e gostoso de menino travesso e dizer que me adora? Tu vais falar assim – baixinho e sussurrando – e eu vou me derreter? Ou vais te calar e me calar com um beijo que eu não vou lhe resistir? Um beijo daqueles que vou me esquecer até do que te pedi e lhe pedir bis? Ou um beijo daqueles suaves, doces e apaixonados onde eu vou ter a resposta para todas as minhas perguntas? Que é que vais fazer?

Mas que seja! Não me recrimine por estar aqui escrevendo, e fazendo planos. Por estar imaginando O tão esperado por minha pele e coração: O reencontro. É que são tantas coisas... Quero deixá-las, quero me distrair, e, para esquecê-las: só em meio a palavras, palavras de amor.

Eu sei – é bobo – mas é doce sonhar que sentes o mesmo. Que neste exato momento também pensas em mim, e, que a saudade também lhe aperta.

É bobo – e doce – muito doce é sonhar que um dia vou poder lhe segurar as mãos de verdade. Lembra-te que um dia disse que não poderias segurar minha mão, pois bem, só disse por que não era verdade, e, não queria sonhar com aquilo. – Boba! – Cá estou sonhando com tuas mãos nas minhas.

Mas bem como diz a canção “Quem sabe um dia, por descuido ou poesia, você goste de ficar...”. É que no teu ar de mistério que quão mais eu desvendo, mais eu me enterro... Eu me perco. E ali eu fico no silêncio, tentando guardar o máximo de detalhes, para vir depois aqui e deixar-me levar pelas palavras.

Que de tão tola – às vezes acho que és meu – mas tu és! É... Tu és! – Tu és tão meu! – Por mais que não me pertença. – E cá fico eu, sonhando com o meu – meu brilho no olhar e sorriso encantador – que estão em você. Pronta para lhe dizer que: eu sou cheia de saudades. – Ah! Volta... E me invade! Com a tua alma e corpo.

Queria lhe agradecer – queria.

“Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam, minha querida”. Foi o que ele me disse pela última vez – com sua voz linda que era tão tranqüila que parecia música em meus ouvidos – quando eu lhe disse que havia sido um estúpido comigo e que eu iria esquecê-lo a todo custo. – “Não leve apenas o que foi bom...” – aquelas palavras, naquele momento, me fizeram desabar. Não fazia sentido lembrar-me das coisas ruins... Não fazia sentido lembrar-me dos momentos de humilhação, de brigas, de dor... E ele se foi. Mandou-me algumas palavras uma e outras vezes, ligava-me, pedia-me para não esquecê-lo e depois desaparecia – até lembrar-se novamente que eu existira. Mesmo com todos os seus erros, eu nunca conseguira rejeitar-lhe algumas palavras. Sempre lhe respondia. Sempre lhe ouvia. Sempre suspirara com sua forma doce de agir comigo. Mas nunca me esquecia de tudo que passei – de toda a dor – porque ainda doía. E assim, sempre lhe dava o silêncio quando ele resolvia falar de “nós” – “nós” hoje esta palavra me parece até piada.
Pois bem, ele se foi, para longe deste lugar e de meu coração. Confesso que ainda me lembro – com alegria – dos momentos felizes, e, também dos momentos de tristeza. Pois ele estava certo. E eu tenho que admitir – baixar a guarda pela primeira vez – e aceitar: por mais cafajeste que ele tenha sido, o infeliz estava certo. – “Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam...” – contam mesmo. As coisas ruins lhe servem para, primeiramente, esquecer. E, depois, para aprender.
Aprende que – assumir um relacionamento não é primordial, primordial é senti-lo.
Aprende que – para haver qualquer coisa, seja algo importante ou não, deve haver reciprocidade, deve haver respeito, deve haver sinceridade, deve haver paciência, e, sobretudo deve haver lealdade.
Aprende que – serás e agirás da mesma maneira que gostaria que seu amado agisse contigo.
Aprende que – deves deixar seu amado livre, e ser livre da mesma maneira. Mas que nenhum dos ambos amados deverá confundir a liberdade com libertinagem.
Aprende que – se tu não és exclusiva e não tem prioridade, não há porque tratar a pessoa da mesma forma, e, não há porque continuar.
Aprende que – se for verdadeiro não enjoa, acostuma-se a qualquer rotina – até a da distância e a das regras –, aumenta com o tempo e solidifica-se com cada momento.
Aprende que – o amanhã sempre vem, mas o amanhã é sempre tarde para falar o que se sente agora.
Aprende que – a sinceridade é o fruto do seu amadurecimento, e, que ser sincero exige entrega.
Aprende que – qualquer relacionamento exige entrega.
Aprende que – se não te faz feliz, não é amor.
Aprende que – o amor é bem mais do que alianças no dedo. Que o amor é bem mais do que se pode imaginar, e, aprende que – sem amor, tu não vives de verdade.
As decepções e as vitórias lhe dão maturidade para aceitar as coisas e buscar sempre a sua felicidade. Dão-lhe maturidade para entender o próximo. Dão-lhe maturidade para respeitar o próximo.
Dão-lhe maturidade para perder a paciência para joguinhos e pessoas que não lhe farão bem, para entender que amores de uma noite acabam e que, na maioria, você pode arrepender-se no outro dia. Dão-lhe maturidade para ser sincera e não brincar com os sentimentos alheios.
Dão-lhe maturidade para aprender a esperar, doar, receber, proteger, e, a por um ponto final naquilo que não vai levar-lhe a lugar algum – que não vai acrescentar-lhe nada. Porque o amanhã é incerto, e, não se pode perder tempo com aquilo que não sai do lugar. Senão, a vida passa, as pessoas se vão, e, você vai ficar sentado olhando a vida passar.
Dão-lhe maturidade, sobretudo, para amar e ser amado.
“Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam, minha querida”, eu levo de você todas as coisas boas e ruins, e não sabes como aprendi com você, meu doce e velho melhor-amigo.
Ainda que, a convivência não nos pertença mais, você ainda é o meu primeiro amor. E, te levarei sempre, mesmo que o nosso amor também não pertença mais a meu coração. O amanhã é incerto, e você ensinou-me a não perder tempo, e, amar – simplesmente amar – de verdade, com todas as forças da alma. – “Obrigada!” por fazer-se eterno.

No vão da memória.

Aqueles textos que se escreve apenas para liberar a mente. Sem muitos propósitos, sem muito sentido...


