Bruna Solar

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Egoísta assumida.


Hoje minha mãe perguntou de você... "Você o ofendeu?"
Eu respondi “não”! Ela me olhou e me perguntou novamente: "tem certeza?"
E eu respondi que não novamente, mesmo sendo a única que sabe que eu te coloquei contra a parede e mandei um "vai ou racha"!
Ok, eu admito! Eu realmente sou uma banana que toma no cu constantemente! Não tenho peito suficiente para cumprir tudo que eu falo. Eu falo, eu xingo, eu ponho o cara na parede, dou o maior fora... E depois de quatro dias ligo para minha melhor amiga chorando porque dei um pé na bunda de um cara lindo, inteligente, que gosta de arte, dança engraçado e é bom de cama!
E porque eu (em sã consciência) fiz isso? Pelo simples fato dele não estar me ligando três vezes ao dia, me mandando mensagens melosas de dez em dez segundos e suplicando para me ver!
Mas que mulher egoísta não é uma ansiosa que acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo, e que todo mundo têm que fazer tudo que ela quer, quando ela quer, como ela quer? Sim, eu sou uma egoísta como todas as mulheres que eu conheço.
Não me venha dizer que você, uma doce garota compreensiva, gosta tanto daquele moreno, alto bonito e sensual e compreende quando ele não pode te dar atenção porque está muito ocupado com o trabalho, ou que ele não pode sair com você porque vai pro bar beber com os amigos, ou pior, que ele esta muito cansado por causa da gripe forte e vai ficar em casa sozinho, para não passar a merda da doença para você.
Jura que é desse babaca que você gosta? Ou, por um mero acaso, você suporta tudo isso, porque o prazer que ele faz você sentir na cama não é possível explicar nem desenhando, porque é tão bom poder transar e depois dormir em conchinha, porque é bom poder ter alguém para ligar chorando numa crise de TPM, porque é totalmente gratificante se sentir aceita assim como você é (com alguns quilinhos a menos, ou alguns quilinhos a mais), porque é bom ouvir todas aquelas bobagens românticas que ele diz só para você perdoa-lo e dormir com ele? Porque é bom ter de quem ganhar presente no dia dos namorados e melhor ainda é fazer uma viagem romântica? Porque é muito bom poder mostrar para suas amigas que você tem um homem inteligente, charmoso, cheiroso, gostoso e afortunado? Vai dizer que não é uma D-E-L-I-C-I-A poder leva-lo nas festas da sua família do interior, e calar a boca de todo mundo que falava que se você não arrumasse um namorado logo, ia acabar com o mesmo destino daquela sua tia solteirona que optou a ter uma carreira brilhante e não casar, que mora em São Paulo? Qual mulher não gosta de ganhar chocolates, presentes exclusivos e objetos de decoração que ele traz das viagens?
Então eu me pergunto, se é daquele moreno, alto bonito e sensual que nós gostamos, ou de todo prazer que ele nos proporciona?
Agora, você, menina doce e compreensiva, pode admitir, que assim como eu, e todas as outras mulheres do mundo, é uma egoísta louca por prazer e aceitação, e não por aquele babaca que só te enrola.
É fato... sem o moreno, alto, bonito e sensual, não da para sentir esses sentimentos maravilhosos que nós tanto amamos sentir.
Mas até onde conseguimos controlar nossos impulsos egocêntricos? Porque egoistamente falando, eu adoraria estar agora nos braços daquele homem lindo, inteligente, charmoso, que dança engraçado e gosta de arte.

Promessas.

Em poucos meses começaremos em nosso país mais uma época eleitoral para cargo de prefeitos nas cidades brasileiras. E subitamente, quando falamos de eleições, não importa o cargo a ser disputado, a primeira palavra que nos vêm à mente é "promessa". Nessa hora você lembra das promessas feitas pelo atual político no poder, para avaliar o que realmente foi cumprido, ou não. Como em quase 90% dos casos, você nem lembra direito o que foi prometido, a não ser que algo realmente poderia ter influenciado sua vida, ou de alguém que você goste. Então, você começa falar, como se fosse o maior entendido de política do mundo, Sr. dono da verdade, que todos os políticos são iguais em época de eleição, prometem o possível e impossível, para conquistarem nosso voto.
E você? Eu? E todo o resto?
Eu nunca prometi um saco de cimento, medico de graça,uma dentadura nova, e muito menos passagem de ônibus de volta ao nordeste para ninguém. E acho que você também não.
Mas eu já prometi que ligaria e não liguei. Que não mentiria mais, e continuei mentindo a mesma mentira. Que eu pensaria mais em "nós" e não só em "mim", mas continuei sendo a mesma egoísta. Que eu mudaria minhas atitudes, e só piorei. Que não trairia, e só enganei. Que os dias seriam sempre de sol ao meu lado, só que eu esqueci de falar para trazer o guarda chuva.
A carapuça serviu a você também? Caiu como uma luva, não? Engraçado... eu tenho a mesma sensação. Nem se fosse feita pelo Ricardo Almeida se encaixaria tão bem.
Calma, eu PROMETO, que essa sensação vai passar.
O melhor a se fazer nesses momentos, é pegar a foto das pessoas, que você prometeu mundos e fundos, e observar o quanto elas são maravilhosas, com seus defeitos, assim como nós. Lembre também o quanto éramos amados e queridos por elas, tudo o que fizeram á nosso favor, toda a confiança, lealdade, carinho e tempo depositados em troca de nossas promessas não cumpridas. E o mais importante: o quanto às desapontamos e magoamos, por não cumprir o que prometemos.
Uma vez ouvi, que o valor de um homem não é medido pela riqueza que ele possui, e sim pela palavra dele.
Você não ta valendo nada, né colega? Eu também não!
E agora? Sente-se melhor? O quê? Pior... Ok, eu tinha prometido que você se sentiria melhor! Me desculpe, mas você sabe, eu não sou boa em cumprir promess

Uma carta ao homem da minha vida.


Meu amor,

Hoje ao acordar, rolei três vezes na cama, mas não fiquei deitada meia hora á mais como de costume. Abri os olhos, e ao ver aquela cama enorme, cheia de travesseiros e lençóis, que de tão macios parecem me fazer carinho, imaginei como será gostoso, futuramente, acordar ao seu lado no meio de tanto aconchego.
Isso já fez meu dia começar melhor! Levantei delicadamente, fui dar bom dia a sua sogra e tomar meu café da manhã. Liguei o som, comecei a cantar e pensar em você de novo. E ao olhar a pia cheia de louça, eu senti uma vontade enorme de lavá-las. Sim, eu não falei errado! Eu quis lavar louça, nem me lembro a quanto tempo eu não fazia isso, e me senti tão mulher, eu pensava o quanto você ficaria orgulhoso de saber que a sua mulher, não é uma mulherzinha, e sim um mulherão completo, que sabe exatamente o que fazer em todos os cômodos da casa.
Como hoje eu estava de folga, fui comprar algumas roupas, para ficar mais bonita, pra nós, pois antes de te amar, eu me amo.
Não adianta comprar roupas e estar com o cabelo, as unhas e sobrancelhas mal feitas, certo? Então fui para o salão, dar um toque humano na beleza que Deus me deu. Porque eu sei que você me achará a mulher mais linda do mundo ao acordar, mesmo sem maquiagem.
Voltei pra casa feliz, irradiante, me sentindo um mulherão, como no momento em que eu lavava a louça, porém por motivos distintos.
Cheguei em casa, chequei meus e-mails e conversei com alguns amigos.
Sabia que mais um cara me odeia por sua causa? Sim, e não vem dar uma de coitadinho! Tudo bem, que a opção de não ficar com homens que não possuem a possibilidade de ser você, é minha, mas se eu não te achasse tão especial e único nessa intensidade, eu não faria essas maldades. Eu também admito que às vezes eu faço de propósito, como instigar um babaca, que traiu minha amiga, a noite inteira e falar no ouvido dele com aquela voz bem sexy; "317... Essa é sua senha, pega a fila babaca". Mas poxa, ela é era amiga-irmã. Resumindo... por minha, ou sua causa, já estou no caderninho negro de algum amigo seu, concerteza. Espero que isso não o intimide.
Mas o dia foi passando, e eu racionalizando tudo como sempre.
Ai eu pensei, será que você realmente existe? Deixei de acreditar no Papai Noel antes dos quatro anos de idade, aos seis descobri que o Coelhinho da Páscoa, era na verdade, o porteiro do prézinho. Será que aos meus vinte e poucos anos vou descobrir que você não existe?
Há uma semana eu jurava que você é aquele cara que está na Itália, mas você não teria coragem de agir daquela forma com a mulher da sua vida. Às vezes eu acho que você é aquele cara que faz medicina, tem uma família toda estruturada, conhece a outra metade do mundo que eu não conheço, e é bom moço. Mas não faria sentido você ser aquele cara, porque a mãe dele me odeia.
Logo... eu chego a pensar que você pode ser aquele outro cara que eu conheci em uma viagem, ou o irmão de uma amiga do colegial, ou aquele da sala do aeroporto, ou o mocinho bonito que me dá bom dia todo dia, e que eu me derreto, ou que eu simplesmente não te conheço.
Quando chego a conclusão de que não te conheço... Nossa! Jesus acende a luz! O problema triplica de tamanho! Eu fico delirando como eu vou te conhecer, quando, onde, se você fala a minha língua, e ai, viagem é total. Só pra não perder a oportunidade, se eu ainda não te conheço, não more na minha cidade, é que eu adoro viajar, principalmente na maionese!(Percebeu?) Rs... Mas é serio! Se você mora aqui, vá fazer um curso, mesmo que seja em Ribeirão Preto, mas não more aqui! Eu preciso sentir saudades e uma pontinha de liberdade.
Olha até onde vai o ponto da minha loucura! Eu nem sei se você existe, e já te peço coisas! E como te pedir mais alguma coisa, não vai parecer uma loucura maior ainda, eu te peço que dê um sinal de vida. Não sei, manda um sinal de fumaça, alguma coisa, aparece no meu sonho, seja um calafrio, me manda uma carta, um e-mail, se vira.
Não me faça descobrir que você não existe, não me deixe desistir de você! Seria muito triste me sentir, e ser tão especial, exclusivamente para alguém que não existe.

Com carinho,

Mulher da sua vida.

Preconceito.


