Erasmo Shallkytton

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A Didática é a mãe dos modelos de qualquer ciência quando se abrem as pupilas ao novo aprendizado, desfrutando novos recursos capazes de equilibrar e entender suas formas.

Não padece, destarte, dúvida alguma sobre a instrumentalização metodológica na dinâmica da didática pedagógica no ensino à distância. Importante frisar, que a busca do emprego do conhecimento, alavancando informações concretizou esteios em nosso mundo desde que o homem olhou a infinidade da distância marcada entre o céu e a terra.

O mundo acorda e o homem se investe com a nova ferramenta de acesso virtual na Educação à Distância via internet, deslumbrando num ambiente de novas aprendizagens e formações culturais. E por outro lado, dispondo atualmente da educação presencial, semipresencial, tais como: parte presencial, parte virtual ou à distância de qualquer parte do planeta.

Benfeitorias didáticas educacionais que atingem a todos, lançando na comédia o fino retrato da vida, a sua existência terrena e virtual, manifestam-se através do sinônimo, melhor vida, estrutura e bem-estar, definindo num aspecto cultural como aprender e como ensinar num processo contínuo, social e técnico, capazes de elevar os graus de conhecimentos e legitimando o progresso no universo.

O destino final do homem é de tal modo investigativo que já se passaram séculos e séculos e ainda perquire neste caminho sem volta.

O homem dotado de todas os predicados e díspar de qualquer outro animal não professa a paz a que tanto conhece.

UMA ESTRELA QUE BRILHA


Se a rosa viVe no jardim,
É uma florzinha amável,
Afetiva na Vida é assim,
Alegre menina: é afável,
Com riso maleável é tlim,
Saudável nina doce mel,
É deusa do Venus jasmim,
O balé energia formidável,
Suplanta a Vivian sem fim,
E dança na esperança fiel,
Dos sonhos na cor cetim,
É guerreira com um laudel,
Tão bonita cristaliza enfim,
O amor cintilante imutável.

BAILARINA – A ESTRELA QUE VOA

Olhando a valsa no teu corpo ereto e virtual,
Com as pernas rodadas pra fora do quadril,
Os joelhos na posição dos pés, é fenomenal,
Nas direções que pulsam emoções no perfil,
Trás na missão da afabilidade o brilho facial.

Traço marcante no teu olhar de tanta alegria,
Show de alvedrio em vôos é a minha bailarina,
Transmitindo o amor em passos com simetria,
Dançando em cada partícula do ar com regalia,
O canto não para e mexe com a alma cristalina.

Haja tanto honor. É a bailarina a mais zelosa flor,
Também chora, sofre e tem como prêmio o palco,
Na magia dos pés e do corpo ela também tem dor,
Voando sem asas, sorrindo sem balizas quão floco,
Desenhando a liberdade estampada no rosto (amor).

Sobressai do límpido riso a mais bela figura dançante,
Num salto na ponta dos pés transmite a paz e ânimo,
É o coração de ouro num petit jeté de lado, é confiante.
Postura forte, elástica de amor nos tornozelos faz arrimo,
Traduzindo em pirouettes, ela gira, gira, gira é arrasante.

É a mais suntuosa expressão da paz entre todos os humanos,
Enquanto danças, imaginas o mundo sem as bestiais guerras,
Esquece de si no bailado que se eterniza nos braços da terra,
Movimentando com leveza o sopro da vida que nunca encerra,
E levas a charge de Deus com aplausos, e o teu poeta venera.

Com carinho à bela bailarina - VivianViVencci

LYA – UM SORRISO NO OLHAR


É nas coroas dos rios Poti e Parnaíba,
Nos bancos de areias torrente do Piauí,
Com belas praias fluviais temporárias,
São os melhores pontos de hobby e lazer.

Na capital dos Raios vive uma musa,
Que não é a Imperatriz Tereza Cristina,
Uma jovem talentosa e apreciável, Lya,
Arraigada com belezas é una bella muchacha.

