Boris Pasternak
As revoluções duram semanas, anos; depois, durante dezenas e centenas de anos, adora-se, como algo de sagrado, esse espírito de mediocridade que as suscitou.
Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infiabilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade.
Os progressos da ciência obedecem à lei da repulsão: para dar um passo em frente, é preciso começar por derrubar o domínio do erro e das falsas teorias.
Temos de descobrir segurança dentro de nós próprios. Durante o curto espaço de tempo da nossa vida precisamos encontrar o nosso próprio critério de relações com a existência em que participamos tão transitoriamente.
A arte serve a beleza, e a beleza é a felicidade de possuir uma forma, e a forma é a chave orgânica da existência; tudo o que vive deve possuir uma forma para poder existir, e, portanto, a arte, mesmo a trágica, conta a felicidade da existência.
O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver.
A felicidade solitária não é felicidade.
O que é a história? É o trabalhar para elucidar progressivamente o mistério da morte e vencê-la um dia.
Também a vida é só um instante,
apenas um dissolver-se,
de nós mesmos nos outros,
Como um dom que se faz.
Apenas um rumor de bodas que,debaixo,
irrompe pelas janelas,
nada além de um canto, um sonho,
uma pomba azul-cinzentada.
A arte primitiva, a arte egípcia,a arte grega, nossa arte, seguramente, através dos milênios,são uma e mesma coisa, a Arte, sempre no singular.É um certo pensamento , uma certa afirmação sobre a vida, demasiado universal para que seja possível decompo-la em palavras separadas; e quando um átomo dessa força se insere numa mistura complicada, essa parcela de arte pesa mais que o resto e torna-se a essência, a alma e o fundamento do conjunto representado.
Mas todas as mães ,sem exceção, deram à luz grandes homens e se a vida as enganou em seguida, delas não foi a culpa.
Adeus, esforço de asa apenas acenado,
livre obstinação de voo,
universo pelo verbo revelado,
criação e prodígio!
Quando você não pode ver dentro da alma de alguém, tente ir embora e então ela volta.
Definição de poesia
"Um risco maduro de assobio. O trincar do gelo comprimido. A noite, a folha sob o granizo. Rouxinóis num dueto desafio. Um doce ervilhal abandonado A dor do universo numa fava. Fígaro: das estantes e flautas - Geada no canteiro, tombado. Tudo o que para a noite releva Nas funduras da casa de banho, Trazer para o jardim uma estrela Nas palmas úmidas, tiritando. Mormaço: como pranchas na água, Mais raso. Céu de bétulas, turvo. Se dirá que as estrelas gargalham, E no entanto o universo está surdo."