Ao abrir a gaveta de entregas no trabalho hoje de manhãzinha, encontrei um envelope com meu nome, escrito por uma letra que já me era familiar. Rasguei o envelope com toda ansiedade do mundo, e ao olhar que era uma barra de chocolate da minha marca favorita, logo virei a embalagem para descobrir o recheio. Era de morango! Droga, eu odeio morango! Mas era um presente, e dado por alguém diferente. Como eu iria falar para alguém que tem um brilho que eu desconheço no olhar, que eu adoro dar bom dia, porque sempre me responde com um bom dia, daqueles que deixam o dia realmente bom, que eu odeio morango?! Não ia dar, além de mal educada eu passaria por mal agradecida. E deixar uma barra de chocolates daquela guardada só para não fazer desfeita, é quase um crime. Como ir ao cinema e não dar um bom amasso. E trocar o chocolate seria como trocar uma roupa daquelas que você ganha, que simplesmente não serviu. Tirando o fato de ter que mentir depois, um defeito de caráter que abomino acima de todas as coisas.

A única solução seria provar aquela delicia recheada de morango. O pensamento de odiar morango não saia da minha cabeça. Mas como eu sabia que odiava recheio de morango, sendo que eu nunca comi morango antes, só porque eu acho que eu não gosto? E como alguém aparentemente tão gente boa, poderia ter o mal gosto de me dar um chocolate ruim?

Fiquei paquerando aquele embrulho por horas, racionalizei que sendo a embalagem vermelha, eu teria desejo de comer, e como o desejo exerce uma grande influência em mim... Logo degustei o chocolate, pois não era um digno de ser apenas comido. E só para ficar registrado, sim, eu gostei.

Não precisa dizer que é ridículo, comentar não gostar de algo sem nunca ter provado, conhecido, ou generalizar. Mas eu sempre faço isso, todo mundo faz isso. Você ao ler todo dia as minhas crônicas, faz isso que eu sei.

Mas isso tem nome, ô se tem. Chama preconceito.

Sabe quando alguém bate o carro de uma forma ridícula, e você abaixa o vidro e grita “tinha que ser mulher! O que tá fazendo fora da cozinha Dona Maria?” sem saber o sexo do motorista. É preconceito. Quando você negocia alguma venda importante somente via e-mail e telefone, e na hora de fechar negócio pessoalmente fica pasmo, pois como alguém tão mais novo que você pode ser tão inteligente e estrategista? Preconceito de novo. Quando você é transferido para uma nova unidade, e já começa a reclamar que se não for São Paulo não rola, sem saber como é o cotidiano da nova cidade. Adivinha o que é? Quando você simplesmente não chama aquela pessoa para sair porque pensa que ela é muita coisa pra você, quando quem teria que fazer duas viagens é ela. Também é, você sabe o que. Quando algum japonês te paquera e você pensa logo de cara no tamanho do instrumento dele. É maldade, além de preconceito! É fato, Titanic era o maior navio do mundo e afundou na primeira viagem, isso só comprova que tamanho não é documento.

Quando eu te ligo, e você pensa que sua paz acabou de ir embora. É a mais pura realidade!

Essas situações acontecem a todo momento, e sempre acontecerão de formas diferentes. Você aprende com algumas experiências, e desaprende com outras, muitas vezes repetidas.

Eu pré conceituei aquele publicitário babaca, achando que ele era o homem da minha vida, mas ele não fez ela valer a pena, nem por vinte quatro horas consecutivas. Eu pensei que aquele mocinho de família criado pela vó no interior, fosse devagar para algumas coisas, mas até hoje só de lembrar dele eu sinto um arrepio, que não é de frio. Eu achava que eu tinha uma amiga, mas na verdade ela queria me agarrar no banheiro da Lov.&.

Eu sei que você já está cansado de ler por hoje, porque trabalhou muito, porque é uma pessoa muito seria, que não tem tempo pra nada, e me acha uma maluca. É isso mesmo, estou sendo preconceituosa em relação a você. Mas e daí? Você não liga para o que eu penso.

Medo de quê?

Quando se é criança, se tem medo do escuro, do homem do saco preto, de gente muito feia, de cachorro bravo, de ladrão, da policia prender sua mãe e nunca mais devolver, de avião, do barulho da máquina de lavar roupa, de ficar doente e nunca mais sarar, do monstro do armário, da cobra da privada (isso mesmo, da cobra da privada! eu jurava que tinha uma cobra que morava na minha privada, que só acordava à noite para tomar meu xixi! Dá um desconto que eu sou criativa desde criança!). Enfim, tínhamos medo, muito medo, e não tínhamos vergonha nenhuma de sair correndo, gritando ou chorando para pedir colo para a pessoa confiável mais próxima.
Alguns anos depois, só porque já nasceram alguns pêlos no seu corpo, você mora sozinho, tem seu próprio carro e acha que não deve satisfações a ninguém, estufa o peito e proclama "Eu cresci, não tenho medo de nada, e de ninguém!".
Bem, eu cresci, não moro sozinha todos os dias, não tenho meu próprio carro, porque eu tenho trauma de dirigir, de tudo isso a única coisa que eu tenho são os pêlos, mas mesmo assim eu brado que eu não tenho medo de nada, e de ninguém! Mas lá no fundo, lá mesmo, no meio de toda lama, escondido com todos os meus erros, misturado com todas as minhas frustrações, dividindo espaço com as minhas mentirinhas sadias, tem um sentimento, que eu não sei o nome, acho que pode ser o medo.
Medo de quem? Medo do que? Eu não tenho mais medo do escuro, nem medo da cobra da privada, e dos outros medos infantis, porque hoje eu sei, que eles não fazem sentido. Hoje eu sei que é impossível ter um monstro no meu armário, assim como se minha mãe não fizer nada de errado não irão prende-la.
Mas eu sei, que se eu parar para refletir no mundo, eu posso não acreditar mais em Deus e nem nas coisas boas. Que se eu me matar de trabalhar, todos os finais de semana e feriados e ficar viajando o tempo todo, a probabilidade de eu ficar solitária é quase de 100%. Eu sei que se eu sempre dizer a verdade, nada além da verdade, somente a verdade eu possa magoar os outros. Que se eu não der atenção ao meu pretê, ele pode me deixar. Eu sei que se eu mudar de cidade talvez eu não vá me adaptar. Que se eu trocar de emprego pode não dar certo, e eu querer voltar. Eu sei que se eu voar, eu posso cair, da mesma forma, que se eu mergulhar posso me afogar. Que se eu fizer algo muito diferente, eu posso chocar as pessoas que me amam. E só de pensar em tudo isso, eu sinto um frio na barriga, uma coceira nos olhos, uma vontade de sair gritando e pedir colo pelo amor de Deus!
Pera ai! Sair gritando, pedindo colo não é coisa de criança? Sim, mas eu começo a achar que não só de criança.
Medo é como o amor, quando você menos espera, ele aparece, mexe com você, e de repente ele some, e depois volta de novo e some.
Será que daqui um tempo, esses medos parecerão bobeira,como os de antigamente? Sinceramente eu não sei, o que eu sei , é que já está na fase dele sumir, para aparecer novamente mais tarde.

