Caio Fernando

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Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores."

O tempo é que mostra o que realmente valeu a pena, o tempo nos ensina a esperar, o tempo apaga o efêmero e acaba com a dúvida."

"-Oi-tudo-bem-e-aí-tô-ligando-pra-saber-se-você-vai-fazer-alguma-coisa-hoje-à-noite. Como se a gente tivesse obrigação de fazer alguma coisa todanoite. Só porque é sábado. Essa obsessão urbanóide de aliviar a neurose a
qualquer preço nos fins de semana, pode? Tenho vontade de dizer nada, não vou fazer absolutamente nada. Só talvez, mais tarde, se estiver de saco muito cheio, tentar o suicídio com uma dose excessiva de barbitúricos, uma navalha, um bom bujão de gás ou algo assim. Se você quiser me salvar, esteja à gosto, coração."

"...Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender..."

Aos poucos a gente vai mudando o foco. E o lugar nem te acrescenta mais, você começa a precisar de outros lugares. E de outras pessoas. E de bebidas mais fortes. Nem pensa. Vai indo junto com as coisas."

"Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi."

E além de não estar nem no aqui nem no agora, ele não partia.

"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança.Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem."

‘Eu estou vivendo uma coisa muito boa. Aquela
coisa que a gente suspeita que nunca vai acontecer. Aconteceu.

Aumente o volume. Ou desligue para sempre, você me entende?

Sei lá. Mas pinta seguido, uma fadiga um vermezinho roendo e fazendo perguntas como “pra-quê? pra-quê?”.

"Proibido (...) passear sentimentos desesperados de cabeça para baixo, proibido emoções cálidas, angústias fúteis, fantasias mórbidas e memórias inúteis."

No começo fiquei com raiva, achei que ele não pensou em mais ninguém quando desapareceu. Só nele mesmo. Mas a gente nunca pode julgar o que acontece dentro dos outros. Ele queria outra coisa.

Frequentemente me assusto, pensando que a vida vai acabar sem que eu encontre um grande amor.

"Não quero me tornar uma pessoa pesada, frustrada, amarga. Não vou me tornar assim."

Que continue sendo doce o seu modo de demonstrar afeto, o seu jeito, seus olhares, seus receios. Que seja doce a ausência do nosso medo, o seu abraço e a maneira como segura minha mão. Que seja doce, que sejamos doce e seremos, eu sei.

“Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro.