Demétrio Sena - Magé-RJ.

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O sonho é legítimo... Mas o sono pesado de nossa indignação atrai o caos. Precisamos acordar para o fato de que as mudanças sociais começam dentro de nós.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

A chuva que agora lava o zinco encardido sobre meu casebre, põe estes olhos cansados e suplicantes na linha do infinito. Ela tamborila e resvala no telhado, numa espécie de ritual silencioso que envolve a brisa e me torna estátua momentânea.
Esses raios que riscam a distância e vão pousar nas montanhas que não vejo, hipnotizam minh´alma. São lampejos que acendem cá no íntimo, algum mundo secreto sonhado por meu ser. Um cenário que acompanha minha inconsciência desde a idade que foge ao poder investigativo que penso ter.
Extático, vejo da varanda esse vitral. É um show do cosmo, nessa temporada fiel; compromisso anual da estação. Momento em que céu e chão se grudam; se amam. Sequer atentam prá insignificância de minha presença; plateia solitária.
O que eles não sabem é que nada quero além disto. Nada mais que o silêncio deste show e o bocejo que me flagra numa entrega solene... solene e livre... Um desejo de ficar para sempre nesta moldura... figurar na magia deste quadro.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Se você cobra
por tantos sapos,
pelos seus micos
e vira bicho,
eu fico inseto
sobre o que faço...
Mas deixe estar,
sei que não monstro,
no entanto pássaro
a minha vida
a cantar.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

A voz de assalto dos pedintes é dizer aos "senhores passageiros" que "pedir é melhor do que roubar".

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Se você mede o seu sacrifício, comparando-o com o de mais alguém na lida por um ente querido enfermo, isto quer dizer que o ente não é tão querido... pelo menos por você.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Apesar do implante de solidariedade
que a cidade às vezes emergencia,
isso é via de acesso pontual...
Um instante no todo que nada muda...
... Há um dane-se fixo em cada semblante.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Gentileza gera gente... ilesa.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

O amor está nas lojas. Tem de todas as cores, modelos, utilidades e preços... Preços ótimos! Amor a partir de “um e noventa e nove”, para quem não pode fazer declarações mais caras; amor de cem reais, duzentos, mil, até milhões... Já pensou, declarar um amor de milhões de reais? Talvez de dólares? É o natal que está vindo... À sua frente, chegam os ares que se refletem no ensaio de cada olhar, cada braço, cada voz... Pessoas mudam, ou sofrem mutações, para o desempenho da trégua natalina, que se estende até o trinta e um de dezembro. Chega o dia de amar o inimigo, para desamá-lo novamente no comecinho do próximo ano. Ano que já será velho no dia dois ou três. Data de perdoar os que nos ferem, porque passa logo, não custa nada ou quase nada, pois em menos de uma semana poderemos desperdoá-lo.
À nossa volta o apoio das lojas, que tornam o amor democrático. Pobres e ricos podem amar, no natal, pois existe amor para todos os bolsos. Há um sentimento forte no ar comprimido pelas axilas que se cumprimentam no silêncio ruidoso das compras. Das caixas registradoras. Até mesmo dos pregões que incentivam esse sentimento, balançando os artigos bregas ou de luxo que têm a tarefa de pescar sorrisos, palavras e reciprocidades em formas de outros presentes... Outras demonstrações embaladas por papéis coloridos e seladas por cartões que registram palavras previsíveis, criadas e impressas por quem não conhece os seus compradores... Mas as mensagens são universais. Servem para qualquer um, nessas datas. E aceitam complementos de quem quer enfeitar um pouco mais.
Nas marquises e viadutos, há os que não podem comprar o amor... Dar nem receber. Nem aquele mais baratinho. Também não podem comê-lo nas formas vistosas de pernis, farofas, rabanadas e outras guloseimas. Nem bebê-lo, nos vinhos e champanhes que se revezam em taças. Mesmo assim, feliz natal para todos! Para quem pode ou não, afinal, o natal é um grande teatro! É o espetáculo fabuloso que demonstra o ser humano em sua inexistência ideal, íntima, projetada no inconsciente relutante! Na fraqueza universal de criaturas que disputam espaço em um mundo cada vez mais concorrido! Essa disputa se acirra no natal, quando o amor é medido pelo dar e receber, excluindo os que não podem entrar nessa democracia para a qual não nasceram os indigentes, porque esses perderam há muito tempo. Perderam pra mim e pra você, o que lhes era de direito.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Ler, certamente acultura e nos ajuda a decodificar o mundo, mas, a viver, só se aprende mesmo vivendo. Ninguém amadurece a partir de livros.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Ser livre é ter arbítrio próprio, inviolável, e poder mandar qualquer um, pobre ou rico, insignificante ou poderoso , ir à merda.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