Ridícula por um dia


Chega uma hora que cansa ser chamada sempre das mesmas coisas. Sejam elas boas ou ruins. Sempre fui rotulada de mimada, manhosa, birrenta, metida, blasê, louca, amiga, menina de ouro, animada, inteligente, ingênua, meticulosa, e mais um monte de coisa. O problema é que, vira e mexe eu sou chamada da mesma coisa, isso enche o saco! Eu precisava ser chamada de algo novo. Eu preciso de novidade a todo instante, caso contrário eu posso pirar. Resolvi fazer coisas ridículas, perder a noção do ridículo, ninguém nunca havia me apadrinhado de ridícula.
Sai as seis da manhã á caminho do Ibirapuera, jurando voltar somente duas horas depois, no mínimo. Meu primeiro ato ridículo, foi colocar meu MP3 no último e cantar alto, bem alto, muito alto, como eu canto no chuveiro de casa, que meus vizinhos dos seis andares acima, e dos seis andares abaixo escutam. Isso me deu um gás excelente, por mais que pareça impossível alternei corrida e caminhada por três horas e nem me dei conta.
Drummond disse uma vez, que “no meio do caminho tinha uma pedra, que tinha uma pedra no meio do caminho”. Pois é, no meio do meu caminho tinha uma louca vestida de vermelho gritando: “SAI, SAI, SAI, SAI!”. Fiquei na duvida se ela estava falando comigo, ou fazendo um áudio-curso de como exorcizar um demônio em 10 passos. Mas eu não ia arrumar encrenca, resolvi fazer uma careta e fiquei rindo por longos minutos, racionalizando um mantra torcendo pra louca cair e machucar o queixo, mulher tem dessas coisas.
Sai do parque á caminho de casa, acompanhando a Madonna no vocal e dando bom dia para todos que eu visse na rua, eu disse TODOS. Algumas pessoas me responderam assustadas, outras surpresas e felizes, algumas nem “thum”, e outras com um olhar de “eu te conheço”?
Mas houve uma pessoa que realmente me chamou a atenção! Não, não era um bonitão engravatado, charmoso, cheiroso com cara de homem. Foi uma senhora gorda, mal cuidada, mal vestida, que concerteza era mal amada também. Eu passei por ela e dei um super BOM DIA, com “o” sorriso no rosto. E ela grosseiramente me respondeu da seguinte forma: “vai tomar no seu C*, sua filha da put*”
Eu saí correndo de vergonha, por dela, é claro. Tudo bem que quem resolveu ser ridícula por um dia fui eu, mas não precisava apelar; um “vai procurar sua turma, sua louca varrida”, eu até toleraria.
Já me sentindo ridícula o bastante, porém não o necessário, em vez de ir direto a Casper Líbero, resolvi dar uma de sonsa e errar o caminho, passando por aquela alameda cinco quadras abaixo da Paulista. Essa atitude me leva a ser indicada ao prêmio de ridícula do ano, eu sei disso, ok? Não precisa jogar na minha cara, mas a intenção era ser ridícula, não era? Entretanto, o mais ridículo ainda, como se fosse possível, foi não passar na frente daquele prédio, o qual eu sempre ia tomar um pseudo-café da manhã, com um pseudo-homem, que sempre começava e terminava num mesmo lugar da casa.
Me encaminhei até a “Starbucks”, tomei aquela água famosa de oito reais, e comi um pão de queijo thuthado no mel. Dentro do estabelecimento só tinha gringo, eu estou em São Paulo, não estou em Nova Iorque, dá pra falar português? Aquele clima de gringolândia realmente me irritou, resolvi sentar no mezanino lá fora e ouvir um pouco de português, o que é realmente gostoso, pena que só sabe disso quem já passou um bom tempo sem ouvi-lo. Lá fora só tinha barulho de transito e gente falando português, o que atrapalhava a musica ambiente, que era em francês, que eu queria conseguir entender. Fui para dentro do café de novo. Quando me acomodei em um lugar, que eu não escutaria nem inglês, nem português, a música acabou, resolvi ir embora.
Continuei fazendo tudo que eu desejava, e que considerava ridículo. Fui ao cinema sozinha ver “Mio fratello è figlio unico”, um dos melhores filme que eu já vi, chorei de soluçar muitas partes do filme. Atendi minha melhor amiga ao telefone não com um “alô”, mas com um “eu te amo”, falei par minha mãe que sentia saudades, e tive coragem de dizer que não iria a uma festa simplesmente por aparências, que não adiantava me cobrar um carinho que nunca fora depositado. Fui uma ridícula com êxito. E isso me deixou feliz, me deixou orgulhosa.
Até quando vamos ficar nos policiando, policiando nossas atitudes, nossas palavras, nossas posturas? Dar um bom dia sincero a um desconhecido faz bem pra você, e para ele também. Dizer que você ama, a quem você ama é muito bom, sabia? E admitir que sente saudades também. Demonstre não ter uma pedra no lugar do coração.
Nós humanos globalizados e capitalistas somos babacas ao cubo. Ficamos ligados nesse lance de status, de grana, de aparência, de sociedade, de exterior.
Não me chame de hipócrita caso você conheça algum cara que eu já me relacionei, eu sei melhor que você que eles possuem exatamente tudo que eu citei acima. Eu concordo com o nosso poeta de “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”, mas o belo não é só o que está por cima, o que está por baixo também. O que está por baixo das máscaras que usamos todos os dias, o que está por baixo da roupa, o que está por baixo da pele, o que está por baixo de qualquer coisa que possamos apalpar ou visualizar.
Ressaltar todas essas coisas seriam ridículas, né? Hoje é considerado ridículo sofrer por alguém, ligar chorando, se emocionar com uma despedida, perder o sono porque a saudade não te deixa descasar. Mas eu sei a lista top três que vocês consideram ridículo. Com a medalha de bronze vos apresento o “necessitar alguém para dividir a vida”. A medalha de prata fica para as “pessoas que abrem mão da carreira profissional por um tempo, para se dedicar à família”. E a tão esperada, medalha de ouro vai para... Tham, tham, tham... Para ele! “O perdão”! Admitir que errou e pedir uma segunda chance.
Eu sei que se opinião fosse boa agente vendia. Então caso você faça o que eu vou te dizer, por favor me mande um e-mail, que eu o retornarei com os meus dados bancários para depósito. O valor fica a seu critério, o quanto você achar que vale a minha opinião, que ponho a venda agora.
Seja ridículo, perca o senso do ridículo, deixe-se ser chamado de ridículo. E nesse dia, por favor, cruze o meu caminho.

