Ariela Venâncio

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Existir... Pra quê ?
Se tudo que mais gosto não existe.
Minha vida, meu amor... eu, você.

Ressaca

Eu quero que tudo se exploda enquanto eu uso meu banheiro
Depois de uma ressaca por conta do álcool e da dor alegre
Quero que tudo se exploda, com ou sem vomito.

Tamo na merda

Somos apenas uma merda na multidão ou então humanos no meio da merda.
Melhor seria se o mundo fosse um banheiro,seria mais fácil controlar essa bosta toda.

Pique-Esconde

A morte me parece uma brincadeira boba de pique-esconde.
Da qual nunca sinto jogar, se ao menos nela eu confiasse lhe daria a mão para me levar,
Mas a traição de me tirar a vida me parece imperdoável, e o perdão pra mim é para os mal informados por que no fundo somos todos fracos.

Apaga o cigarro inconformismo ?

Acende e espalha a fumaça, depois preenche o que falta numa caixa
Tão pouco vazia, tão pouco lhe faltava espaço
A caixa se enche sem caber mais nada, empurra empurra até que a caixa se rasga
Cola os contos, as partes de baixo tenta fazer com que nada espalhe, saia do espaço
Machuca o dedo com algo que se tem no fundo, se irrita, desgraça a vida.
O cigarro apaga com o vento, o acende de novo
A caixa se rasga, espalha o que tanto ela queria guardado
Joga tudo no chão e joga a caixa no fogo
Se senta, coloca na mesa tudo o que na caixa nada cabia
Sem que a caixa se rasgasse todinha, queria realmente espaço
A caixa na verdade pulsava queimando no fogo, queimava sem nenhum esforço
As paredes que impedia o vento estavam pretas por fora e por dentro
A caixa não servia pra nada, servia só pra machucar o corpo
Com tanto peso e tanto esforço
Nada nela cabia, de tudo ela queria colocar mas a caixa de nada queria
Tentava guardar o mundo na caixa até amores sem graça
Mas a caixa filha de uma puta exigente, se sentia no direito de mandar na vida
Ela aceitava, com o peso da dor que a caixa fazia
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Queimava, esquecendo assim a dor que ela deixava
O espaço continuo, a caixa toda se queimou
A caixa agora queimada tinha as paredes, o fundo e o chão
Que parecia seguir a mesma proporção
Levantou-se pegando a caixa agora machucada querendo guardar o que nela não se guardava
Acendeu o que seria o ultimo cigarro. Inconformismo pela falta de espaço.
O fogo que queimou a caixa de nada adiantou, a caixa continuou fria e sem espaço pro amor
Ela nada mais queria sentir, então de vez de jogar a caixa de novo no fogo
Jogou o mundo e todo o sentimento bobo.
A caixa servia como coração, a caixa seria o coração
Sem espaço e quase sempre com solidão.

Plural

Eu, você, nós, agora me parece realmente sustentavél usar essas palavras.

Vazio mal ocupado

Eu tenho essa sensibilidade de tinta velha.
Eu sempre tive isso aqui incorporando minhas veias em vez de sangue, e sempre que percebo que minha ave velha e triste inventa de sair pela garganta esmagando minhas tripas e sufocando meu ar, eu me seguro até encontrar um lugar vazio e escuro para engolir com uma dose forte de álcool a ave infeliz que tenta de alguma forma sair, demonstrando um outro eu que tão pouco existe, e sim ele existe.
Mas não, ele não ira sair,não é a hora de me desmanchar em lágrimas com plateia e falsos aplausos, num momento tão egoísta e tão meu.Tão seu, meu.
Agora sinto a garganta ardendo, invento uma gripe com a desculpa da inflamação, que joga fora uma grotesca dor de solidão, sim isso acontece quando se sufoca tudo dentro de si,sem arrependimentos ou reclamação volto pro meu quarto bebo um pouco de remédio querendo que cure a dor que machuca o meu coração, acendo um cigarro e paro por alguns segundos de sentir.
Já que em mim essa dor quase não para... e se para nem repara.

Costume qualquer de sentir

O mal que me estranha é o mal de estar feliz
Pois sendo triste, não estarei feliz. Não realmente.
Mas o que me importa, tenho um alivio maligno no peito
Um tumor que pulsa sangue, todos os dias e adormece com o chegar da noite.
A defesa que tenho é a solidão, o único meio é estar bem comigo mesmo
Não que tudo que venha com a palavra mal seja realmente má
Esse significado é tão meio termo para tanta projeção.
Não estranhe só porque estou feliz, em um lugar que nunca me senti bem. Meu corpo.
Mas eu gosto dessa alegria repentina, gosto também da dor, melhor que nada sentir
Nem dor, nem amor... Sentir me cansada me basta até
E não a bem propriamente dito, porque o bem necessariamente não seja bom
Ou seja, tanto faz.
Mas o que quero dizer, é que essa alegria que me bate é sem cor nem motivo.
E se sou triste é por que quero, por que a dor nem sempre é motivo de tristeza
Eu tenho dor na barriga quando me alegro muito, não que estar alegre seja algo de Consciente.
Mas o que se expressa nessa minha alma de coisa nenhuma
É o sentimento de que o mal e o bem talvez na verdade não exista
E que a dor seja aquela quando se sai sangue da pele, e a felicidade
Seja apenas acorda com um dia frio e tomar um café
Porque eu gosto desse pensamento que estamos apenas sonhando em plena realidade
Porque tudo o que te sufoca, um dia te fará bem ou mal.
Mas talvez o bem e o mal sejam apenas opiniões diferentes,
Gostos diferentes, talvez sejam apenas mundos diferentes
Ou palavras arrancadas do dicionário.
O mal que me atingi é a felicidade de admitir a tristeza como um bem qualquer
Mesmo ela não sangrando, mesmo ela não falando comigo eu a sinto
E admito que o cansaço me faz realmente acostumar-me com ela.
Como coçar os olhos para expelir o sono, quase como um extinto
Ou mesmo como um costume qualquer. – Banal.
E na verdade nunca sei se é isso mesmo que quero expelir ao coçar os olhos
Talvez seja só vontade de tocar em algo que nunca vejo com olhos propriamente ditos
Que nunca consigo realmente tocar, sem que lágrimas me cainhem
A dor talvez seja assim, de tanto tocar na alma ela machuca
Destrói, de tanto tentar sentir o que não se sentir.

Sinto me cômoda, ao vulto da minha voz
No reflexo do meu mundo destruído, talvez por mim mesmo
Já que todo esse egoísmo me força a pensar nos outros
Só para o meu bem, e não a nada que eu não faça
Para o meu bem...- E dou-me por satisfeito!

E carrego me pelos corredores da cidade
Isolado e sozinho, já que assim mesmo eu quis,
Eu poderia escolher qualquer mundo
Mas decidi viver no meu, frio e solitário
E me magoa pensar, que sofro sozinho.

E por fim tenho sono,
Porque na verdade não sou egoísta, mas triste.

Evidente.

Andei matutando os pés
Nunca gostei de autonomia
Me sinto fraca gostando de andar sozinha
Mas a culpa é sua garota por nunca entender o que escrevo
Seria fácil agradar se você não comparasse minhas palavras com esterco
Passei em uma loja cara de moveis, achei bonita a cama
Lembrei de você dizendo que me ama
A cama era bonita, mas você não merece uma cama nova
Nem uma chance, nem uma volta
Compreendeu que a multidão dos meus pesares te ignoram
Aqui, ali, do lado de lá, do lado de cá
Agonia, agonia

Vista nua.