Cabelos negros ventilados pelas auras,
Com charme, amor é uma delicadeza,
Traduzindo performance de uma deusa,
Atributo impecável sobressai com leveza.

Teresina uma capital toda planejada,
Por isso o poeta caxiense Coelho Neto,
Então batizou a minha Ciudade Verde,
Onde floresce o romantismo e poetas.

Partilhando da Curva de São Paulo,
Eu vou ao Jockey Club rever a Lya,
Elegante, carinhosa e mui amiga,
Presente que Deus lhe deu - Noélya.

Agradeço-lhe o brilhantismo encantado,
Duma jovem num encontro inesperado,
Surpresa que renasce com o teu sorriso,
É você Lya uma rainha das águas.

Serás sempre aplausível como as águias,
Louvando nos teus lábios és majestade,
Andando nas ruas com real juvenilidade,
Teresinense com arraigados atributos.

(*)L(*)Y(*)A(*), contigo breve vou poetar,
Entre as margens da Frei Sarafim,
Um grande poema eu vou ofertar,
No próximo encontro pra te alegrar.

Do Rio Poty Hotel será toda uma primazia,
Degustando no Restaurante “Le Jardin”,
Os teus suaves encantos de uma princesa,
Com sorriso e muita delicadeza, é poesia.

BRASIL – TRICAMPEÃO MUNDIAL – COPA 1970



DIA 21 DE JUNHO DE 1970


Quarenta anos vão se passando,
E a consagração mundial marcou,
O Brasil no berço do futebol Mundial.

A emoção que cobriu toda a nação,
E o planeta assistiu pela primeira vez,
O Brasil ser o tricampeão mundial.

Dia 21 de junho de 1970, bradou!
O povo brasileiro chorou de alegria,
Trazendo pra casa a Taça Jules Rimet

Foi ali no México onde os pés de ouro,
Fizeram o maior espetáculo da terra,
Na corrente pra frente que o Brasil deu a mão.

E no destaque brilhoso o Rei Pelé,
Marcou o memorável gol de cabeça,
Triunfando no gramado azteca a multidão.

Com um salto heróico e um forte soco no ar,
Pelé consagrou o Brasil no melhor futebol,
E todo o gigante plácido verde e amarelo.

E o escrete de ouro do Brasil continuou,
Com Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto – Capitão.
Enfileirando quatro gols na Itália.

Foi ali no México onde os pés de ouro,
Fizeram o maior espetáculo da terra,
Na corrente pra frente que o Brasil deu a mão.


Placar da final da Copa de 1970
Brasil 4×1 Itália


Gols: Pelé, aos 18, aos 37 minutos do primeiro tempo; Gérson, aos 20, Jairzinho, aos 27, e Carlos Alberto, aos 42 minutos do segundo tempo.

Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. Técnico: Zagallo

Hino: Pra frente Brasil

Composição: Miguel Gustavo

"Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção!

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção

Tudo é um só coração!
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção!

NEGUINHA DA ILHA DO AMOR


Naquela tarde com o raio de sol no mar,
Quebrando todas as ondas do meu sorriso,
Decompondo as tristezas do meu paladar,
Na Ponta da Areia de frente ao Atlântico,
Ela vem contrabalançando no som reggae,
Da radiola caravela que brada e soa no ar,
Lá vem ela saracoteando o quadril pra cá,
Minha Neguinha de olhos mágicos a brilhar,
Dividindo as formosuras que me rodeiam.

É no meu caribe transatlântico que vagueia,
No raio azulado verde vão as minhas pupilas,
Donde o sol nasce dentro do meu continente,
Com mil encantos naturais dos olhos da gata,
Ata em brilhos de fogos que assim se desdobra,
Na razão primitiva de ser uma luxuosa mulher,
É ela que chega rebolando na Ponta da Areia,
A minha Neguinha africana da Ilha de São Luís,
Do Maranhão é ação que me faz e me ponteia.