Por um pouco de equilíbrio


Eu poderia começar dizendo que hoje está sendo um dia daqueles, porém esse clichê já não faz sentido algum na minha vida, porque todo dia é um dia daqueles.
Todo dia, no mínimo um babaca, jura que eu sou que nem as outras mulheres, me passando uma cantada manjada, iludido que vai me catar. Todo dia essas mulheres, pelas quais eu sou confundida, por aqueles babacas, tomam alguma atitude me deixando com vergonha de ser mulher. Elas não entendem que é possível sim, ter silicone e cérebro no mesmo corpo, que inteligência fica no cérebro e silicone no peito, sendo assim elas não podem dar a desculpa de ter apenas silicone, pois dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Porque todo dia eu tenho que ouvir a mesma pergunta do motivo de eu nunca ter namorado, e eu tenho que dar a mesma resposta obvia. Porque todo dia eu ouço merda pelo erro que eu não cometi, e um “me desculpe” nem se quer diz “oi” de longe. Porque todo dia eu caiu, me atingem, ou eu simplesmente esbarro em alguma coisa, tornando minha tonalidade de pele branca incubadora, para branca bebê espancado.
Mas como eu ia dizendo, hoje o dia está superando as minhas expectativas.
Até sair do meu lar, estava tudo como sempre. As surpresas começaram quando eu coloquei o pé pra fora de casa. No elevador, como se não bastasse pisar no meu pé, a Sra. Free Willy III, resolveu ficar de pé em cima dele. Eu, pequenininha, delicada, toda mignonzinha, com o peso daquela baleia sob o meu pé... Pensei que iria apagar. Todos me conhecem por não sentir dor física, mas dessa vez eu não agüentei. Eu gritei e dei vários tapas nas costas daquela montanha loira de gordura. E então ela se virou e me disse em slow motion "meeee deeeescuuuulpeeee". Fui para o trabalho mancando.
Cheguei no hotel clamando aos céus, para que hoje o dia fosse diferente. O problema foi esquecer de dizer que esse diferente, era para melhor.
Lembra do pé citado anteriormente, já machucado há uma semana? Uma gaveta resolveu cair em cima dele, de quina com meu tendão.
Algum tempo depois, aparece aquela bruxa, com toda inveja e urucubaca do mundo me secando! Ai como eu odeio isso, fala na cara sua pobre de espírito!
Praticamente sem pé, e há muito tempo sem saco, eu resolvi entrar no msn. E claro que aquele cara que sempre me provoca, que sempre me corrige, não podia fazer diferente, né? Porra! Eu não tenho obrigação de ser perfeita, sabe? Eu não tenho a obrigação de ter um português perfeito e correto só porque eu gosto de escrever. Eu não tenho a obrigação de ser o tempo todo doce, educada, e receptiva. Gostar de alguma coisa não significa saber tudo sobre ela, ou ser 100% perfeito em relação a isso.
Todo mundo acha bacana me ver irritada, porque eu tenho respostas criativas, porque eu realmente não me importo com o que vão falar, porque eu sou intensa e é legal ver qualquer cretino levando um “chupa”, sem se queimar.
Mas por favor! Pelo amor da Santa Rita da Maria Fedida, intercalem o dia de me irritar! Eu não agüento tudo junto!
Eu também preciso de equilíbrio, eu também gosto de errar, eu também preciso de um pedido de desculpas, preciso ouvir o como eu faço tudo direitinho e que você se orgulha de mim, eu também preciso ouvir que você quer saber como foi meu primeiro dia na nova aula, e não só que você está ansioso para me ter, eu disse me ter, e não, “meter”! Porque é só nisso que você pensa.
Como você poderia imaginar tudo isso, já que eu sou uma mulher tão resolvida, na casca de uma garota mimada? Já que eu demonstro não ter absolutamente nada de frágil? Não tem como! É bem mais fácil colocar a culpa no excesso de sol.
Isso acontece porque falta equilíbrio. E falta equilíbrio, porque eu preciso ser perfeita para você não ficar apontando meus erros. Como se você fosse perfeito. Como se você fosse uma pessoa equilibrada, sabe? Mas não é! E se não fosse você, seria qualquer outra pessoa me enchendo o saco, por qualquer outra babaquice, pelo fato de eu ligar.
E eu sei, que eu sou uma louca de pedra, e que não é por acaso que meu apelido é louca possuída. Mas a louca, está cansada de interpretar, ela está querendo viver sem ser assistida. Ela está querendo estudar de verdade, ela está planejando passar um tempo em Firenze, ela está tentando ser mais profissional, ela está tentando ser madura, ela está tentando ser mais mulher, ela está tentando criar coragem para ir morar sozinha sem voltar uma semana depois com saudades de casa.
No fundo, ela sabe, que sempre vai ser louca! Porque ela ama a vida intensamente, ela ama aventuras, ela ama viajar. Ou ela ama, ou ela odeia. Ela não é morna, ou é fria, ou é quente. Ela não diz talvez, com ela é sim, sim, ou não, não. Ela não tem paciência para esperar até amanhã, porque ela é a única que sabe que amanhã talvez você não esteja valendo mais nada pra ela, e que a sua primeira chance pode ser a última na vida dela. Porque ela não faz as coisas por fazer, ela faz por amor, por prazer, por desejo, e isso é em todas as áreas da vida dela. Ela é movida a desejo, a instinto, a sexto sentido. Ela reza mantras em voz alta para ver se funciona. Ela acredita em signos, ela acredita no destino, ela acredita que nada é por acaso, ela acredita que no fundo todo mundo é bom e ruim, tudo junto e misturado.
Tudo isso, já é bem complicado pra ela. Ela não precisa, sem duvida alguma, de mais uma pessoa desequilibrando o desequilibro psicogenético dela.

