Edmilson Lourenço
Promessa mantida
Me deu essa louca vontade de escrever
Sempre amei escrever sobre você
Você sabe, mas, hoje confesso
Está sendo um pouco difícil
Se sou louco? Sou um pouco
Mas precisava escrever isso que sinto
Do que você ri?
Você está achando que eu quebrei minha promessa,
De nunca escrever com tinta vermelha?
Não, não quebrei...
As azuis secaram
Não estou usando caneta...
E isso... Isso também não
Fim
Todos foram embora
Tentei segurá-los, mas...
A culpa é minha?
Haha, que engraçado
Você apresenta o mesmo "espetáculo"
E a culpa é minha, te avisei que não funcionaira mais
Você não me ouve nunca né, agora tem que ouvir!
Você está totalmente ultrapassado, esse seu ego
Te cega, te encerra, os únicos que dizem gostar
Mentem pra você, são aduladores, mentirosos
Hoje mesmo quando vinhamos, você apressou o passo
Veio a frente, fiquei mais atrás, logo que você passou
O murmuro começou, não falei nada, meus olhos falaram por mim
Culpa minha? Quisera eu ter mil pares de mãos para te aplaudir
Eu sei que você teve, mas você se esquece
Que eram também quinhentas bocas para murmurar
Ficas aí, agora sozinho nesse palco velho,
Essa cortina desbotada, suja, você nem percebia
Olhava apenas para o holofote, e ele te cegava
Não mais que a tua vaidade ilimitada
Que limita o teu mundo, não há banho que deixe limpo
Continuas sujo, velho, empoeirado
Achavas que estavam de pé porque queriam...
Todas as cadeiras estão quebradas
O dono do corpo que segura a mão que te aplaudiu
É dono da boca que implorava o fim de teus dias
O que eu fazia? Eu rezava, implorava a todos os santos
Que te libertassem de tua agonia
Um certo dia um falou comigo
Disse: Esquece oração por quem ja está morto não tem serventia
Chorei, clamei ao próprio Deus que ressuscitasse tua alma
Fiz uma promessa para salvar-te
Dar minha vida pela tua...
Ele não aceitou, disse que também já estava morto
Por não ter vivído no mundo grandioso e lindo
Em minha loucura vaguei em círculos sempre atrás de você
Um cego guiando um perdido
Só
Quer entrar?
Fique a vontade, mas não espere o belo
Aqui minhas viscéras estão expostas
Se não tem estômago forte, volte
Você verá nuances de vida
E irá encarar a morte
Pouco perfume, mas muito odor
Flores não há, apenas algumas pétalas murchas
Com talos espinhudos, afiados
O sol ta encoberto, céu chuvoso
Chuva, trovão, relâmpagos
Se não tem coragem volte
Isso sem falar de minha face
Feia, fria, vazia
É isso que eu sou
Falo com vocês de costas
Lhes dou a oportunidade
De partir ainda da tempo
Fujam, vão embora
Depois que cruzarem a linha
Não tem mais volta!
Depois que vocês olharem minha face
Terão que viver, sobreviver
Em minhas entranhas
Vou olhar de relance
Ainda há tempo
Antes que minha vista
Alcance..
Todos foram? Ainda bem
Depois que perdi você
Não quero mais ninguém!
Delírios
Meus delírios, meus surtos,
Me assusto, insisto, a todo custo
Amar é necessidade dos justos
Essa sujeira em mim
A mim pertence, ela é sua
Pois te pertenço
A diferença
Quem faz a diferença
Não é religião
Partido político
Classe ou raça
Quem faz a diferença
São sempre
As pessoas
Diferentes
Seja quem você é
Assuma-se!!!
Cravei em meu peito
A faca do orgulho
Para que o aço frio
Congele esse sentimento quente
Que me machuca mais
Qualquer lâmina agressiva
Jogo do amor
Joguei o seu jogo um bom tempo...você deu carrinho, fez, falta, perdeu penaltis, chutou muita bola fora...você era, juiz, treinador, craque do time...mas ai eu sai de campo e comecei a olhar da arquibancada...você não tem idéia como vi com outros olhos, hoje você não tem vaga nesse time, não, não arrumei um substituto pra você, mas nem quero ser como você foi, mas tenho a grande certeza de minha vida, depois que te dei cartão vermelho, te expulsei do meu jogo...ah, esse melhorou muito, tinham tantos reservas bons de bola esperando uma oportunidade, você não tem idéia, e mais, sabe aqueles intervalos por que você cansava, nem acontecem, o jogo está muito mais dinâmico, a torcida voltou a encher o meu estádio, com muita alegria, amor e fé. E com tudo isso junto, olha, com certeza tô ganhando de goleada!
