Chico Buarque
Eu vou virar artista
Ficar famosa, falar inglês
Autografar com as unhas
Eu vou, nas costas do meu freguês
Ao povo nossas carícias
Ao povo nossas carências
Ao povo nossas delícias
E nossas doenças
Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou
mor, eu me lembro ainda
Que era linda, muito linda
Um céu azul de organdi
A camisola do dia
Tão transparente e macia
Que eu dei de presente a ti
Tinha rendas de Sevilha
A pequena maravilha
Que o teu corpinho abrigava
E eu, eu era o dono de tudo
Do divino conteúdo
Que a camisola ocultava
A camisola que um dia
Guardou a minha alegria
Desbotou, perdeu a cor
Abandonada no leito
Que nunca mais foi desfeito
Pelas vigílias de amor
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Eu quero que mamãe me veja pintando a boca em coração
Será que vai morrer de inveja ou não
Ai, se papai me pega agora abrindo o último botão
Será que ele me leva embora ou não
Será que fica enfurecido será que vai me dar razão
Chorar o seu tempo vivido em vão
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada, não se abre a boca.
Eu gostava de falar mal do governo quando os jornais não o faziam.
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Sou bandida
Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos teus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus
"Acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus, ou quando sua risada se confunde com a minha."
Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, quero ver o que você faz,ao sentir que sem você, eu passo bem demais. E que venho até remoçando, que me pego até cantando, sem mais, nem porquê. Quando talvez precisar de mim, cê sabe que a casa é sua, venha sim! Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz!!
Às vezes o que a gente procura, não é o que a gente procura. É o que a gente encontra.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Depois brinca comigo, ri do meu umbigo, e me crava os dentes. Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
"E quando ela está nos meus braços; As tristezas parecem banais; O meu coração aos pedaços; Se remenda prum número a mais"
''Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar, mas se o destino insestir em nos separar; danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas, os buzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos, sinopses, espelhos, conselhos, que se dane o evangelho e todos os orixás, serás o meu amor, serás a minha paz.''
Acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus, ou quando sua risada se confunde com a minha.”
Não sei se você ainda é o mesmo
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades.
Ah! felicidade
Em que vagão de trem noturno viajarás?
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão, o seu nome rasguei
Fiz um samba canção das mentiras de amor
Que aprendi com você
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Sei que a noite inteira eu vou cantar
Até segunda feira
Quando volto a trabalhar, morena
Sei que não preciso me inquietar
Até segundo aviso
Você prometeu me amar
Por isso eu conto a quem encontro pela rua
Que meu samba é seu amigo
Que a minha casa é sua
Que meu peito é seu abrigo
Meu trabalho, seu sossego
Seu abraço, meu emprego
Quando chego
No meu lar, morena.