Dando um tempo

Eu nunca acreditei na história de “dar um tempo”, ou no conto da carochinha de que “o tempo cura tudo”. O tempo nunca curou meus 21 graus de miopia, nem fez meu dente do ciso pular pra fora sozinho, não me fez esquecer meu avô e meu gênio forte só aumentou. Talvez para algumas coisas o Dr.Tempo até tenha o tratamento certo, mas para outras, não mesmo.
Quando ele não obtém êxito, ele indica o paciente á um amigo, o Dr. Amor. Dizem que esse tal de amor, sim, esse cura tudo. As magoas do passado, a frustração, os medos, refaz famílias, recupera alegria, esse é “O” cara. Em alguns casos, principalmente doenças crônicas, O Dr. Amor, necessita da ajuda do Dr.Tempo, ele julga que pode curar tudo, mas que o dr.Tempo é quem pode esclarecer as coisas, por um outro ângulo, não tão sentimentalista.
A procura por esses médicos acontece geralmente quando os métodos convencionais já falharam, quando o paciente já esta no limite. Porém a lista de espera é longa. Para eles não importa se você tem convenio médico, vai pagar á vista com dinheiro, passar no cartão, ou dar um cheque sem fundo. Eles também não fazem diferença por credo, raça, ou situação social. E a forma de ser atendido mais rápido, e passar na frente dos outros pacientes, eu não sei, talvez seja por necessidade e disponibilidade do paciente aceitar o tratamento. O tratamento é sempre diferenciado, cada caso é um caso.
A mais de um mês fui no consultório do Dr.Tempo, levar nosso caso, digo nosso, pois você está sofrendo as conseqüências da mesma forma que eu. Ele por telefone, conversou por alguns instantes com o Dr.Razão. Chegaram a uma conclusão. Ele me receitou “dar um tempo”, o que fosse necessário. Que diariamente eu trocasse e-mails com o Dr.razão e ligasse para ele quando necessário, porque sabe que eu sou muito sensível. Disse que chega uma hora na vida, que a maturidade começa a querer ocupar um espaço maior na nossa vida, e que caberia a mim, escolher crescer ou continuar sendo uma garota mimada casca de ferida. Porque existem pessoas de cinqüenta e muitos anos, ainda com pensamento de adolescente, o que é realmente triste.
Para o meu tratamento dar certo, eu preciso da sua colaboração. Eu ainda não estou preparada pra te ver, falar com você, te ouvir ou ouvir falarem de você. O fato de não querer nenhuma dessas coisas, não significa que eu não goste de você, pelo contrario, significa que eu gosto, que eu estou tentando deixar as coisas bem entre nós. Pra você pode estar tudo bem, mas não pra mim.
Você pode achar que o que me falta é problema e um tanque cheio de roupa suja pra lavar, consigo ver você dizendo isso, mas é exatamente ao contrario, tirando o tanque, porque eu prefiro usar a maquina convencional, e é um saco ter que trabalhar de branco, porque é um saco maior ainda, deixar o branco mais branco, sendo desiludida pelos sabões em pó do momento. Pode parecer também falta de namorado, ao seu ver, mas também é ao contrario. É realmente difícil decidir qual frase é mais machista.
Você também diz que eu pareço não te entender. Que você esta trabalhando para pagar as contas, tem que ter um tempinho para namorar, para sair de moto, para cuidar da sua mãe e da sua família. Eu entendo, por mais que você não acredite.
O que você não vai acreditar é o motivo dessa aversão. Lembra de quando você casou, não me disse nada, e não me convidou? E depois disse que casamento não é algo importante na vida de alguém? Ou quando você almoçava comigo e ia dormir depois? Eu não acho que dormir depois do almoço seja crime, ok! Mas acho que podia ter sido diferente. Ou quando eu ficava te esperando e você nem ligava para avisar que não vinha. É impressionante que não dói em você! Quantas vezes eu queria um abraço seu, um telefonema, isso faz falta, sabe. Faz falta me sentir protegida por uma figura masculina. Na verdade o que mais doía era quando eu dizia que te amava, e você me olhava e falava com uma voz infantil: “Ai lindinha, te adoro”. Adora? Lamentável, não?
Eu estou tentando ser uma pessoa melhor, menos medíocre (medíocre não é um termo pejorativo, como a massa pensa, significa mediana). Eu me lembro de ter tentando te chamar para fazer algo só nós dois, algumas vezes. Ter falado que eu sentia sua falta, e que nos víamos pouco, e ainda fui obrigada a ouvir uma piadinha besta, me comparando com uma das tuas namoradinhas.De ter me oferecido pra te ajudar com a casa na chácara...
Da ultima vez que nos falamos, você disse que estava muito ocupado e que eu não entendia. Foi quando eu vi que eu não era a única. A relação que estávamos tendo era nojenta, era na base de precisar algo de alguém. É disso que eu preciso de um tempo
Não me venha dizer que você é uma pessoa excelente, que pelo menos você não é alcoólatra, não me bate, e que nunca me faltou nada. Porque eu também sou uma pessoa boa, não bebo, não fumo e nunca fiquei grávida. Então perante aos olhos dessa sociedade falsa e moralista, ambos somos pessoas excelentes, e porque não, por algum motivo até dignos de admiração.Eu odeio esse tipo de bla bla bla, isso sim é coisa de gente medíocre.
Eu tenho um sentimento por você, é fato. Você já fez muitas coisas boas por mim. Já me deixou feliz, já me deu força, e já passamos bons momentos juntos. Mas colocando na balança, não tem comparação. Até um tempo, isso foi sua obrigação, agora eu amadureci, e passa a ser nossa obrigação. A culpa disso é nossa, a responsabilidade de reverter essa situação também. Eu to tentando... mas preciso de um tempo.

Deixa?

Deixa eu te chamar de “amor” hoje? Deixa eu te fazer feliz? Deixa eu te matar de rir com as minhas indagações malucas? Deixa eu te tirar do serio? Deixa eu te provocar? Deixa eu acreditar que você é um homem que vale a pena? Deixa eu pensar que você me queria aí esse final de semana? Deixa eu fingir que você me merece? Deixa eu te contar tudo que fiz hoje de manhã enquanto você dormia? Deixa eu me iludir que você realmente sabe o quanto eu sou especial? Deixa eu te mandar mensagens, como aquelas que eu já te mandei antes de dormir? Deixa eu te mostrar minha tatuagem? Deixa eu ouvir sua voz? Deixa eu pensar que você quer meu bem? Deixa eu acreditar que você vai me dar uma xícara de leite? Deixa eu falar que eu estou com saudade de sentir sua boca no meu pescoço, fazendo barulhinho de “pum”? Deixa eu rir do seu perfume sem tampa, que você colocou papelão na ponta, com medo de vazar no meio das roupas? Deixa eu te ver dançando engraçado de novo? Deixa eu rir da sua cara de bobo quando eu te surpreendo? Deixa eu me sentir uma completa idiota falando de você pra você? Deixa eu me drogar de você? Deixa eu me embebedar de você? Deixa eu ser presa por excesso de você no sangue? Deixa eu engordar uns setenta quilos de você? Deixa eu te dar um caldinho na piscina? Deixa eu te dar banho? Deixa eu acreditar que nada é por acaso? Deixa eu escrever tudo errado? Deixa eu lembrar que eu tenho vinte e poucos anos? Deixa? Diz que sim? Mas só por hoje!
Está tudo tão certo, tudo tão bom, tanta coisa interessante rolando para fazer, lugares interessantes para viajar. E não ter ninguém para chamar de amor no meio de tanta coisa boa, deixa tudo isso meio blasé, porque no fundo eu sou blasé. Ou não, talvez seja porque eu sempre quero mais, e nunca me contento com nada. Porque a minha fome e a minha sede nunca passam, porque meu rio de lágrimas nunca seca, porque minha gargalhada nunca termina.
Há outras possibilidades de ter algo mais, para o dia ficar mais perfeito, mas eu quis chamar alguém de “amor”, não posso? Já faz tanto tempo eu não faço isso, por causa do meu jeito "eu não estou ao seu alcance", que nem lembro se é tão gostoso assim. Eu lembro que é brega, mas e daí? Hoje está tudo tão “auraití”, que eu nem vou ligar em ser brega, bonitinha, bobinha, ou qualquer outra coisa que meu ego não me deixa ser.
E então? Vai deixar ou não? Sim eu garanto! Te dou minha palavra, será só por hoje. Ah, depois volta tudo como antes, no máximo as coisas ficam como estão. Não foi esse nosso combinado? Como assim, por quê? Simples meu caro, vai que acreditemos que tudo isso é verdade.