Ela viaja o mundo dos meus sonhos em poesia,
Donde o sol nasce dentro do meu continente,
Mitigando transcendência que enfeitiça o tempo,
Ela vem como as palmeiras do meu ouro verde,
E flutua no rio perene Itapecuru da Ilha do caju,
Minha Neguinha da Ilha do Amor é mais esplendor,
Rebola, remexe e se sacode na via da Litorânea,
Na Ponta da Areia na cabeceira do meu Atlântico,
É a minha Neguinha africana da Ilha de São Luís.

No calorismo que abafa a avenida dos olhos,
Lubrifica e trafega na alma o meu reggae roots,
De todo o litoral afro norte do meu terno Brasil,
Luzindo o conjunto de minhas ilhas oceânicas,
Lá vem ela pisando macio nas areias da praia,
Sorrindo na Ponta da Areia do bumba meu boi,
Altera a cor da mãe lua no sotaque da matraca,
Faz a terra vibrar da minha Jamaica Brasileira,
Dançando agarradinho faz a camisa tremer.

Do coração que não para da América do Sul,
Do azul do céu da água pura azul verde mar,
É aqui o apogeu todo espiritual do reggae,
Da minha majestosa Neguinha da Ilha do Amor,
Das dunas que encobrem o céu dos azulejos,
Dance, vem rebolando por todo o meu litoral,
Com intrincas verdes, vermelhas e negras,
Colorindo o fim da tarde entre o sol e o mar,
Nesse temporal e visual vai me enlouquecer.

Em versos únicos obra que sei bem fazer,
É a Neguinha do meu Maranhão uma flor,
Tocando as areias com os pés macios é clamor,
Saia colorida da minha, tua única Jamaica,
Do Forte de Santo Antônio vou sempre te olhar,
Manuel Beckman é ordem e o herói do povo,
Revolucionou do Maranhão até em Lisboa,
Esse foi o cara que fez do seu povo o coração,
Neguinha africana de São Luís do Maranhão.

Desfila com sua negreja bela de uma rainha,
Padre Vieira sorrir com o teu manto de cor,
Viajando nas delicias dos sermões do vento,
Cortando a seiva da inverdade portuguesa,
Falava tão alto que se ouvia em toda a Europa,
Pena reluzente do nosso torrão Jamaicano,
Peixe da água doce e salgada com reflexão,
Padre Vieira chamava de ar em movimento,
Timbre que nomeou as ações do coração.

Minha! Minha Neguinha da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
É reggae que viaja no dia e entra no anoitecer,
Furacão de som nas ondas caribenhas do amor,
Sacudindo e estremecendo as paredes do sol,
E a lua enamorada diz que aqui é a Jamaica,
Onde o céu todo azul se encontra com o mar,
Da Ponta da Areia é reggae roots do Atlântico Sul.

Vislumbra a Ilha num toque de uma boa batida,
Atiça todo o horizonte com as melhores pedras,
É território de mar aberto pra quem quer navegar,
Minha! Minha Neguinha beleza da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
É aqui o azul do céu da água pura azul verde mar,
Vem Neguinha, dance que eu vou sempre te amar,
No balançar do teu corpo é reggae sem parar,
Maranhão guerreiro das tribos e tantos encantos.

Minha! Minha Neguinha da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
Deixe as ondas nas alturas e tudo vai reinar,
É o Reviver patrimônio dos teus olhinhos,
Bailando do Calhau aos meus e teus brincos,
Bob Marley rir o tempo todo dos requebrados,
Dos quadris maneiro tão leve como as espumas,
Beijando as areias da praia sem se incomodar.

Na Ponta da Areia de frente ao Atlântico,
Ela vem contrabalançando no som reggae,
Da radiola caravela que brada e soa no ar,
Lá vem ela saracoteando o quadril pra cá,
Minha Neguinha de olhos mágicos a brilhar,
No balançar do teu corpo é reggae sem parar,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
Deixe as ondas nas alturas e tudo vai reinar,
Beijando as areias da praia sem se incomodar.