Entre uma leitura e outra é sempre gostoso dar uma descansada nos olhos e vir a escrever. Nas linhas de palavras meigas que acabo de ler, recordo-me de momentos felizes vividos em férias passadas. Como ainda sinto presenças que aos poucos não pertencem mais ao meu presente. Como ainda doem feridas que não me fizeram chorar, mas me ensinaram muito. Como ainda tenho os mesmos medos de quando era uma criança miúda de cinco anos a chegar nesta cidade.
Pavorosos eram os invernos em que me pus a chorar calada na escuridão da noite em que só se podia ouvir o barulho do vento tocando as árvores. E, que, a memória teve a brilhante idéia de apagar a dor, mas de não esquecer os motivos. Como ainda ontem, que sozinha olhando a televisão ainda virava o rosto para fitar os lados e ter certeza que os meus medos não estavam perambulando por ali.
Ainda não posso, não consigo confiar, tudo que quebra um coração ao meio. Escondo-me em cascas falsas para não notarem a fragilidade de uma alma, que nos muitos desconfortos se deixa aberta e todos a notam. A tristeza teima em vir, mas as lágrimas eu sempre consegui segurar. As malandrinhas às vezes molham os olhos, mas em uma coisa em sempre fui muito eficiente: segurá-las – lágrimas malditas! Em exceção a lágrimas de alergia, essas que, escapam em dores físicas monstruosas.
Olha que desenhei um coração agora pouco na palma da minha mão, sem nada a preenchê-lo. Nada, definitivo. Como muitas vezes fiz, logo que aprendi a desenhar não me recordo com que idade, mas logicamente ainda miúda. – Em meio à triste adolescência das dúvidas e confusões, minha alma permanece, não sei se bem ou mal, com a mesma essência dos cinco anos que aqui cheguei. Um pouco mais crescida, talvez. E mais preparada, com certeza. Mas ainda a menininha cheia de sonhos e medos, com quase os mesmos gostos e o desgosto por bife de fígado.
A mesma menininha que junto com o irmão mais velho, depois de uns dias nesta cidade pequena e desconhecida – na época. Ganhou um cachorrinho, branco com uma mancha preta no olho direito, e, que recebeu o nome tristemente engraçado de Magnata. Tristemente, pois este, não era de seu gosto – sempre enjoado. Mas aos poucos, rendeu-se a graça do nome, e, ao amor leal de seu cachorrinho que segue junto até hoje. E, que, não posso nem pensar em perder meu fiel companheiro das fugas rápidas de casa quando mamãe me reprimia por receber reclamação das professoras do primário.
Minha memória, sempre tão boa e sempre tão ruim. Guarda detalhes dispensáveis aos outros olhos, mas ricos aos meus buscadores de horizontes. Penso que, muitas vezes, ela poderia me deixar em paz, ou me dar umas férias. Porque é triste estar em constante pensamento, sem pausa, sempre pensando, sempre lembrando, sempre criando. E, quando chegar à noite, ela ainda teimar em funcionar e de tanto funcionar, me tirar o sono, e, buscar medos que não deveriam mais estar aqui. Pois já passaram... Pois, nem sei tão bem se ainda são meus. Mas eles vêm, teimam em vir, com a mente que não para e implora por devidas explicações.
Uma mente de pássaro! Que voa sem parar... Talvez seja o fruto de grandes pensamentos, ou, talvez de pensamentos não tão bons assim. Mas, de uma coisa é certa, ela há de enriquecer minha memória com momentos que vão acalmar meu coração, que também voa e distribui sentimentos.
Pois mesmo ela sendo minha maior e pior inimiga, ainda é minha melhor amiga. Que me acusa nos erros, me parabeniza nos acertos. E, não me faz esquecer aqueles beijos e abraços, aquelas mãos e aquele perfume, que tão meigas linhas de palavras que acabo de ler me fizeram recordar, aos prantos de amor.

Foi assim.

Foi me amando devagar e urgentemente, me segurando em teus braços, me levando com teus beijos, me protegendo com teu abraço, me acariciando a pele... Fazendo-me lhe amar. E foi tudo tão bonito... Foi me fazendo viciar em teu cheiro, desejar teu toque e sorrir ao te ver, sorrir somente em lhe imaginar: assim, tão lindo, me olhando olhos nos olhos. – Ouvindo assim da tua voz que “sou linda” posso até vir a crer, posso até me achar bonita, e, ainda suspirar por horas só por lembrar teus elogios tão exagerados, mas tão doces. – Aqui, com caneta na mão escrevendo neste papel, posso fechar os olhos e recordar-me cada momento e cada detalhe de nós dois. Posso ainda escrever o jeito que me beijas e me deixas bêbada de você, ou então, escrever o jeito que me abraças forte e gostoso, e me faz esquecer o resto – que já não existe... Escrever o modo como modela suas mãos em meu corpo e fica acariciando minha pele, me deixando tranqüila e arrepiada. Escrever o modo como sua voz entra em meu ouvido quando posto minha cabeça em teu peito e sinto teu coração bater, sinto tua respiração e não me contenho, não tem jeito, volto a lhe beijar – docemente e apaixonada por teus lábios.
Então lhe beijo, lhe beijo como se fosse à última vez que irei te ver. Passo a mão em teu corpo, te seguro bem forte e junto a mim, esfrego minha pele na tua, beijo teu pescoço, sinto teu arrepio, seguro minha mão na tua nuca, falo em teus ouvidos que “te adoro”, e então, você é meu. Somente meu, assim como eu, sempre fui somente tua.
Não sei mais se me preocupo com as outras pessoas, não sei mais das outras coisas, só sei de você, só sei do que sinto – do que sinto ali, enquanto estou nos teus braços e me entrego ao ponto de não me sentir mais, de sentir apenas você. Pois quando estou ali, em meio a carinhos e beijos, tudo vira flores. – Mas então, você se vai. Podes ir. Deves ir... – Pois não me preocuparei com o inverno, afinal, sei que a primavera sempre voltará e transformará meus dias mais felizes, e assim meus dias se tornarão amor.
Ah! Amor, tão belo amor. Ah! Amado, tão belo amado. – Tão meu! – És tão meu! Mesmo que não me pertença... Porque tu sabes, tu bem sabes que eu não vou deixar-te tão facilmente, tu bem sabes que eu não vou levar-te ao esquecimento tão rapidamente, sabes o quanto se fez único, bem sabes que fará parte do meu corpo pelo resto de minha vida, sabes o quanto és meu, e, o quanto sou tua.
As coisas sempre têm um fim, eu sei, mas em minha idéia, vais viver pra sempre. Tu bem sabes que vai.
És a pessoa que me inspira cada palavra de amor, és a pessoa que me faz suspirar a cada sinal, tu bem sabes que és.
E teus sinais, às vezes são tatuagens, tu sabes, assim como sábado a noite – que se marca e não sai.
Bem que quero confessar-te um medo: você assim, tão bonito, tão rodeado de mulheres mais interessantes, eu fico a pensar que posso fazer algo errado, posso fazer algo desgostoso... Tu me entendes, não entendes? Tenho medo de falhar, e de que me deixe aqui, somente com as palavras que lhe dirigi por quase nove meses.
Óh, meu amado, meu príncipe, meu eterno namorado secreto... Ensina-me a ser tua, me ensina a encaixar-me em teu corpo, como mais nenhum se encaixa. Que eu lhe prometo minha entrega, minhas palavras, meu amor. Eu lhe prometo ficar toda vez que você precisar, eu lhe prometo lhe ouvir toda vez que quiser falar, eu lhe prometo ajudar-te toda vez que necessitar de uma mão, e, eu lhe prometo beijinhos, carinhos, lhe prometo noites e dias de amor, do meu amor, que é tão seu!
E não me negue nunca um sorriso, que sem seu sorriso, eu não sobrevivo. Muitas vezes parece castigo, gostar tanto do teu sorriso, que me ilumina. O teu sorriso que diz: “sou teu menino travesso”, porque teu rosto de menino e teus olhos encantadores ficam a pairar na mente agora e pra sempre.
Ora, droga. Não sei como ainda usam o plural ao teimarem em falar de “drogas”, sendo que a única droga que eu uso é você. E não só uso, não só consumo – eu tenho no sangue, eu sinto na pele e estou extremamente e irrevogavelmente viciada.
Bem lhe peço um favor: não me faça sofrer. Pare no momento ideal, onde só haverá lembranças boas, das nossas noites e dias de amor. Porque, meu namorado, eu ainda sonho com o dia que vou poder segurar tua mão de verdade. Ainda sonho, mesmo que eu recuse segurá-la, às vezes, por medo da ilusão.
E, bem, com você por perto, por apenas alguns dias, fico aqui sonhando minuto a minuto em te encontrar na rua e te dar um sorriso daqueles que vão te chamando para meus braços e te levando para longe, para trocar aqueles nossos beijos que me fazem suspirar agora e pra sempre.

Portanto, não se vá tão cedo, sem que eu possa aproveitar tua pele ao máximo que eu puder, porque meu corpo implora pelo teu. E meus lábios encontram-se torturados quando estão longe.

Como diz a canção “Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz...”. Meu corpo é testemunha... Meu corpo é testemunha do bem que tu me faz. Então venha com teus segredos, me abrace e deixe-me ouvir aquela tua respiração que faz meu coração viver.

Na minha escolha: apenas sintomas - sintonia.

Não sei bem o que sinto por você, juro que não sei. Mas é fácil notar que sinto, e só “sentir” vale muito. É que me perguntas “por que” e sei que tentas entender. Mas não há um motivo. Não é uma escolha onde existem cinco caras diferentes em sua frente e você aponta o dedo e diz: “é este!”. Não é uma escolha... Eu não te escolhi. – Foi meu corpo, minha pele e foi você. Foi quando nos beijamos e nossos corpos entraram em harmonia. Foi no exato momento em que me olhou nos olhos e meu coração acelerou, minha pele ardeu e meus lábios se encontraram aos teus. – Chamou-se de “sintonia”. – Foi assim que eu soube, foi assim que aconteceu... Eu não previ, eu não queria e não desejei que fosse diferente. Não significa que é amor, mas há sentimento. Não significa que vou te amar, mas não vou te esquecer. – São fases da vida que a gente passa, são pessoas que passam em nossas vidas e deixam marcas. Eu vou levar de você coisas boas, e, você vai levar de mim o mesmo e diferente. Vai passar... Vai mesmo passar. E eu não acho engraçado que um dia você volte e nós não nos encontremos. Acho natural, mas não acho engraçado.
Tentei falar-te isso, e, como tentei! Mas ainda estava com raiva... Aquele ciúme natural, e aquela insegurança mais natural ainda que acontece quando a gente partilha coisas importantes com outras pessoas. Era só o medo de ser usada... Que tenho com todas as pessoas, e não só com você, e que às vezes explode.

E, é, eu nunca saberei o que você sente. Mas confesso que das muitas vezes, prefiro não saber. Porque acaba, e está bom assim. Por enquanto, nos achamos em nossos reencontros, confundimos nossos corpos e depois vamos nos deixar até que isso não faça mais sentido. Se é que existe algum sentido nisso tudo... Está bom assim pra mim, meu querido. E quando não estiver mais, eu lhe deixo... E o mesmo vale pra você.

“De onde o oculto do mistério se escondeu. Sei que o levas todo em ti, não me ensinas. E eu sou só, eu só, eu só, eu...”

“Pai, não me dê o castigo de crescer...”

Quem me dera um dia eu pudesse permitir-me a chorar. Quem me dera um dia eu pudesse deixar-me ir. Quem me dera um dia eu pudesse ouvir-me mais. Quem me dera um dia eu pudesse olhar-te sem medo. Quem me dera! Um dia...

E que este dia seja tão meu quanto todos são. Que este dia demore a passar e que eu possa aproveitá-lo até o fim. Que neste dia haja sol ardente, vento forte e água fresca. Que neste dia os sentimentos sejam tão grandes, que apareçam nos olhos. E que este dia, se repita, nos milhares de dias que o seguirão. – Então, neste dia magnífico, as pessoas irão me perguntar: “Por que és tão boba? Tão distraída? Tão sorridente? Tão insegura? Tão de fases? E tão despreocupada?”. Irei sorrir, e responder com todo o orgulho que sou “apenas uma criança”. Criança que sorri e chora, e tem a alma limpa e leve. Criança com dois dentes faltando, e gargalhadas sendo formadas. Criança que ouve sua própria alma e faz aquilo que lhe apetece, que fala aquilo que lhe dá na telha e ainda sente-se segura de que está certa. Criança corajosa e medrosa. Criança que sonha, criança que brinca e criança que só se preocupa com o que tem valor. – Não hei de dar atenção a brigas que são passageiras, não irei ter medo de perder-te e ainda serei livre para deixar-te... Ao mesmo tempo, farei birra para que não se vá, e, brigarei com você pelo presente que deixou de trazer-me. Eu serei apenas uma criança... Como a menina da canção, que espera o ônibus da escola, com suas meias três-quartos. E que ainda tem tempo pra cantar. Tempo pra cantar! Eu vou ter tempo pra cantar...
Sei que as pessoas me chamarão de louca. Loucura é o que estas pessoas pensam. Não vou morrer de preocupação, nem de tristeza, nem de dor, nem de trabalhar, muito menos de solidão. Eu vou ser tão criança que vou construir laços eternos com amigos, terei vários namorados e morrerei de amor por cada um, até descobrir que me identifico mais com outro rapaz. Eu terei a alma tão leve! Eu poderei voar...
Eu vou ser apenas uma criança, que confia e não confia nas pessoas, e que sempre vai olhar o horizonte e dizer: “Pai, não me dê o castigo de crescer...”. Os adultos são tão cansativos e complicados! Eles vivem a infância e, depois de um tempo, largam suas almas junto com seus brinquedos. Então, eles vêm aos seus filhos e falam-lhes: “Aproveite enquanto vocês são crianças...”. Tolos! Não precisamos ouvir isso, pois nós não iremos crescer. Nós não iremos deixar de ser...

“Tudo porque cansei de lutar para tornar-me madura, quando o brilho verdadeiro está nos olhos de uma criança”. Eu serei para sempre uma criança miúda, e cheia de amor e de esperança, para entregar as pessoas que me acompanham. Eu só não irei acompanhar as mesmas pessoas para sempre. Porque o ”sempre” é caótico para almas leves. E a minha alma será tão leve quanto meu sorriso de miúda...

Então, “deixa estar”, que eu não hei de crescer.

Onze de agosto de 2010.

“Há boatos de que o fogo queimava no lixão da cidade desde sexta-feira. Foi avisada a prefeitura e foram feitos Boletins de Ocorrência na polícia, mas não fizeram nada. Na quarta-feira, antes do meio-dia, o Roni veio até nós e disse que dava para ouvir o barulho do fogo da casa dele. Começamos a aterrar com a pá-carregadeira para que o fogo não passasse. Chamamos ajuda, e pessoas recusaram... Foi tudo muito rápido... O vento trazia o fogo, que voava em meio a redemoinhos e pegava nas laminas. Logo a laminadora estava tomada pelo fogo... Não havia mais nada a se fazer, nada além de correr... Perdemos tudo! Era um filme de terror que era real. Ainda bem que você não estava aqui na hora, Gabriella, foi Deus... Só pode ter sido Deus que não lhe deixou vir pra cá!”


* Momentos de caos: você só os conhece, quando os vive.
Todas as quartas-feiras, a aula vai até ás 12:00 horas. E normalmente, eu almoço na Valéria. Mas naquela quarta, eu resolvi ligar para minha mãe e avisar que aquele dia eu ficaria mais tempo na casa da “Váh”, não sei bem porque tomei aquela decisão. Mas assim foi feito, e por incrível que pareça, naquela quarta-feira minha mãe não me contrariou e disse que eu poderia ligar a hora que fosse para ela me buscar...
Da escola dava para ver a fumaça, mas nunca – em momento algum – passaria em minha cabeça: onde estava aquele fogo. Saímos da escola, fomos a casa da Valéria, almoçamos, conversamos e chegamos até a cantar músicas sertanejas... Na hora de lavar a louça, veio à primeira ligação: “A vila Calango está em chamas”. Quando a Valéria anunciou as palavras de sua tia, avisando sobre o incêndio, eu ri. E ainda zombei: “Ih, o fogo tá nos vizinhos, daqui a pouco chega lá em casa... Ãhm?! Espera aí! Na vila Calango? Então já eram nossos super finais de semanas na Barraca do Pedrão!!! Óh, vida cruel!”. Eu mal imaginava que não era na vila Calango o verdadeiro local do incêndio...
Logo, veio a segunda ligação, dando a verdadeira notícia para a Valéria, mas ela não me contou nada, pediu apenas que ficássemos na casa dela e não saíssemos para fora. Quando terminei de lavar a louça, o fogo parecia estar atrás do Supermercado Catarinense, então, eu que sou super curiosa, e a Ana Paula, resolvemos ir lá ver.
Chegando ao supermercado, ouvi o Vinicius dizer: “A mãe da Gabi!”, sorri e tentei avistá-la, porém, como tenho Miopia, não consegui. Pedi que me levasse até ela. Quando a vi, e fui chegando perto, percebi seu rosto aflito, e disse: “Oi mãe!” do jeitinho angelical que somente os filhos mais novos sabem fazer. Mas ela não sorriu. Perguntei sobre a Vila Calango, ela me entreolhou, então, percebi que havia algo de errado. Após um tempo ali, minha mãe me abraçou e disse: “Filha, nós perdemos tudo. Não deu tempo de salvar nada. Parece que lá em casa explodiu. Perdemos tudo, a laminadora, a casa, tudo... Tudo!” (...). Ela me abraçava forte e não chorava – estava dopada com seus remédios que controlam a depressão – mas ela estava em estado de choque. Ouvindo aquelas palavras, eu não senti nada: nem tristeza, nem raiva, nem dor, nem vazio... Nada! A minha única reação foi virar para meus amigos e dizer: “Perdemos tudo, queimou tudo lá em casa” e na falta de sentimentos, eu sorri.
Então, veio a ameaça de fogo atrás do supermercado, peguei minha mãe pelos braços e pedi que viesse comigo para casa da Valéria, ela veio. Nisso, a Tia Ângela chegou, abraçou minha mãe e sentou com ela na sala de televisão. Enquanto elas conversavam, eu liguei para o meu pai. Quando me sentei com elas, minha mãe disse: “Gabi... Filha, a Cotinha (funcionária) estava dentro de casa. E o Marley, Magnata e a Pérola (meus cachorros) estavam presos...”. Não queria que ninguém me visse chorar, então saí, sentei na cadeira perto da piscina, e soltei todas as lágrimas que poderiam sair de meus olhos naquele momento.
A ficha havia finalmente caído. A laminadora do meu pai havia queimado, eu não tinha mais casa e meus cachorros haviam morrido. Eu não sabia onde estava meu pai e não encontrava meu irmão. Na sala daquela casa, havia a minha mãe em estado de choque. E a única coisa que eu podia fazer era chorar. Eu me perguntava de Deus, eu me desesperava, eu quebrei um copo d’água com açúcar, e não conseguia parar de chorar.
Dez anos – dez anos – de história, de vida. Perdidos em menos de 24 horas. E eu não estava lá nem para salvar meus cachorros. Tudo que eu havia sido construído com todo o suor da minha família estava sendo queimado por um fogo que eu não imaginava da onde havia surgido. Na verdade, aquela altura, eu não imaginava mais nada...
Algumas horas depois, a Valéria me levou para andar um pouco, e então fui comprar um remédio na farmácia. Parecia um filme. Eu andava cabisbaixa e ouvia as pessoas na rua conversarem sobre o mesmo assunto e olhar para o mesmo local: em direção de onde vinha à fumaça. “A área industrial está em chamas” – elas falavam, e me paravam na rua, para me abraçar e perguntar daquilo que eu não sabia responder. Eu queria correr e não sabia para onde.
* Momentos de caos: quando se vive, não os deseja nem para os maiores inimigos, mesmo que isso pareça um clichê.



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* Momentos inacreditáveis: você só os conhece, quando os vive.
Ao voltar para casa da Valéria, fui tomar um banho, para acalmar os nervos. E ao sair do banho, a grande notícia! Meu pai havia ligado, ele finalmente havia retornado ao local do incêndio, e por milagre – somente por milagre – havia queimado toda a laminadora, menos a nossa casa. Nunca, em toda a minha vida, me senti tão aliviada e tão feliz. Só o que me restava era esperar que meu pai viesse nos buscar, para nos levar para ver a nossa casa. “A nossa casa!” – essas três palavras nunca me fizeram tão feliz.
Ele veio e nos levou. Ao chegar lá, a dor mais forte de toda a minha vida, começou a tomar conta de mim. Em volta da casa, o fogo ainda estava alto. Só havia a casa, só a casa, mais nada. Quando vi meu irmão, minha intenção foi abraçá-lo até sufocá-lo, mas fiquei com vergonha. – Meu irmão estava bem! Meu pai estava bem! Minha mãe estava bem! E minha casa estava em pé! Intacta! – Corri atrás de meus cachorros, e meu pai dizia de longe: “Estão todos bem. A Pérola a Cotinha levou embora na hora que começou o fogo...” minha cachorrinha estava a salvo, e a Cotinha, a mulher que esteve com a gente desde há primeira semana nesta cidade, estava com ela! O Marley encontrava-se em baixo da mesa, assustado, tive que puxá-lo para que ele saísse. E o Magnata, nosso fiel companheiro de dez anos, estava lá, sentado e parecendo – sempre – sorrir para mim. Nunca os abracei tanto! Nunca chorei tanto...
Depois de alguns quartos de hora ali, ficamos todos na área da frente de casa. Apenas observando... O fogo havia queimado a grama, as árvores em volta, mas não havia queimado a nossa casa. Era um milagre! A fé inabalável que nós tanto criticávamos de nossa mãe, havia salvado aquela casa. Não haveria outra explicação para aquele fenômeno... Deus colocou suas mãos sagradas sobre A Nossa Casa!
Meu pai, cansado, se sentou no chão da área. Eu sentei ao lado dele, coloquei minha cabeça em seu ombro, e o envolvi com os braços... Em dezesseis anos de vida, vi meu pai chorar apenas duas vezes: na morte de meu avô, e naquele momento. Essa foi à hora que a dor mais forte de toda a minha vida, tomou conta de mim por inteira. Meu pai estava em meus braços a chorar... Meu pai! O homem mais corajoso que conheço, o meu herói, o Meu Pai!
E a única coisa que eu pude lhe dizer naquela hora, foi: “É, agora é começar de novo!”.


Meus pais tomaram a decisão de que iriam passar a noite ali. Com o fogo em roda, ainda alto, tinha-se que cuidar para que não queimasse aquilo que nos sobrara: nossa casa. Era a nossa casa! A nossa casa!
Eles não me deixaram ficar com eles, mandaram que eu fosse com meu irmão e a namorada dele para a casa da Tia Ângela. Como não houve acerto, peguei algumas roupas e fui com eles. Antes de sair, abracei minha mãe e pedi que ela se cuidasse. Fui abraçar meu pai e fazer o mesmo pedido, mas ele estava longe, conversando com alguns homens. Meu irmão me colocou dentro do carro, e eu não pude abraçar meu pai. Quando o carro começou a andar, e eu olhei para trás, a figura da nossa casa, dos meus pais e dos meus cachorros, se afastando, no meio daquele fogo... Eu desabei a chorar novamente. A dor era tanta em deixá-los ali! As lágrimas caíam e o coração apertava, sofria, chorava... Eu colocava as mãos sobre o vidro do carro, e as lágrimas caíam. Eu pedia em meio ao silêncio e as lágrimas para que meu irmão voltasse, mas ele não o fez. O vazio e o medo começavam a me atormentar.
* Momentos inacreditáveis: são aqueles que você poderá passar milhares de vezes, e mesmo assim ainda irão escorrer lágrimas dos seus olhos.



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Ao chegar à casa de Tia Ângela, a Rafaela – namorada do meu irmão – me abraçou. E eu chorando, pedi que ela não saísse de perto do meu irmão e de meus pais, pedi que ela cuidasse deles, e disse que queria abraçar meu irmão. Ela me olhou e disse: “Vai!”. – Eu fui. – Pela primeira vez na vida, eu abracei meu irmão forte, e chorei desesperada em seu ombro: “Diogo, por favor, me prometa que se acontecer algo, você, a mãe e o pai, irão se lembrar de mim e irão sair de lá correndo. Que vocês não vão me deixar, nunca, nunca. Nunca! Promete? Eu te amo!”. Acho que ouvi um “Eu também”. E ele me tranqüilizou, prometendo que não iria me deixar.



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Naquela noite, eu não durmi.


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O pior dia de minha vida foi o dia que mais provei que amava minha família. Foi o dia que nos uniu como nunca houve tal união. Que nos tornou mais família. Foi o dia em que eu percebi que nada mais valeria para mim, se as três pessoas mais importantes da minha vida, me deixassem. Foi o dia que percebi que não estou preparada para nenhum tipo de perda. E que ninguém – no fundo – ninguém está preparado e é forte o suficiente para entender o que é “perder algo”.
Foi o dia em que eu percebi que a minha fé, era muito pequena. E que mesmo assim, Deus esteve comigo.