Não me aceite como eu sou


Em meados de 1996, era moda toda garota ter um caderno de perguntas e respostas. E digo mais, na verdade era uma forma estratégica de conseguirmos as informações necessárias sobre o garoto da vez. Mulher já nasce inteligente, sentiu? Eu mesma tive uns três cadernos, um para cada turma.
A primeira página era em branco, ou como em um livro, escrito “caderno de perguntas”, de fulana de tal. Em cada página havia uma pergunta, os meus possuíam uma média de 39, e a última pagina a ser escrita sempre era algo do tipo: “me deixe uma recordação”. Uma vez colaram um pentelho com durex . Ai que nojo! Nota de cem reais, filhodaputa nenhum colou, né? Por que será?
A primeira pergunta era o nome, e a lei era colocar o número por ordem crescente, antes da resposta. Depois perguntava data de aniversário, cor preferida, se a pessoa estava ficando com alguém, com quantas pessoas já tinha ficado... Bom era aquele tempo, quando a moda era ficar, e não pegar, que se conseguia saber de cabeça o número de pessoas beijadas em toda a vida, e incrivelmente, os nomes também. E depois de ter ficado com o mesmo garoto três vezes, já era namoro. Totalmente diferente de hoje, dessa orgia liberada que “é a pegada”.
No entanto, a pergunta mais idealizadora era: “Como é a pessoa ideal para você? Ela já existe?” E isso me envergonha pela resposta que eu sempre dava, “alguém que me aceite como eu sou! Sim, ela existe, eu só não sei onde está!”. Eu não era a única, metade dos amigos escreviam a mesma coisa. Mas eu relevo essa época de ginásio , porque eu era bobinha, assim como todas as minhas amigas, graças a deus.
O pior é que tem gente que ainda pensa assim, depois de adulto! Que deseja alguém que a ame como ela é! Que apenas goste dela! Ô Falta de amor próprio! Eu não consigo nem pensar nisso sem querer vomitar, onde está o banheiro mais próximo, por favor?
Em algum momento depressão, do tipo, quero me enforcar no chuveirinho do banheiro, ou ninguém me ama, ninguém me quer, eu sou horrível, eu até dou um desconto, mínimo possivel, porque cada caso é um caso.
Mas vamos ser honestos, se contentar com alguém que te ame como você é, soa como falta de auto estima em exagero. Bridget Jones que me desculpe, mas se apaixonar por Mark Darcy, porque ele “gosta dela como ela é”, é auto flagelação interior. Eu admito que toda vez que vejo o filme, fico babando por ele! Mas é pelo poder, pelo jeito homem dele ser, de agir no tribunal, pelas caras e bocas. Vai dizer que não da um “T”, ver um homem mandando ladrões pra traz das grades, ou defendendo um inocente, que ganha processos atrás de processos? Não dá um “ar” de super homem? E eu juro pro papai do céu, que se me der um Mark Darcy da vida, serei fiel até nos pensamentos.
A coisa vai muito mais além do que se sentir aceito, é você ter que aceitar alguém exatamente da forma que a pessoa é, com todos aqueles defeitos, que você julga imperdoáveis, mas que acredita que se houver amor tudo é contornado, até a paixão passar, o dia-a-dia se estabelecer, e esse defeito ser a gota d’agua do relacionamento. E você sabe exatamente do que eu falo.
Quantas pessoas que começaram um relacionamento e mudaram atitudes, para melhor ou pior, você conhece? No mínimo muitas! E sabe por quê? Porque elas não foram aceitas exatamente como elas são pelos parceiros, não se encaixariam. E isso não é falta de carinho, compreensão, ou amor...
Não estou falando, que se a pessoa é extrovertida, por ter um relacionamento com uma outra que é tímida, tem que mudar as amizades e sair menos.
Eu estou falando de um companheiro que puxe a garota pelo braço, e diga que chega de bebida por hoje. Que fale que com a saia daquele tamanho ela não vai nem até a esquina, porque agora ela tem alguém, e deve respeito a essa pessoa. Que explique que ela precisa relaxar mais, e não ser tão intensa, porque isso faz mal para ela. Que a mande calar a boca na frente dos outros (somente quando necessário), caso contrário à única amizade que ela terá será a própria arrogância.
Falo da mulher que ensina o homem a se vestir. Que faz ele ser mais feliz, que da a esperança de que tudo vai dar certo, porque ela o ensinou a sonhar, que esses mesmos sonhos podem ser compartilhados com ela, e que ela não rirá deles. Que faz ele pensar menos, e sentir mais. Que mostra que homem pode chorar sim, porque ele vai ter ela ao lado para ser consolado.
Isso é não aceitar o outro como ele é. Ou seja, é gostar, é cuidar, é querer transformar-lo em uma pessoa melhor.
E diferente daquela menina de nove anos, hoje eu torço, para achar alguém que não me aceite como eu sou, e espero, que aquelas minhas amiguinhas bobinhas do ginásio também.