RONDÓ DE UM BEIJO SÓ


Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Foi um prazer no sertão,
Quando por lá anoiteceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Hum... Ainda sinto o prazer,
Que não desapareceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Com a luz do sol brilhando,
Nas palmeira` é um apogeu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Enfeitou mais o cocal,
E desse amor floresceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Estremeceu! Minha deusa,
Nada, nada se perdeu,
Hum... Ainda sinto o prazer,
Hum... Ainda sinto o teu afeto,
Que não desapareceu.

OITAVAS DUM ETERNO AMOR


Quando as horas se abrangem com a passagem das nuvens,
Eu vejo que os frutos não se desfizeram no cordão da vida,
E não me amordaçam as afeições que arcam sem miragens,
Da realidade abrolhada aos teus pés nada domará a partida,
Nem mesmo os bafos e chuvas aliviarão as minhas origens,
Entre o amor da união que se abarca entre nós com guarida,
Serão sempre os portões de todas as nossas briosas viagens,
E quando as horas cingirem o teu peito és a minha acolhida.

TRAVESSIA PARA O AMOR


Quando o inverno se perdeu nas paredes do teu sorriso,
Eu gritei o teu nome entre cinco mil jardas no horizonte,
E deplorei a lamentação que não voltou no meu paraíso,
Seguindo os confins de olhar a tua alma na minha fonte,
Carreado na velocidade da minha imaginação sem aviso,
Numa dobrada de meditações que sugestiona um monte,
E vou te procurar nas estrelas desse manto azul todo liso,
Nem que seja preciso erguer entre nós uma grande ponte,
Uma e somente uma travessia de amor, será bem preciso.
Mesmo assim, eu levarei flores do meu sertão com emoção,
De poder entregar nesta sedução que faz uma única paixão.

Arquejando a flor do teu coração


Se a delícia é sentir as tuas carícias,
Derramando sobre o meu corpo,
Apertando nos elos da tua vida
Eu sou o teu único navegador,
Arquejando a flor do teu coração,
Da emoção que pula na atração.

Se as palavras voam e se perdem,
Pelo menos as minhas tiveram sorte,
Com suporte e sem corte, cruzaram,
O rumo dos teus beijos no norte,
Entre a luz infinita do longo destino,
Arqueja nos lábios tão ofegantes.

Eu provei com a flecha lançada no ar,
O rumo certo e reto do teu coração,
Com animação e amor fizera ebulição,
Descortinada numa flor toda amarela,
Será sempre amor com sublimação,
Acobertando abraços numa aquarela.

CLÉSIO COELHO CUNHA – CANTO REAL DUM JUIZ


Um certo dia, um raio cruzou a “Cidade Esperança,”
Levando uma tarja d’ouro quão reluzente!
Nascia o menino n’Alto Turi sem tardança,
Da pátria de Zé Doca se fez diligente,
Levantou balizas n’ alegria familiar,
Confiou as lições com a mãe sem abreviar,
Erigiu-se n’alma dum homem corajoso,
Abriu os doces sonhos com arco ditoso,
Do Maranhão improvisou a sua nobre canção,
Altivo Juiz que o povo quer: é talentoso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

Foi na cidade de Zé Doca com bonança,
Onde Vicente e Isabel erguera’ o Progresso,
Labutas com ardor fizeram a mudança,
N’anfiteatro da Grécia foi um grande sucesso,
Da pecuária e educação saiu o homenageado,
De Promotor ao cargo de Juiz é confiado,
No baluarte da magistratura ’o Poder,
É reto nas decisões e faz ’contecer,
No judiciário maranhense em cada ação,
É ele: Fruto imparcial dos deuses comprazer,
Um julgador cordial e tem bom coração.