Neste dia, recebi a ajuda daqueles que eu sei com quem posso contar. – “São nas horas difíceis que os verdadeiros amigos estão com você!” – Abraços, palavras de força, orações e até pessoas que nos ofereceram suas casas. A ajuda daquelas pessoas que estão e estarão sempre em meu coração, amenizaram a dor e confortaram o coração.


Dez anos de trabalho, foram perdidos.
Financeiramente, só nos restam dividas. Mas emocionalmente, ganhamos prêmios que vão nos fazer felizes pelo resto de nossas vidas. Minha família está viva! E eu tenho casa e cachorros! Do que mais eu preciso? O resto, a gente reconstrói. O velho clichê do “Para todo o fim: um recomeço!”, nunca fez tanto sentido.


Há um mês, li um livro de Salem Cury, o titulo era “Nunca Desista de Viver”. Contava a história real do autor, que perdeu toda a família em um acidente de carro. As palavras daquele homem não saem de minha cabeça. – Se você perde seu emprego, você ainda tem sua família, que é na verdade, o verdadeiro motivo para querermos crescer na vida. Mas se você perde a sua família... Que motivos há para viver? – E mesmo assim, aquele homem sobreviveu. Se ele foi forte, eu irei ser! Nós iremos.


Não sei o que fazer daqui pra frente. Mas quem é que sabe? Existem pessoas que perderam seus empregos e suas casas... São destinos incertos que estão apavorados e fracos, mas de uma coisa, eu sei: Deus estará com todos nós. E eu, eu estarei aqui, com palavras de força e de esperança, para levá-las ao ouvido daqueles que, assim como eu, precisam das palavras.


“O fogo veio, levou dez anos em algumas horas. Lágrimas caíram dos olhos de vocês três, e dos meus também. Ali nas cinzas, estão os lugares em que eu e ele andávamos de bicicleta e brincávamos de policia e ladrão. Ali nas cinzas, estão os lugares em que vocês dois lutaram para erguer... Destes lugares só nos restam lembranças e fotografias... Mas o que importa não queimou, não morreu, e não irá se acabar nunca: o meu amor por vocês. – O meu amor por vocês, este não se acaba. E este, não quer perder vocês nunca. Por isso, não chorem. – Não chorem! – O meu amor por vocês: estará sempre aqui."

Meu amado.

Não há contratos e por isso, não há motivos para brigas. Perdoa-me. – Eu sou mesmo uma boba! – Mas você sabe a importância que você fez nos últimos dias... O que era para ser bom me trouxe insegurança. Entenda-me.
Sei que houveram mentiras, sei que houveram mentiras suas e minhas. Dói as suas, e esqueço-me das minhas. Mas quero acreditar, que o seu sentimento é verdadeiro – não importando mais nada – quero acreditar que as palavras que você diz olhando em meus olhos – que aquelas palavras e aquele olhar que me faz tremer – são verdadeiros. Quero acreditar, assim, como sei que tudo o que sinto – é real. Que todas as palavras doces, às vezes, exageradas e precipitadas, são verdadeiras. Porque são. Porque eu lhe gosto.
Não és o amor da minha vida, nem o príncipe encantado que todas as meninas da minha idade esperam. Tu és apenas o meu amado – e isto é o suficiente para mim.
Perdoa-me as cenas de ciúme e as desconfianças exageradas. Tu sabes que observo demais... E mesmo que eu enxergue a verdade, não tenho motivos para lhe cobrar nada. Tua alma de pássaro voa, e volta a pousar no meu ninho quando possível. – Chamam-se reencontros. – E eu já me acostumei com isso.
Nunca lhe cobrei nada, mas eu sou uma boba ciumenta. Ando insegura e nervosa... E descontei em você estes sentimentos chatos.
É que quando estás em meus braços – tu és tão meu – que parece real. E aí, quando posso apenas te olhar, os braços pedem para que lhe abrace... Mas eu não posso.


Queria teu abraço agora.
Queria tua voz em meus ouvidos agora.
Queria teu corpo sobre o meu agora.
Queria tua respiração me fazendo perder o coração agora.
Queria teu rosto de menino para passar minha mão sobre ele agora.
Queria teu cheiro para sentir agora.
Queria teu beijo agora.
Queria e quero agora.


Mas não posso. – Tu não és e nunca serás meu. Assim, como eu não sou e nunca serei tua. – E está na hora de eu aprender a viver a vida sem você – mesmo que eu não queira. Mesmo que o que eu queira, é você, o seu sorriso – o meu sorriso! – Precisei tanto de tudo isso nesta última semana. Precisei tanto... Tanto! Precisei tanto ouvir tuas histórias que me fazem esquecer-me do resto e que me encantam e fazem-me sorrir. Precisei tanto fingir que as coisas são fáceis ao teu lado. – Mas, eu não posso. E nem deveria.


Ah! Meu namorado secreto! Te reencontrarei algum dia, e, espero poder matar a saudade que tanto aperta-me. Enquanto isso, tu voas... Minha alma de pássaro.



“Até algum dia!”

À vocês três

“O fogo me errou, o fogo levou. O fogo se fez, o fogo se desfez. Mas o amor permanece, o amor acontece, e o amor não se esquece. O amor não se deixa, o amor, não se leva, e o amor não se acaba. A força vem do amor, a esperança vem do amor. E vocês são o amor que me restou. Vocês, são, na verdade, o amor que sempre foi meu. O meu amor verdadeiro. Vocês são aqueles que dividem meu sangue, e que eu não suportaria ver-los partir. Vocês são aqueles com quem deixo as verdadeiras palavras de amor incondicional. Vocês são e sempre serão o meu motivo para respirar.
Quando se define a palavra “família” me parece pouco para definir nós quatro. Nós somos mais que isso. Nós somos só um. Apenas um só – coração.
Meus queridos, vocês são o sol que nasce todos os dias. Vocês são a lua que está sempre brilhando nas madrugadas frias. E vocês são as estrelas que enfeitam meus olhos.
Meus queridos, não há sorriso que me fará sorrir mais do que quando sorrio ao poder abraçar vocês. Meus queridos, vocês são, o motivo para eu respirar.
Olhem em volta, meus amados, há coisa mais bela do que o nosso amor? Há outro motivo para sorrir além do motivo de estarmos juntos? Não, meus queridos, nós somos o único motivo. E nada faria sentido, se aqui não houvesse – vocês – meus queridos.
Deixa o fogo queimar, deixa o fogo levar. Mas não deixa ele enfraquecer, a esperança e a força que estão aqui, aqui dentro de nós: no nosso único coração.
Meus queridos – sem vocês – eu não vivo. E o fato de estarmos vivos, meus queridos, é a grande música que agita esta festa que é a vida!


Minha família? Não os trocaria por nada. Com eles eu sou completa, cheia e farta de amor!”

O nome do meu samba.

Cheguei a minha casa já cansado, exausto, de uma turnê na Europa. Fui levar o meu samba para os gringos que se sentiram tão satisfeitos que aplaudiram radiantes ao final do meu show em que cantei os meus versos de palavras simples. E ainda tenho trabalho a fazer. Amanhã será Dia de Entrega, e devo compor uma música para um Festival de Músicas lá do norte do estado. Tive um mês para preparar-me, mas melodia nenhuma saiu. É que meravez é sempre assim, deixo tudo para última hora e por assim, nunca me sinto satisfeito com o que faço, mas as pessoas gostam, e o sorriso delas me faz completar. Eu poderia cantar qualquer samba que já fiz, mas aquelas pessoas do norte do estado dançam tanto com minhas canções, que seria pura ingratidão de minha parte se não lhes desse uma nova dança. Então – aqui vou eu! – após tomar um bom banho, sentar em minha poltrona fofa e compor meu sambinha rasgado.
Olha que, aqui sentado, refletindo sobre o que pôr nestas linhas e o que tocar nesse violão que dei nome de “Jangado”, porque o comprei lá em Jangado, cidade lá do Maranhão, a alguns quilômetros de São Luís... Ah! São Luís, cidadezinha arrochada em que conheci uma morena que, por algumas noites, se tornou minha namorada... Aqui sentado, com a mão no queixo, dei por mim que sempre fui assim, assim de escrever só quando estou só. Parece que nas vezes que estou em meio a multidões às palavras fogem. Talvez aquilo que escrevo e canto seja mesmo o meu refugio... Talvez as minhas canções sejam mesmo o que sou de verdade.
Meu cachorro Chico, não parece ajudar... Fica vindo aqui, latindo para mim, esperando que lhe faça carinho. – “Sai Chico, sai. Eu preciso cantar!” – Ih! Foi assim que comecei meu samba... Mas rasguei a folha de papel que tinham estas palavras, porque depois do quarto verso, me desgostei.
Liguei a televisão, ato que raramente pratico: assisti-la. E passa um garotinho que chora e pede da mãe tão amada. As lágrimas do garotinho me lembram a faculdade quando, longe de minha mãe, chorava pela comida ruim que eu me obrigava a comer para não passar fome. A comida da mamãe sempre foi a mais gostosa...
O menino canta uma música que fala de Deus. Lágrimas poderiam sair de meus olhos se não estivesse tão cansado. É tão lindo! Que maneira mais bela de falar de Deus e de sua mãezinha que parecia estar longe... As crianças têm mesmo este dom de nos encher de ternura com seus olhos que tem um brilho único.
Acho que vou cantar sobre os olhos desta criança. Porque eles me dizem tantas coisas... Estou olhando para eles agora e me lembrando dos anos em que andava pela rua, quando moleque, a atirar nos passarinhos com o meu estilingue que fiz com o galho de árvore que roubei do quintal da vizinha... Os olhos deste garotinho, que está ali na televisão, me lembram os olhos que olhavam atentos para meu pai que construía a casinha do nosso cachorro “Pavalhão” – e fui eu mesmo que dei este nome a ele. Ah! Pavalhão... Tenho saudade do seu latido estranho.
Bingo! É sobre isto mesmo que vou escrever, sobre a minha infância, na Rua da Alegria. E quantas alegrias aquela rua me deu! Rua da Alegria, nome merecido... O nome do meu samba.

Talvez no teu livro, mas sempre em tuas canções.

Acho que tu deverias escrever um livro. – Sim, falo sério. – É que os dramas de tua vida são difíceis e raros de acontecerem nas vidas de outras pessoas. Pelo menos, tu és a única pessoa conhecida, que passa por tamanhos momentos de bizarrês. E, por mais, que muitas destas aventuras tuas, são quando tu aprontas comigo, eu sempre estarei aqui para ouvi-las e achá-las graça. Tu és mesmo um gajo cheio de histórias para contar, e eu seria sua leitora e fã número um.
Gostaria de me ler nas tuas palavras do livro que escreverias se tu fosses um pouco mais inteligente. Com toda a certeza, eu seria chamada e descrita como a “menina que eu gosto”, como tu me chamas em meio a lençóis. Não sei se é porque tens medo de errar meu nome e confundir-me com alguma de tuas amantes, ou se é, porque, tu gostas-te mesmo de mim. Mas pra mim – tanto faz. Não sei se é apatia, mas não é falta de amor. É que só gosto de ti quando me beijas, e, fora isto, nem penso em ti – idiota. Mas, confesso que, tu me tiras o fôlego num destes nossos encontros de embriaguês.
Será que tu me difamarias também em teu livro? Porque é sempre assim: tu me amas numa noite, e, na outra sai por aí, falando aos teus amigos, – que assim como tu, também são uns idiotas e imaturos, – que eu sou uma vagabunda. Fala que “solto mais fumaça que chaminé” com o meu cigarro sempre em minha mão, mas sei que no fundo, tu bem gostas da minha elegância quando trago delicadamente e solto à fumaça em teu rosto, logo após beijar-te, e, beijo-te novamente.
Tu dizes que pinto as unhas de vermelho e passo batom da mesma cor, porque quero seduzir a todos. E sei por que tu teimas em dizer isto. Porque sabes que sou tão livre quanto tu, e nunca serei somente tua. Porque não te conformas e nem aceitas, tu não te sentes satisfeito apenas com a minha lealdade, quer também minha fidelidade e meus olhos prendidos a ti – mas, não terás, sinto muito, tu não terás nunca o que queres.
Tu achas, então, que com todas estas intrigas bobas eu vou render-me. Mas não, eu não me preocupo com o que as pessoas falam, eu fico rindo de tudo isto que é muito engraçado. E quando tu me observas rindo, acha encantador e se rende a mim, outra vez.
Tu achas que me engana, mas quem se engana é você. Faço o tipo “menina injustiçada” e eterna apaixonada, mas sabes bem que sou livre, e numa destas, eu desapareço.
Porque, eu estarei aqui para ouvir-te, mas não estarei mais aqui para lhe dar amor. Estarei pronta para ler teu livro, que duvido muito que tu possas ter capacidade para escrever, mas não estarei aqui para dizer-lhe que amei o modo como falou de mim, mesmo que tenha escrito algo que para tu, era um xingamento. – Porque eu sou mesmo assim, se estiver bom para mim, eu fico – mas se começar a ficar ruim, eu vôo. E, não importa se amo ou não, eu vôo alto e nunca deixo os pés no chão. Aproveito de toda a loucura que me é permitida. Faço o que me apetece e sou mesmo muito egoísta.
É, devo ser mesmo uma pessoa fria, e tu nunca entenderias porque me tornei assim: “desmiolada e sem sentimentos” – tiradas das tuas próprias palavras de angústia.


E não é que me falta amor, porque amor eu tenho e dou sem receber nada em troca. Mas me falta vontade de acostumar-me com as mesmas coisas, e por isso, quando as coisas mudam, eu vou-me embora. Sei que no teu livro, ou no mais provável, nas tuas músicas, tu ainda falarás que eu era a pessoa certa, até descobrir que tu te enganaste completamente comigo. E então tu dirás que me odeia, mas sei que me amarás para sempre. Porque eu lhe ensinei as palavras que fazem as rimas das tuas canções. E, porque, as noites de amor, fizeram do céu um lugar mais bonito.

All the time.

Quando ouvi o rangido do carro, tive a certeza – era ele! Vindo depressa e cantando os pneus, como sempre faz, só para anunciar sua chegada. Logo olhei em volta, e as sirigaitas já estavam em alerta. Incrível como sempre tem uma sirigaita... Mas não dormi no ponto, como noutra vez. Antes mesmo de estacionar, eu já estava parada na posição para lhe dar um abraço. Você desceu do carro, deu em minha direção e eu lhe abracei – forte – como para nunca mais deixar-te ir, como para se ninguém estivesse ali. Acho que, pela primeira vez, permiti-me a mostrar as outras pessoas que lhe gosto. Ouvi assim, baixinho, a sua respiração em meu ombro. Afundei meu rosto em teu peito, enquanto você afagava meu cabelo. E então, separamos nossos corpos, você me olhou assustado e eu não hesitei, lhe disse: “Deixa estar. Esqueçamos tudo que aconteceu, quero você e quero-te por inteiro...” e sorri. – Ah! Neste momento meu coração bateu a mil por hora, e não foi porque lhe disse aquilo, foi porque tu sorris-te. Tu sorris-te! Tu sorris-te! Tu sorris-te! E para mim. De modo que teu sorriso era apenas meu. De modo que ele não pertencia a mais ninguém, nem mesmo a você... Teu sorriso era meu e dali para sempre.
Saímos dali, fomos para tua casa, e nos amamos a noite inteira. – E aquilo era tudo que eu precisava. – Precisava te amar e só. Para que o mundo parecesse outro por algumas horas, para que a vida parecesse mais fácil... Eu precisava entrar num sonho. E que sonho era maior do que a ilusão de te amar? Porque é tudo uma ilusão, mas por enquanto, é desta ilusão que eu preciso. Só não sei – juro que não sei – o que será da nossa história quando eu não precisar mais me iludir. Pois é bem isto que você faz comigo: ilude-me. E é isso eu faço contigo: amo-te para esquecer-me do resto. Não sei até que ponto nossos sentimentos são sinceros, mas sei que isto poderá sempre acabar no dia seguinte de uma destas nossas noites de amor.
Mas por todo o tempo, que seja único quando parecer real.

Não lhe deixarei por contar-me a verdade. Deixarei-lhe por esconde-la.

Ao pensar nisto...

Eis que é esta a única verdade do que somos: eternos aprendizes. Poderíamos viver mil anos que ainda teríamos muito do que aprender. Cada erro, uma lição. O desafio disso tudo é procurar corrigir os nossos erros.
Corrigir um erro não é justificá-lo. Não importa o quão foi inocente seu ato, não há justificativa para errar, nem para ferir. Corrigir um erro é aceitar as conseqüências de cabeça erguida, é admitir que erramos, é não fugir das responsabilidades. É nos colocarmos no lugar das pessoas que sofreram com nossos atos e entendermos que não era aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. É, sobretudo, buscar o perdão – de maneira leal, corajosa e humilde.
“Mais cruel que um erro, é não dar o perdão. Mais cruel que um erro, é julgar o irmão. Mais infeliz que um erro, é não arriscar. Mais infeliz que um erro, é deixar de viver. O problema não é errar... Não, errar não é o problema.”

Os mistérios do coração são mesmo difíceis de entender. Não há sentimento que se vá para sempre, e não há sentimento que fique inteiro por uma vida. Não há quem nunca amou, e não há quem ama sempre. Não há como deixar de amar, mas há como começar a amar novamente... Difíceis de entender, os sentimentos apenas se sentem. E, ah! Quantos segredos trazem o coração de uma mulher! (...)

Antes de lhe conhecer...
Quantas vezes eu lhe disse que “você não tem caráter”, quantas vezes eu lhe apontei o dedo na cara e lhe disse não, quantas vezes eu lhe julguei... Mas foi só conhecer-te, foi só entender-te, pra poder me desgostar. Tu sempre ouviste aquilo que quero desabafar. Tu me contas aquilo que lhe preocupa, aquilo que lhe causa dor. Tu te tornaste um amigo e eu já não sei se te quero assim.
Tu não és nada do tipo que eu gosto. Tu não tens os mesmo papos que eu. – Mas tu me cativaste. – E, contigo, sinto que posso ser eu mesma. – Porém, eu não posso lhe ter. – Tu és proibido para mim. Tu podes ser somente meu amigo e, mais nada.
“Mas o coração já não bate assim faz tempo. Ele anda seco, quebrado, sem cores, enganado... Tu bens sabe, tu conheces meus segredos. Mas se as cores tu não pode devolver-lhe, então o deixai quieto e se vá. Por favor, se afaste. Deixa-o reconstruir-se e se um dia tu puderes, trazes-lhe o arco-íris.”
Não lhe quero longe, mas não posso lhe ter por perto.