Deborah Strougo
Olha, as vezes eu escuto, mas não ouço
Olha, as vezes eu olho, mas não observo
Olha, as vezes eu choro de felicidade,
e as vezes rio de desespero
Olha, as vezes eu canto por medo,
e as vezes durmo por alívio
Olha, as vezes eu falo rápido por entusiasmo,
e as vezes me calo por insegurança
Olha, as vezes eu brinco por carência,
e as vezes me isolo por cansaço
Olha, são nessas atitudes errôneas que me encontro.
É assim que te quero, amor
Pertinho de mim
Que caibas nos meus braços
e que por lá tu te aconchegues
Que meu frio interior se combine com teu calor
e que uma temperatura ideal se forme
É assim que te quero, amor
Na tua forma física
com o mesmo olhar apaixonado de cada dia
Esbanjando aquele sorriso de meia covinha que me fascina
Com as olheiras da madrugada
ou a agitação de todo pôr do Sol
É assim que te quero, amor
Assim como tu és,
como tu te formas
como tu me conquistas..
É assim que te amo, amor
Texto inspirado em Pablo Neruda e dedicado ao meu namorado, Henrik Fjällgren.
Faz tanto tempo que não escrevo nada
Acho que talvez tenha faltado-me palavras
Sim, palavras tem aos montes,
mas para criar um bom texto é preciso achar as certas
Sentimentos borbulharam por todos esses últimos meses
Parecia um vulcão de emoções que explodiu sem piedade em meu fraco corpo
A lava foi me derretendo por dentro
E o fogaréu tentou queimar-me diversas vezes
Foram chamas em mim! chamas por mim
Ele trouxe o calor
Por mais que eu seja do inverno,
o verão nunca me pareceu tão atraente
Fez-se o morno então,
da mistura de nossos corpos.
E assim formou-se o amor.
Adoro essas pessoas loucas, desnorteadas instantaneamente, que decidem de um segundo para o outro sair viajando por aí em busca de compromissos diferentes. Sempre vivi de um jeito só, tão calmo e sem sal, sem sair pelas ruas desconhecidas ou algo do gênero. Estive sempre presa entre minhas quatro paredes por todos estes longos anos, sem ter minhas desventuras em série, nem ao menos uma única vez. Mas hoje tenho uma maior liberdade, e o medo de ir e não achar o caminho de volta se foi, pois já não ando mais sozinha pelas estradas escuras. Nas noites cariocas lá estou eu em plena madrugada andando pela cidade, às vezes até pegando um carro ou um ônibus e indo para Teresópolis ou quando o dinheiro está no cartão: um avião com destino à Gramado. Por que não se aventurar pelo mundo? Depois de tanto tempo naquela mesmice angustiante, o melhor agora é se jogar de abismos, mas se você vai se espatifar no chão ou criar asas pra voar, fica à custa de sua imaginação.
Ela chegou assim, toda de branco
Mal se via sua pele rosada
E causou-me uma dor de fechar a garganta
Faltou-me o ar e o apetite
Nas noites serenas faltou-me até vontade de viver
Ela chegou assim, toda de branco
Tocando apenas um lado meu
E causou-me calafrios
Faltou-me a força e a disposição
E agora que as horas se passaram
Ela me avisa de sua partida
Então, ela se vai,
E eu apenas agradeço
Pois não haverá mais dor em mim.
Esse poema foi escrito pensando na amigdalite que estou tendo no momento. Aproveitem!
Não se oprima não, criança
Sua fome irá passar e deixarão de te olhar torto
Sua casa é feita de papelão e sofrimento
Seus vícios são seus melhores amigos
Suas lágrimas; seu único momento humano
Calma lá!
Você é uma criança
Sem pais, sem calor, sem amor
As ruas sujas e desertas são suas oportunidades
As moedas esquecidas são a garantia da sua refeição
Mas você é apenas uma idéia de gente
Se puder ser chamado de meio homem, já é muito
Mais devagar, por favor,
O mundo te largou?
E sua fé vai embora
Junto com a chuva que te adoece
Me segure e não me deixe ir
Que qualquer turbulência me faz alçar vôo
Inconstância é meu nome do meio
Mas se decidir por me soltar
Me solte de uma vez
Não se apegue
Mas também não me apague
Você, dos olhos azuis,
Que se perdeu na passagem do tempo
Da alma, da saudade.
Você, do extenso sorriso,
Que errou o caminho
...O trajeto, a saída.
Você, que nos deixou um buraco
No coração, na vida.
Você, que nos observa de longe
Com os olhos, os mesmos olhos, azuis.
D.S
Tira esse sorriso dos meus olhos fechados
Que ele não me pertence
Devolva-me o olhar antigo
Que perdi por não saber valorizar
Mate-me aos poucos
Que por hoje eu mereço tal dor
Saudade, vontade, arrependimento
O que fala mais alto?
O coração, calado, não sabe responder
E fico ao vento, sem saber o que fazer.
Vá fingir em outro lugar
Que aqui não tem espaço para suas mentiras.
Não há canção mais bonita que vá me desmanchar
Muito menos um beijo nessas noites frias.
Hoje não ficarei em cima do muro
Prefiro o que está claro ao escuro.
Não tenho a intenção de trocar a certeza pelo embaçado
Quanto mais as palavras de amor pelo calado.
Em uma poesia de meia-noite
Jogo minhas intenções com a força de um açoite.
Que doa o suficiente para esquecer
Tudo o que se passou e o que poderia acontecer.
Busco a paz em meu coração novamente
Agora, use a sensatez e vá embora
Que não quero ninguém que mente.
Em minha cabeça se instalou a utopia
Sentimentos que materializei sem permissão
Imagem de cenas que não vivia
O que há de errado, afinal, com meu coração?
Há coisas que não entendo
E apesar da minha quebra
Eu não me sinto como se estivesse sofrendo
Muito menos a dor de uma queda.
Não dói
Não me alegra
Apenas me corrói
Me entrega.
E é de poesia que vou vivendo
Num mundo onde a imaginação está vencendo
A realidade não revigora
Pelo menos, não por agora.
Músicas tristes no começo do dia
Influenciam meu humor
Apesar dessa utopia
Que criei a partir do meu rancor.
E este é o meu segredo
Tentando me perder no meu mundo paralelo
A cada dia acordo mais cedo
Tentando entender o inexistente elo.
Ontem eu pensei nela
Chorei pelos olhos de mel
Que nos avisaram de sua ausência
E de saudade a gente vive.
Não sou de samba, nem carnaval
Sou de palavras sem ritmo
Uma bagunça de letras
Que em um poema tentam se encaixar.
Mas quando penso nela
Não tenho vocabulário
E os olhos de mel que, um dia, admirei
Hoje, nem em sonhos os encontro.
O tempo passa como um furacão
Mas não há nada que a tire de mim
A menina dos olhos bonitos
Por quem ontem eu chorei.
Fim. A intolerância alcançou o amor. As brigas eram mais constantes que os abraços. A obrigação ultrapassou a vontade. Não existia mais saudade. A repetição se instalou. As mãos se entrelaçavam nas ruas. Os beijos do amanhecer faziam cosquinha. Ter companhia era um prazer. Felicidade incorporada em dois corpos. Os carinhos eram sinceros e delicados. Olhos diziam tudo. Havia sentimento. Era uma vez um casal feliz..