Para quem sente
Eu quero...
Morder teu cheiro
Cheirar teu calor
Beber sua sede
Saciar o teu frio
Preencher seu cheio
Secar seu vazio
Pentear tua pele
Queimar o teu sol
Encerrar o teu céu
Adoçar o teu mel
Amargar o teu fel
Te lamber com meus olhos
Te morder com minhas mãos
Quero matar tua alma
Mas deixar teu corpo vivo
Para que você sinta
O que não tem sentido
Perdeu...
O que você acha que perdi
Não é nada em relação
A o que você deixou
De ganhar
Definido?
Já li muito sobre o amor
Você sabe sou compulsivo
Por leitura, e a grande maioria deles
Poetas, diferencia o modo como se ama
Uns preferem a noite, outros o dia
O sol, a lua, uma cor predileta
Talvez eles estejam certo
Afinal, você sempre me definiu
Como louco
Eu não diferenciava nada,
Dia, noite, sol, chuva
Imagine... Tudo era igual
Qualquer dor
Tudo tornava-se igual
Por ter teu amor...
Não me preocupo
Aplauso aos poetas
Toda as glórias a eles
Prefiro meu amor, sei que não é
Uma amor louco
Afinal, para defini-lo
Louco é pouco
Nem tentem
Não me importa
Quantas flechas
Cortem meu céu...
Eu nunca vou
Deixar de voar
Me deu essa louca vontade de escrever,
Sempre amei escrever sobre você,
Você sabe, mas hoje confesso,
Está sendo um pouco difícil
Se sou louco? Sou um pouco.
Mas precisava escrever isso que sinto,
Do que você ri?
Você está achando que eu quebrei minha promessa,
De nunca escrever com tinta vermelha?
Não, não quebrei...
As azuis secaram,
Não estou usando caneta...
E isso... Isso também não é tinta,
Te amo
"Brinquedos"
Sabe aquele dia? Que você falou que eu era um lego?
Eu perguntei: Por quê? E você começou a me explicar...
Bem, não lembro de suas explicações, mas hoje eu tenho uma,
É, na hora fiquei triste, sem entender direito,
Mas pensando bem, encaixa-se em nossa história
Foi verdade, você me fez seu brinquedo,
Usou e abusou, me jogava pra lá, pra cá...
Falando a verdade, você me desmontou todo,
E foi várias vezes que você fez isso, haha,
Engraçado...
Você me deixou completamente fragmentado
Ainda bem, que sempre me encaixava de novo
Peça por peça, é verdade algumas tem umas marcas
Arranhões das vezes que você não brincou apenas
Dono de mim, como se sentia, me jogava no chão
Pisava... Absurdo né? Quero dizer, agora acho isso
Por ter feito isso, tem algumas marcas
Mas não se culpa, nem se preocupa, já tô bem
Quero te dizer de verdade, que me montei de novo
Mas agora sozinho, e longe de você, você nem acredita né?
Normal, até eu, demorei para acreditar,
Mas consegui, juntei todos os pedaços
Limpei as partes que você sujou, machucou
E estou aqui inteiraço.
Bom, agora vou falar de você
Quando vi você, olha, confesso, me encantei
Você nessa embalagem enorme!!!
Com cartões, dedicatórias, laços de fitas
Uma caixa grande, pesada, me esforcei viu
Foi duro carregar teu peso
E o trabalho que tive, para abrir a embalagem
Fiquei bobo, com pena de rasgar o papel de presente
Então te deixei num lugar alto, difícil de alcançar
Foram anos, as vezes até jurava que iria abrir, nem que tivesse que rasgar toda embalagem
Ledo engano, quando olhava o papel reluzente, desisitia
Nessa fantasia foram anos e anos
Comecei a perceber que o tempo passou,
e você deveria sair dessa embalagem,
Percebi na verdade, que estava esperando você, tomar essa atitude
Olha desisti, mas para isso
Vou te contar um segredo, o que me deu forças para desistir de esperar.
Um dia eu peguei, e abri sua embalagem, não abri muito não, não precisou
Até hoje, você não sabia que eu tinha conseguido, eu vi teu segredo...
Meu Deus, fiquei muito assustado!!!
Não precisa me pedir, não falei, nem vou falar para ninguém o seu segredo
Espera, me deixa continuar! Se você não deixar, conto para todos.
Haha... Tô brincando, relaxa.
Me assustei muito, tá bom, não me olha com essa cara.
Eu confesso, chorei muito
Fiquei com ódio de mim mesmo
Como eu pude, ser pisado, desmontado, suportar tanta coisa...
Por uma caixa vazia.
"Sem permissão"
Vou derrubar a porta do seu quarto,
Te imobilizar com um abraço,
Com minha boca te amordaço,
Não preciso de permissão,
Invado teu espaço,
Teus pêlos ouriçados,
São o sim para o que faço.
"Invisíveis"
Minhas feridas, as deixarei abertas,
Não as fiz,
Apareceram,
Por eu ter entrado,
Em uma fantasia,
Ninguém as ver,
Mas a dor, está aqui.
"Escrevo"
Quando olho para você,
o seu vazio, vale mais que mil palavras,
me desafia, você imponente,
assusta tanta gente,
com seu diâmetro, aparentemente pequeno,
porém soberana, por intimidar as pessoas
suas faces limpas, geralmente brancas,
me obrigam a por pra fora,
todo resquício de covardia...
Então escrevo.
"Desista"
Pensei bem! E acho que não vale a pena...
Continuar com essas brigas, cansa, só em pensar.
Tentar? Eu sei, você promete tudo agora, passa um mês, talvez dois, depois começa tudo de novo.
Precisamos mesmo ter esta conversa?
O quê? Eu estou diferente? Se tenho alguém?
Não vejo em que isso muda, mas, vou te responder.
Não, não tenho.
Estou olhando diferente para você?
Eu te entendo, mas, não vou mais aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas apenas porque você quer ir.
Nesse ponto concordo com você, sempre fui mais agressivo com palavras, mas não te agredia, falava do que você fazia de errado,
mas parei, até você percebeu.
Você quer falar? Pode falar.
Não estou debochando de você.
Estou ouvindo.
Vou até repetir o que você disser.
"Quando você olha para mim,
você só ver o que não presta".
Ao menos quando você me olha,
ainda consegue ver alguma coisa.
"Olhar diferente"
Se eu trai você?
Acho melhor mudarmos de assunto.
Porque não tenho certeza.
Como não posso?
Nós vemos as coisas de modos diferentes.
Olha para minha mão.
O que você ver?
Cinco dedos.
E o que mais?
Cinco unhas...
Mostra tua mão.
O que vejo?
Me vejo.
"Ilimitados"
Nós loucos
somos obrigados á força,
a usar essa camisa de amarras,
que nos prende,
mas não nos impede
de nossa maior liberdade.
"Sem pressa"
Não vejo a hora de cair em teus braços,
estou pronto para isso.
Não entendo porque todos tem tanto medo de você,
um ou outro louco como eu, tem essa coragem.
Não aceito isso.
Ninguém te conhece.
Todos imaginam, criam histórias
a seu respeito.
A última que ouvi,
fala, que se escrevendo,
a pessoa repetir três vezes uma palavra,
demora para te encontrar.
Minha morte.
"Ilusão"
A carne que um dia preferi,
hoje não tem gosto de nada,
a música que me encantava
não passa de algo sem sentido
berrado por qualquer um,
estava mergulhado em um mar de vaidades
situado na terra das ironias,
onde tudo é velho,
um regresso disfarçado de futuro,
onde a escuridão impera
seres são feras,
tudo apodrece, fede,
somos estuprados por ideologias
de covardes, engravidamos
e ficamos parindo o fim,
como se fosse o começo.
"Regras"
Estou farto de mim.
Toda essa falácia usada por inúteis,
me mandam crescer,
para chegar não se sabe onde,
obedecer regras fúteis,
feitas por gênios sem cérebro
ensinando a viver esta morte.
Racional é um ser louco
dominado pela covardia.
"Amor"
Racional é um ser louco
dominado pela covardia.
"Intenso"
Sempre continuarei sendo incontido,
sou emoção em todos os sentidos,
uma brisa em seu norte
é uma tempestade no meu atlântico,
seguirei sempre lutando, pecando, errando,
eternamente buscando o novo,
o desconhecido
quebrei minha bússola,
não serei guiado por um metal frio
prefiro meu sangue quente, efervescente,
para mim é estar vivo,
não vim passar por esse plano,
vim senti-lo,
correr os riscos,
provar dos vícios,
fazer feitiços,
sangrar, doer, dar, receber,
amar,sem isso.
Antes morrer.