Tão radiante tem a luz do sol na confiança,
E por ser um árbitro virtuoso e excelente,
Leva no cerne a modéstia numa balança,
Duma nascente majestosa é competente,
Por onde passa com humildade faz brilhar,
Com carisma detém a força de ajudar,
Nem os ventos incautos chateiam: é atencioso,
Brioso nos costumes o que faz ser honroso,
E o chão Gonçalvino abraça com adoração,
A nobreza deste herói muito valioso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

E nesta aptidão de senso crítico é aliança,
Compassivo na cátedra é benevolente,
Agita-se em favor do fraco com mestrança,
Ato humanístico que realça decente,
Num lampejar merecido para ofuscar,
E são sementes de afeto sem demonstrar,
Porém, todo mundo sabe quem é ele: airoso,
Alteia com riso democrático e rendoso,
Fala com todos e abre as portas com distinção,
Democrático por natureza é lustroso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

E analisa contemplando o mund’em mudanças,
Das alçadas que leva a vida nesse expoente,
O Juiz Clésio Cunha atua com perseverança,
E na trilha do trimilênio é promovente,
Erguendo no ritmo diário faz laborar,
Com afeição os anseios dos humildes n’olhar,
É uma missão d’alma que enobrece e custoso,
Na margem jovial será sempre caloroso,
Induz na mais quieta e imutável atenção,
Produzindo ato de pura jurisdição,
Um julgador cordial e tem bom coração.


Ofertório

Faz jus a oblação do canto real primoroso,
Por ser um grande magistrado conceituoso,
Adição qu’enobrece nesta posição,
És tu Clésio! Operante da justiça atuoso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

ANTONIO GONÇALVES DIAS


10 de agosto de 1823
10 de agosto de 2011


Naquele dia nasceu a altanaria esquecida de Caxias
No mais completo dia 10 de agosto de 1823
Não marca na cidade da Princesa do Sertão - (10/08/2011)
Nem um coração que lhe dê um aperto de mão.
No albor do filho garrido que Deus tenha compaixão!





Torrão dos celeiros dos potes d`ouro
Soçobrada em gota de prantos caídos.
Eram homens bravios lusos quã`um touro
Defendiam as portas de Caxias – fidos
das portas d`algodão não eram mouros.
Eram os guardiões da Coroa bem cridos.

A vila contra o berro do Ipiranga
Fazem o bastião `os filhos de Lisboa
Das mil jóias por armas – negros das gangas
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Bem ali... Bradava o sangue nas ruas
Torrão dos celeiros dos potes d`ouro
E as meninas Guanarés quase nuas
Na terra que foram suas – um tesouro.
E veio o vento - homem da Ordem de Avis.
Bastante armado até os dentes - Fidié.

João Manuel gritou versus Ipiranga
Munições nas janelas e palmeiras
Fidié com certeza chorou pitangas
Os Canelas finas ouviam asneiras
E a tropa brasileira com mangas.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

João olhava a pança da dona Vicência
Era nona hora triste de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência
Sair pelo mundo sem poder sorrir
Co`as colheres de ouro no caxixi.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

A tal Rua do Cisco, ali chovi`em choros
Nega Vicência em total amargura:
-João! Não vá à luta. Não parta `em doçura
-Não Vedes a luz da única alegria?
João olhava a pança da dona Vicência
Era nona hora triste de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Tão Infeliz com a perfídia arrancada
Extraída do leal peito lusitano
Era uma hora da soberba aurora
Os céus com a lua se se entusiasmaram.
Abriram trilhas nas matas d`estrada
E dali vencia o comboio infiel lisboano
Nem mesmo as corujas avistavam.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Fidié aquartelado nada falava
Dom Pedro Primeiro de lá sorria
E o menino rei do Brasil orava.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Ó Feliz Sambaíba dos passos meus
Foram marcados pelos passos teus
Meu Ouro Verde das palmeiras galantes
Desígnio do miúdo filho de Deus.
Ouviram os Guanarés nos mofumbos:
-Viva Tupã! Bem ali... Um brio nasceu.
Nas brenhas das palmeiras do Jatobá
Pobrezinha choupana - palhas minhas.

