C. Lispector

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Telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa!

"Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei!"

Minha vida é um grande desastre. É um desencontro cruel, é uma casa vazia. Mas tem um cachorro dentro latindo. E eu – só me resta latir para Deus. Vou voltar para mim mesma. É lá que eu encontro uma menina morta sem pecúlio.

Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo pra mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos.

O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim. A sombra de minha alma é o corpo... Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam