Eu me chamo Antônio

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Não quero ficar entre aspas, como uma citação famosa.
Quero estar entre asas, como a liberdade mais gostosa.

Eu me chamo Antônio

Todo problema tem a sua solução ou o seu soluço.

Eu me chamo Antônio

Preciso de alguém que me faça abrir os olhos para a realidade sem desfazer a imprecisão dos meus sonhos quando quero enxergar a vida, o mundo, o amor de olhos bem fechados.

Eu me chamo Antônio

Não ache que uma noite específica mudará sua vida, seus planos. Sua vida precisa de muitas e muitas noites para mudar de rumo, para trocar de planos. A decisão é um estalo, claro, que acontece cedo ou tarde na vida, no rumo, nos planos de cada um. Mas nenhum estalo nasce do nada, nenhum rumo parte para o nada, nenhuma vida acontece por nada: são dias e dias e dias e dias de tentativas e erros e fracassos e esgotamentos. Não vai ser hoje que você vai abraçar todo mundo que ama, realizar todos os sonhos do mundo. Não vai ser hoje que você vai dizer todos os seus silêncios, silenciar todas suas ofensas. Não vai ser hoje que você vai idolatrar todos os seus inimigos, culpar todos os seus amigos. Não vai ser hoje que você vai se despedir de todos os seus amores, de todas as suas imbecilidades. Por enquanto, viva uma noite de cada vez, uma loucura de cada vez, um perdão de cada vez, uma vez de cada vez. Não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele já está mudando desde que você se permitiu chorar nas mãos da parteira. Agora, parta para a vida com a certeza de que uma noite específica não mudará sua vida, seus planos, seus rumos. Repito: não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele está mudando o tempo todo desde ontem. Ele mudará o tempo todo até amanhã.

[amanhã quem sabe; antônio]

Eu me chamo Antônio

Aposto o dobro que você vai levar uma vida inteira pra perceber que viveu pela metade.

Eu me chamo Antônio

Eu não preciso chorar para mostrar que estou triste. Nem gritar para dizer que sinto dor. Muito menos sorrir para Deus e o mundo para provar que sou feliz. Não preciso aparentar para ser, demonstrar para estar. Meu mundo acontece aqui dentro. E ele não é menor ou maior que o seu: é simplesmente o meu. Ele é meu com todas as letras, ele é meu em cada palavra, com todos os silêncios, com todos os incêndios. Eu ouvi meu choro, eu escutei meu grito, eu senti minha dor e eu gargalhei em paz sem precisar invadir o seu mundo com coisas tão minhas, com coisas tão lindas, com coisas tão findas que se repetem infinitamente: aqui dentro.

Eu me chamo Antônio

Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já era. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?

[um retrato em medo e pranto; antônio]

Eu me chamo Antônio

Sem exagero, não há nas bibliotecas deste mundo, não há nos pisos deste chão, não há na lucidez das minhas loucuras e muito menos na imensidão das suas ausências, nada nem ninguém capaz de entender o silêncio dos meus poemas com a mesma delicadeza dos seus olhos. Eles têm o privilégio de ler as entrelinhas de cada verso, e por ali ficar por horas e horas e dias e dias, até adormecerem num sonho confuso e denso – como são os sonhos dos que amam e não podem se entregar. E eles nunca se fecham porque precisam de vida para morrer, e também precisam se alimentar dessa poesia para continuar a brilhar e a sentir saudades e a mentir verdades. Por isso serão sempre densos, tensos e imensos.

Já, meus poemas têm a necessidade de buscar nos seus traços o formato de cada letra e o compromisso de catar em suas mãos as palavras mais imperfeitas – aquelas que nunca foram versificadas – e ver se cada "eu te amo" gritado silenciosamente pelos seus lábios finos consegue me acolher sem dentes, sem me deixar sofrer e só me fazer enxergar o que há de mais belo no amor: aquilo que não se diz. Meus poemas também têm a obrigação de contar nos seus dedos todas as vezes que eu não pude ouvir o tom da sua voz tão deliciada dizer que sente a minha falta. E nesse timbre ficar e respirar por meses e meses e rimas e rimas, até adoecerem num sonho doce e triste – como são os sonhos dos que amam e não encontram ninguém para se entregar. E eles nunca se ausentam por muito tempo porque precisam das migalhas da sua presença, dos pedaços mastigados do seu coração e de alguns goles das suas lágrimas para não secarem, sozinhos, como os pontos finais dos breves romances sem final feliz. Por isso também serão sempre densos, tensos e imensos.

Saiba que também não sei muito bem o que pode sair da boca e dos poros e das mãos e dos olhos de um homem de carne e osso e sangue e sonhos que se permite acreditar na realidade de vez em quando. E mesmo que nada faça sentido. E mesmo que eu não consiga me expressar com as palavras certas. E mesmo que você não interprete da maneira mais simples meus sentimentos mais complicados, meus desejos mais confusos e minhas mais sinceras verdades sobre você, sobre mim, sobre nós; saiba que aqui, em cada página, em cada erro ou palavra, em cada espaço ou entrelinha, em cada ponto e vírgula, estão os meus mais vivos pensamentos, aqueles que pulsam e vibram cada vez que pensam no que não fomos... Não sei como nem quando surgiu a ideia de começar a te escrever.

[página solta de uma carta despedaçada; antônio]

Eu me chamo Antônio

O amor é um jogo ganho pra quem sabe perder.

Eu me chamo Antônio

O amor é um jogo ganho pra quem sabe perder.ç

Eu me chamo Antônio

Saudade é o que fica quando você vai.

Incertos momentos demos tão certo.

Se você não consegue virar a página, troque o livro. Existem tantas histórias interessantes esperando para serem lidas, esperando para serem lindas.

Ah, se a gente morasse de saudade!

Quando eu morro de saudade, reencarno em você. — com Dunalva Moreira da Mota e Laís Cullen.

E quando eu espero você
parece que eu expiro você
e que você me inspira também
até a garganta dar um nós
e a gente sufocar em paz.

Esqueça as fronteiras, amar nunca foi um país.

Não era amor porque não tinha pranto e era tanto porque não era amor.

E amor é realmente tudo de que a gente precisa para tornar qualquer momento inesquecível."

Fim: quando a nossa única perspectiva passa a ser esse ponto de fuga.

a lua espera o sol na sala de star.

Eu me chamo Antônio

Achei que os seus olhos fossem grandes, mas a grandeza estava no amor que eu enxergava neles. As coisas são na ilusão.

Eu me chamo Antônio

Medo, coragem.
Medo e coragem.
Me dou coragem.

Eu me chamo Antônio

você me é tão inútil quanto o ar.

Há tanto você não fica atento a tudo o que lhe é tanto.

Como não querer que a gente se dilua se até esse sol é de lua?

O amor há de vencer, vem ser amada.

o que a solidão me deu,
só você pode me tirar.

O poeta é um tremendo filho da lua.

Torne o amor
fácil
antes que
ele se torne
fóssil.

"Vê se me esquece" é tão contraditório:
Se te vejo,
não te esqueço.

Amor, mesmo em atraso ainda está dentro do prazo.

Eu acredito no impossível, sim. Algumas coisas eu não consegui alcançar: algumas não, muitas! E não acho isso ruim, não. É bonito saber que nem tudo está ao nosso alcance, que nem tudo será nosso quando a gente desejar. Isso deixa a humildade sempre educada e evita que o seu ego cresça mais do que você.

Nem tudo está acabado.
Se o barco está parado,
podemos ir a nado
(para o nada?)

Toda alma almeja atracar em um corpo seguro.

Destino é uma soma de acasos. Quando você some, por acaso, eu acredito em destino.

Ele, no lugar errado.
Ela, na hora errada.
Eles deram tão certo.

se preciso for:
fique.

Eu me acosturei com você.

contrarie-me, mas não seja contra o meu riso.

quando você fala de saudade,
eu não sei do que você está
faltando.

eu não sou amargo
é que a vida, às vezes,
rouba a nossa doçura.

Algumas dores precisam ser deixadas para lá-
-grimas.

a saudade só deveria bater em retirada.

primeiro, o encanto;
depois, o desencanto;
por fim, cada um pro seu canto.

Um dia, a liberdade será tamanha que abriremos as nossas asas sem ferir ninguém.

pouco
contato
contanto
muita
saudade

Eu me chamo Antônio

sem meia
palavra
semeia
o amor
por inteiro.

Eu me chamo Antônio

Você seria mais feliz se sorrisse com a sua alegria? Se não dependesse da minha boca para gritar eu te amo, gargalhar eu te amo, soluçar eu te amo, deixar eu te amo ecoar pelos quatro prantos do mundo?

Você seria mais feliz se não precisasse dos meus dentes para arrancar sua dor, se não dependesse dos meus versos para acalmar a folha em pranto, se não precisasse dos meus dedos para fincar sua alegria nesses lábios finos, e deixar as lágrimas engrossarem pros lábios de lá?

Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas

Lágrimas,
Eu seria mais fraco ou talvez menos franco se aceitasse o seu amor como amor e não como pranto. Você nunca me amou. Nunca. “Nunca diga nunca” nunca funcionou. Não funciona para quem vive de poesia. Eu acredito no impossível e nessas coisas que você chama de milagre. Eu sobrevivi a vários milagres: suportar tua ausência é um milagre, secar mil lágrimas é um milagre, viver de poesia é um milagre, um poeta é um milagre, o amor… não!

Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já era. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?

Queria que você se sentisse divinamente desumana e um pouco menos culpada. E não fumasse só por se achar bonita em uma fotografia em preto e branco. Eu prefiro encontrá-la mil vezes no desespero de quem ri sozinho em medo e pranto; e amá-la, assim, para sempre e tanto.

Eu me chamo Antônio

amar exige
volta e meia
dar meia-volta.

Eu me chamo Antônio

Uma lembrança bonita não é saudade. Saudade causa incômodo físico. É quando o corpo diz mudo: - volta pra casa? E a alma, desnuda, responde: - quem sabe um dia...