Na cancha da Boa Vista, João disse:
-Não lutei por minha Pátria. Ó Lisboa!
-Dei-te a vergonha ao teu pé sozinho!
-Hei-te abraçar até a Sé de Lisboa!
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

João olhava a pança da dona Vicência
Eram as últimas horas tristes de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência
Chorava nas palmáceas de um sabiá
O grito festivo com dor, João disse:
-Chamo-te de Antonio Gonçalves Dias,
O único e correto filho de Caxias.

ETHIOPIA - Moço! Você viu este homem? É meu pai.



Naquela hora, os passos intensos abriram cordilheiras de dificuldades por onde passava o menino Raffem, que não cessava as pálpebras na sina desconhecida e arrepiante. Já distante do lar, Raffem de apenas sete anos de idade, trajava uma camisa de malha azul com listras diagonais nas cores vermelha e amarela e um short de tons sortidos. A epiderme escura da face transmitia o cansaço alterado pelas variações térmicas daquela localidade onde as pessoas apressadas carregavam seus pertences em animais fugindo das mais severas agressões humanas – A guerra.

Era o dia 02 de fevereiro de 1999, o conflito entre a Etiópia e Eritréia se arrastava num recipiente de selvageria e descontentamentos nos raios das fronteiras de Badme, eclodindo entre os lugarejos e cidades Etíopes. Vandalismos, assaltos, estupros, invasões e assassinatos eram as marcas comuns demarcados pela triste onda de violência nos dois países mais pobres do planeta. Acusações desenfreadas e uma população mais miserável ainda, não suportavam as dores que se alastravam pelas ruas e vielas poeirentas entre as choupanas redondas. Nem mesmo as tropas do exército etíope não contiveram o fluxo da invasão por diversas áreas tribais e agrícolas do Chifre da África entre tantas montanhas, vales e planaltos na extensa diversidade da exuberante vegetação e climática.

Sem nada entender, Raffem segurava firme nas mãos uma fotografia num saco plástico, e observando os horrores nas portas marcadas por sangue e tiros, ultrapassava nas janelas do tempo o mais sombrio retrato da falência da existência. Ao encontrar uma mulher vestida numa roupa tradicional com saia longa e um véu lilás, o pequeno Raffem indaga:

-Ei! Por favor! O que tá acontecendo por aqui? Porque todos estão indos embora?

A mulher desceu o saco de roupas das costas, abaixou-se, e disse:

-É guerra meu filho. Vá pro Sul o quanto antes. Peça ajuda.

Naquele momento, o guri abriu o saco plástico com cautelas e mostrou, indagando:

-A senhora viu o meu pai? É este homem aqui da foto. Eu tô procurando por ele e não vejo ninguém pra me dá notícias.

-Não vê garoto que ando apressada. Não. Não o vi. Com esse corre-corre nem sei para onde vou. Está tudo acabado por aqui. Vá logo meu filho pedir ajuda, você é pequeno demais.

Sem dar importância, a senhora saiu acelerada pela viela despovoada com a trouxa nas costas. Em seguida, um barulho repentino de uma camioneta rasgava em alta velocidade o vilarejo com vários milicianos na carroceria e um céu de poeira infernal ficava para trás. Ao presenciar o veículo o garoto se escondeu nos escombros de uma choupana queimada, ouvindo uma grossa rajada de tiros. Após uma presencial calmaria, o guri abre uma fresta no esconderijo e nota a mulher caída a mais de cem metros. Apressa-se, e ouve a mulher dizer as suas últimas palavras.

-Você é tão pequeno... Vá logo pro Sul, meu filho! Vá log... Suplicou a mulher.

-Senhora! Não feche os olhos, ouça-me! Não morra, por favor!

Uma lagoa vermelha descia aos pés do meninote, e as lamúrias venciam a meiga face negra da criança que se despedia das manobras da vida. E dali, partiu o menino com as mãos conspurcadas de sangue segurando o único portal da experiência numa fotografia.

Em Adis Abeba, o tumulto ocasionado pela invasão do território abalava cada habitante, e as forças militares etíopes nas ruas e esquinas reforçavam a segurança. Tiros acirravam o céu em várias direções, e a noite se conectava no absurdo dos homens na miragem das armas da fome.

Percorrendo a pé muitos lugarejos, Raffem se desespera com o entardecer longe de casa ao ouvir bombas abrindo clarões nos horizontes. Sozinho, agoniza-se com a fome e a sede que bate na garganta e no abdômen. Cansado e com os pés feridos, descansa o guri ao lado do caule de uma grande árvore, adormecendo sem entender o verdadeiro sentido das consequências em que o homem é detentor.

A madrugada advinda dos penhascos e vales assoprava naquele hostil planalto, a ansiedade vestida num tom cinzento da mente humana hipnotizado pelo conteúdo das bárbaras ações, reproduzia um filme arrasador na vivência daquele magro maroto de pernas finas. A mão direita levada ao peito afirmava a segurança da proteção do pai através de uma foto que cobria o minúsculo corpanzil assolado pelas torrentes de calor. E o dia nasce impetuoso, arrogante e leve na mesma proporção da esperança carregando enormes feixes de luzes na acelerada hora que não domina os ímpios homens.

O miúdo abre os olhos e se aterroriza com o panorama desigual do seu lar, soluça e grita:

-Pai! Onde está você! Pai! Não me deixe aqui. Eu preciso...

Não termina de pronunciar as últimas palavras da oração quando ouve um ronco de um caminhão atravessando o deserto em disparada, e as horas já avançavam na tarde. Raffem pisa forte entre os arbustos e atravessa a velha estrada que leva ao Quênia, e ali no meio, permanece hirto com a fotografia do pai segura na mão. O infante olhava o veículo numa distância de aproximadamente um quilômetro com as cortinas amareladas subindo aos céus numa cauda quilométrica de poeira que ficava para trás como se fosse um cometa. Entusiasmado, o coração sacudia com mais veemência ao encontro que pudesse levar ao sul daquela fronteira distante de sangue.

Um caminhão de carga com a inscrição assinalada pelas laterais – UNICEF – sigla de Fundo das Nações Unidas para a Infância - órgão da ONU levava suprimentos ao país vizinho do Quênia. O motorista de nacionalidade americana, cor branca, forte, cabelos loiros penteados e óculos escuros, ao perceber o garoto acenando uma carona, estacionou imediatamente o veículo, desceu e indagou:

-Olá guri! Você não tem medo de morrer com o baque dessa carreta?

Falando no seu dialeto, Raffem indagou?

-Moço! Você viu este homem?

O americano observando a fotografia amassada, disse:

-Não. Eu nunca vi. O que ele representa pra você?

-É meu pai, moço! Me ajude a encontrar ele.

-E o que aconteceu com ele? É fugitivo da guerra?

-Não. Meu pai é agricultor e trabalha nos cafezais comigo. Eu não tenho mãe. Sabe moço... Quando acordei hoje, não encontrei o meu pai em casa. E todos do meu vilarejo fugiram e outros morreram. Faça alguma coisa por mim. Sei que o senhor trabalha com muita gente e ajuda as crianças da África. Dá pra me ajudar, não vai lhe custar nada.

-Garoto! Eu não posso fazer isso. Tenho ordens pra seguir viagem ao sul. Se você puder esperar a Cruz Vermelha, ela vem logo atrás.

Insistiu Raffem, esfregando os olhos com a mão esquerda, e disse:

-Me leve pra qualquer lugar moço. Eu só quero é encontrar o meu pai. O senhor não tá falando a verdade. A Cruz Vermelha não cruza mais as estradas depois das seis horas da tarde.