O ator atua; o político, atoa.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Veja o dia nascendo outra vez. Ele vem conforme o previsto, sobre a noite que foi feliz ou de tristeza e ranger de dentes. Passou. Pouco importa. Logo virá outra noite. Tenha neste cenário a certeza do sonho possível. Ponha lentes mais brandas e otimistas nos olhos de sua alma.
Uma vida se mostra, se despe dançante e despudorada. Cobre os montes, transborda e desagua no túnel que lhe parece, por seu desânimo, não aceitar luz. Essa luz que o surpreende vem rasante, anuncia esperanças e põe um novo sentido na flor do seu ser.
Beba o mundo na cuia desta manhã! Desperte para si mesmo e nunca mais tenha medo! Não morra em vida, se antecipando à morte que não tem pressa, já marcou seu tempo. Seja forte o suficiente para saber apanhar dos fatos, até que o momento próprio de bater se apresente.
Renascer se desenha nas folhas das horas. Cada um de nós deve ser coautor de sua resenha. Precisamos cumprir o que traçarmos, na força do querer que nos falta em tantos atalhos desta jornada que se nos deu de presente. Eis o nosso presente: O futuro a ser conquistado.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Mal humorado é, na sua transversalidade, sinônimo de mal amado.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Só se é feliz sendo. Ninguém alcança felicidade justo na fuga ou abstinência do que o faz ou faria feliz.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Vejo santas Marias que se danam. Gastam seus dias num morrer que pedem, finalmente, para ser definitivo. Com elas, o mundo é só verdugo. Rezam a "deus" constantemente, mas continuam sofrendo os diabos.
São Marias carentes de resposta. Que vivem rogando ao céu calado em sua beleza fria e sem solução. Um céu que jamais deu ouvidos ao inferno de seus corações em constante busca dos méritos que já têm... Méritos que não são coroados nem mesmo em suas ilusões mais fundas.
Marias que apanham de Josés. Josés que matam de abandono e fome seus meninos, imagens esquálidas de Jesus. Cargueiros da cruz profana de seus conflitos deixados de molho num desperdício de sonho e de vida. Que vida? Que sonho? Que razão para considerá-los como tais?
Perderam a graça, tais Marias... Cadelas de crias intermináveis às quais entregam à delinquência. Santas Marias do "pau oco", arrimos de quartos em favelas ou sertões. Sacos humanos que só se mantêm de pé porque aprenderam a se nutrir de miséria e desgraça. Ave Marias cheias de desgraça, representantes da realidade mascarada que recheia os cofres dos poderosos deste país de merda.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Gostaria de comemorar o nosso dia. Dia livre da família, dos amigos, de gente que resolve estreitar os laços, sem qualquer ordem da indústria, do comércio, da igreja, da política e de qualquer outra instituição que rege as datas obrigatórias, ou "de lei", que somos obrigados a obedecer, se não quisermos ser tratados como seres menos humanos ou extraterrestres... renegados por um sistema global que automatiza as pessoas, para que só sejam de fato pessoas em datas consideradas especiais.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

O papel da água
sobre o papel
machê,
é buscar nas águas
passadas
um novo papel
pro papel exercer...

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Ser poeta é sempre não ter falado para ninguém, depois da nítida impressão de ter falado para todo o mundo.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Se você vir a palavra pobrema, não terá sido erro; pobrema existe; é problema de pobre.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

O educar até passa pelo ensino... Apenas passa. Mas está centrado mesmo é no ser. Bem mais que reflexão, educação é reflexo.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

MULHER DE VERDADE NÃO APANHA

Demétrio Sena

Um homem bater na sua mulher não é tão grave quanto a mulher apanhar de seu homem. Se esse homem é covarde, machista e tantas outras coisas, essa mulher é covarde, parasita, viciada e nula de amor próprio. Somando-se às "tantas outras coisas" de quem a espanca, tudo isto funciona como aquele bordão, bastante sábio, de que o povo tem o governo que merece. Afinal, foi esse povo que lhe deu o poder. Se houve corrupção eleitoral e a posse contraria o desejo popular, dá no mesmo: Esse povo contrariado poderia destituí-lo e não o faz. Portanto, sofre merecidamente.
Mulher alguma tem de viver sob o jugo da violência e das ameaças de um homem. Existem leis que a protegem; ela tem o direito de ir e vir; a polícia é uma instituição real, tanto quanto o judiciário. A liberdade é um direito que provê cidadãos e cidadãs honestos, e não existe um só machão que não trema perante qualquer autoridade, seja policial ou de alguma outra instância.
Das mulheres que apanham de seus homens, as que têm filhos são as mais desprezíveis. Além de covardes, parasitas e nulas, elas são regidas pelo egoísmo. Não pensam nos filhos, que são os que mais sofrem, nem naqueles que sofrem por seus filhos, por amá-los mais do que as mães. Acho, enfim, que a mesma lei que pune o agressor da mulher (e dos filhos) deveria punir também a mulher agredida mais de uma vez, por violar tanto a si mesma. Essa violação atinge a todos que a prezam e pouco podem fazer, de fato, se ela não tomar a decisão de ser uma mulher de verdade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

A selva de tocos
revela o rastro "selvagem"
das feras urbanas.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

POEMA ELEITORAL GRATUITO

Decidir entre lágrima e carpido;
se melhor é a farpa, se o espinho,
ser exposto ao deboche ou ao escárnio
de quem hoje proclamo salvador...
É pedir a lesão, talvez o corte,
distinguir o gatuno do ladrão,
quem será meu algoz, quiçá verdugo,
pra depois enforcar a minha voz...
Optar por satã ou satanás,
pela víbora, a cobra ou a serpente;
dor de dente, quem sabe, dor de ouvido...
Escolher entre nódulo e tumor,
um derrame, acidente vascular,
flor atômica e Rosa de Hiroshima...

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Não se há de negar que político seja mesmo sujo... Mas há eleitores tão íntimos da corrupção, que quando o político sai às ruas para panfletar entre eles, é bastante adequado chamar esse corpo-a-corpo de... porco-a-porco.

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Bravos, mesmo, são os heróis. Os que lutam por boas causas, vençam ou não, mas que são desde já vencedores pelo simples fato de terem mesmo por que lutar. A grandeza de seus motivos, por si só, é a medalha contínua que dispensa olhares, e por isso não se ostenta, suspensa na sombra do caráter. São honrados, os heróis. Têm a capacidade gigantesca de sublimar ofensas e vilipêndios. E se "não levam desaforos para casa" é porque esses desaforos, sempre banais, caem de seus corações a caminho de casa e morrem na poeira.
Já os brabos, aqueles que se exaltam, armam socos, fazem poses de briga (e brigam), nascem perdendo. Perdem sempre o controle, a razão e o contexto. Seus textos vivenciais são impregnados de arroubos, ameaças, gritos e nnarrações de vitórias equivocadas, por onde passam. Vitórias fúteis, físicas, nos campos da força, o vandalismo, a intolerância e o descontrole. São vazios os brabos, porque suas causas são pobres e ninguém precisa vencê-los. Eles perdem para si próprios quando seus músculos e o destempero emocional substituem completamente os neurônios.

Demétrio Sena - Magé-RJ.