Eu me chamo Antônio

Já passei por situações horríveis de gostar de alguém e não ter recíproca. Gostar demais, colocar a cabeça no travesseiro e chorar sem parar ou não conseguir fazer nada porque me lembrava da outra pessoa. Eu sou assim e não tenho vergonha de falar. Mas do mesmo jeito que eu sofri, eu sorri. Porque toda vez que o amor me dava uma porrada assim, a vida me deixava um tempo pensando em mim pra depois, com calma, colocar alguém novo no meu caminho. Mesmo que fosse só pra curar a saudade de ter alguém ou pra durar. Ou, ainda, que fosse uma paixão em combustão espontânea e sem freio nenhum. Não importa. Amor é algo que se encontra mais de uma vez na vida e eu provei disso. Verdadeiros amores, aqueles que fazem a pele arrepiar só de lembrar, até são mais raros, mas não únicos. Agora, o pior é pensar que vai cicatrizar. Pior ainda? Ficar remoendo como teria sido se tivesse dado certo. Nossa, isso é o pior. Nem toda história tem final feliz e nem toda felicidade parece ser felicidade de verdade. Há certos males que vem para o bem. Pode ser demorado, mas tudo que precisamos dar é tempo pra poeira baixar, assentar e, aí sim, deixar outra pessoa construir alguma coisa no nosso coração. Ou, até quem sabe, a mesma pessoa de antes. Tudo é momento, sintonia, vibe. Desesperar não adianta. É preciso saber viver e, principalmente, conviver com o que aparece pelo caminho - mesmo que se assemelhe a uma rua sem saída. Mentira. Tudo tem jeito. Não pra ser perfeito, mas dar as possibilidades no que precisar ser feito.

Eu me chamo Antônio

acelera o passo:
amor paciente
anda tão escasso.

Eu me chamo Antônio

Ela trouxe palavras bonitas e alguns cigarros. Trouxe também aquele sorriso de canto e contou algumas histórias engraçadas. Rimos tanto, tanto, tanto, entretanto ela pediu para que eu esboçasse um gesto de entendimento: eu não conseguia entender uma palavra sequer. Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, "eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus". Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência.

fiz uma cicatriz com todos os pontos que você perdeu comigo.

Rasguei a minha timidez para costurar eu te amo.

Eu me chamo Antônio

Preferi pensar em você como se fosse inalcançável. Como as estrelas do cinema, mudo, antigo. O cinema de hoje não tem nenhum apego. As divas são todas iguais: produzidas, facilmente recicláveis. A beleza natural morreu. Mas você sobrevive. É atemporal. É bonita agora, brilharia nos anos 70 dedilhando o solo de Stairway To Heaven em uma guitarra imaginária, teria um charme único na década de 20 lendo as notícias sobre as consequências da Primeira Guerra, e seria sem dúvida a mais bela descoberta do Renascimento, no século XV, ou daqui a 100 anos, (na lua?), onde ainda nem sequer existe padrão estético para defini-la. Preferi pensar em você como se fosse inalcançável; só assim posso me distanciar sem doer de qualquer coração em qualquer época, em qualquer tempo, sem qualquer medo. O esquecimento forçado e a lembrança calejada também são atemporais.

“Se você estiver ocupado demais para me ligar, eu vou entender. Se você não tiver tempo para me mandar mensagens, eu vou entender. Se você tiver fazendo algo mais importante e não puder me ver, eu vou entender. Se você fingir que não está nem ai pros meus sentimentos e continuar me ignorando, eu vou entender. Se você continuar desperdiçando seu tempo de vida com coisas fúteis, eu vou entender. Mas se eu parar de te procurar, aí é a sua vez de me entender.”

Eu me chamo Antônio

Ontem, ouvi o mundo desabar e você estava nele. Magnífica, imensamente magnífica, feito uma águia que cruza pela primeira vez a primavera dos céus de Paris. Exuberante, imensamente exuberante. E esperançosa. Sim, imensamente esperançosa. Quem ama (ou voa) sempre encontra uma sobra de esperança que cobra nossas atitudes e cobre os nossos medos com lençóis abençoados de coragem.
Eu ainda espero as suas sobras de esperança e coragem.
Somos imbecis, meu amor. Dois belíssimos imbecis vagando por este mundo que desaba, interpretando os sinais vitais e os eteceteras e tais que a vida nos dá: o amor, por exemplo.
Nos escombros, seus ombros feridos ainda me dão aquela esperança. Sim, aquela magnífica e corajosa esperança.
Paris, em ruínas, continua iluminada.

Às vezes, o destino dá um nó(s). É aí que os nossos caminhos se cruzam.

Eu me chamo Antônio

Os que não se entregam totalmente em uma relação por medo do término são os mesmos que odeiam domingo porque amanhã é segunda.

Eu me chamo Antônio

O remorso de não ter tentado talvez seja a dor mais dócil, aquela que te castiga a distância: sem te tocar. Mas dói o tanto quanto. Ou talvez um pouco mais. E fere o tanto quanto. Ou talvez um pouco menos. E não cicatriza. Ou talvez sejamos nós que não sentimos sua costura.

coração vazio: todo cuidado é oco.

Eu me chamo Antônio