-Não insista garoto travesso. Já disse que não posso levar passageiros. Você quer um sanduíche e um refrigerante geladinho?

O menino recebeu, olhou e nada disse. E o caminhão truck da UNICEF acionou o motor e partiu. Ainda com um pedaço de força, Raffem lançou fora o sanduíche e o refrigerante, agarrando-se no para-choque traseiro sem largar a fotografia do pai. Já com quatro horas de viagem, Raffem não tremia de medo, e sua pele negra havia se transformado na coloração amarela da poeira do deserto. E nas areias cortando o vento, o veículo fez uma manobra inusitada entre os buracos e cascalhos espalhados do estradão carrancudo. E naquele instante, Raffem caiu adormecendo no calor intenso.

Com o braço quebrado e a perna direita machucada, ainda sangrando, risca dos céus azuis mantos negros em disparadas, realizando acrobacias invejáveis ao olho humano. Eram abutres em busca do minguado corpo lançado naquele descampado meio. Pulando de um lado para o outro na alegria e próximo ao corpo, Raffem abre as pupilas e mexe com o braço, oportunidade em que voam. Já acordado, levanta-se com dificuldades através de um galho seco e se defende dos sanguinários. Já bastante desnutrido, o garoto etíope ainda consegue pegar alguns gafanhotos gigantes com o gancho seco e com leve batida na extremidade da cabeça, assim, sacia a fome miserável.

E as horas despontam na tarde longa do desespero. De imediato, a criança cobre os ferimentos com folhas verdes, evitando as moscas, retirando do corpo a camisa sórdida que serve de tiras para proteger o corte, e a dor que não para na perna esquerda.

Não demora as luzes da Toyota branca riscava o lado da estimativa, e Raffem perpetrava como uma estátua no meio da estrada, seduzido na perspectiva de encontrar abrigo e o pai desaparecido. Seguro com um pau seco, dali não se afastava o menino. A Toyota realizou uma frenagem rápida pela direita, e ali permaneceu o garoto aguardando providências. Diminuindo a marcha, observou Raffem uma carga enorme na carroceria coberta com uma lona. Uma voz masculina sobressaía num tom forte, dizendo:

-Venha! Venha! Suba por aqui amigo. Venha! Venha logo! Ei! Não pare! Segure na minha mão.

Um rosto também miúdo de igual idade abriu a lona da carroceria pelo outro lado, e lançava insistentes acenos e gritos:

-Por favor! Venha amigo, aqui tem um lugar pra você.

Raffem se locomovia na direção do braço estendido à frente, debilitado com a perna, segurava o garrancho da esperança e a outra acenando com a fotografia do pai na derradeira tentativa de alcançar a mão. As lágrimas se repartiam na face amarelada de uma jornada sem trégua descendo o rosto. A voz agitada reclamava:

-Não! Espere motorista! Leve o amigo que tá doente.

A outra voz de menor potencial rebatia com as mãos na Toyota em protesto.

E o minguado etíope caía no chão com o arranque do veículo, apenas um vendaval lhe cobria de poeira no conforto infeliz que uma vida possa receber. As duas crianças negras na carroceria da Toyota suspendiam os braços em prantos. Um rápido raio vindo da luz solar, engoliu o coração do menino. Este era o verdadeiro filho de Alá que tombou e se elevou na grandeza do pai.

Entre todos os contornos, os propalados pensamentos humanos, não serão a pobreza, a raça como o desmantelo das classes sociais, e tão pouco o condicionamento direcionado das populações diversificadas no meio social, político e religioso. O homem não mede esforços para sinalizar um caminho para a paz. Contudo, encontra largas aberturas para semear as diversas pretensões na rivalidade descomunal ao semelhante, gerando a guerra. E se inclui na ausência do pleno conhecimento de sua existência entre verdades e aleivosias.


Conto escrito em 14 de fevereiro de 2000

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