O engraço do medo dos outros é não encontrar em você o que eles não possuem, sonho bobo.
O amor não passa do reflexo dos olhos de um outro.
Eu realmente me canso tentando agradar, não manipular ou no máximo não rir e xingar
Uma meia população que tem a graça de me incomodar. Difícil ? Tenha apenas vícios.
Eu parei, cansei, até arrogante fiquei, pra meios termos tenho dois dedos
Incoerência no momento êxtase do meu calor, amar. Amar. Amar.
Merda eu não gosto de amar, depois do fim é dor.Dor. Dor. Dor.
Nem o doutor resolve, ou almoço de sincero sem elevador.

Autonomia regressiva se sentindo feliz em contado com o outro
No ónibus lotado, na fila do pão, na hora de pagar as contas
Não senhor, esse contado nem mesmo faz carão
Eu falo do contado de pele nua, nua com roupa pouca ou nenhuma
Vista nua, de dois de um outro
A primeira vista, na outra não exista
A forma mais fácil de amar, sem cobranças ou culpas.
Amor de um dia, também é amor.

A caixa servia como contra mão, apoiando-a dando proteção
De coração ela não tinha mais nada, agora ela servia como aliada
A caixa dentro dela, e ela fora da caixa
A caixa tinha seus pertences que na caixa eram guardados com maior cuidado
Os pertences só serviam se no reflexo a encontravam
Não tinha esforço ou outro meio gosto, não se gosta de ninguém que te devolva o oposto.

Inferno cómico de teto pro chão.

''Corria em direção ao chão, do teto no inferno
Machucava as mãos segurando a caixa chamada coração
Sem saída, sem caminho, pra lá, pra cá
Era um sonho, uma realidade, grande fatalidade
Eu não sentia minhas pernas, nem meu corpo no chão, jogado, molhado quase morto
A voz não saia, nada se movia apenas meus olhos cegos
Meus ouvidos surdos, barulhos mudos, gemidos sóbrios de sexo
Nada me tocava, nada se sentia, areia molhada, cansada e velha
Na boca gosto de suor, a pele rugia no teto ou no chão do inferno
Quente, Forte e de alguma forma cómico
Corpos na apologia do sexo, o céus eu estava no inferno.

Eu não tinha cabelo, nem roupa, nem vida, nem alma, nem tato, olfato
Rastejava no chão quente, talvez fosse frio meu corpo era um ponto vazio no espaço
Espaço que não cabia, tanta falta de vida jogada por lá
Não tínhamos rostos, nem cor apenas peitos, olhos e paladar
Tudo tinha gosto de suor
A terra era santuário de roupa com mãos dadas pro ar
O inferno era cómico, muito engraçado, vulgar.

Gritavam meu nome, a rainha damacascar
Éramos Reis, príncipes e servos, todos tristes e preços no inferno
A dor era parte do corpo, morto, vazio do sufoco
O passado passava em uma grande tela no chão da parede do teto
A carne pendurada nós pés que eram mãos que ficavam perto do coração
Não se saia mas sempre se entrava no inferno cómico e sem graça.

Era sonho, sonho dos ruins... Acordei de mão fechada
Rindo perdidamente, achando graça
Eu ainda tinha vida, melhor tinha alma
Acendi meu cigarro para comemorar a volta de uma viagem não programada
Que me corria nós olhos abismados e carregados, vazios, vagos
O inferno era cómico mas no final não era nada engraçado''.

A relutância míope não tão cega, pouco vista.
Aparentemente organizada na fila do pão, entre eu, meus olhos e o mundo.
Entre linhas cegas e surdas, faladas e escritas.
Embasam a pouca nitidez que tenho da realidade
Que adormece embriagada retraindo sons, falsos altos.
Adormeço sem saber se ali estou, viva-morta, tédio cego. Reto, quase infinito.
Percebo que tão pouco morta-viva, apenas existindo.Resistindo.

No intervalo o amor tornava-se a si mesmo, fugindo.
Ela corria com os olhos verdes claros que entre manchas de água se tornavam mar de agua salgada
Salgando a boca que no impulso beijei, Fechava os olhos e o coração batia além do meu corpo que me doía todo, sem mais nem menos eu descobri que toda essa dor era de certo alguma forma de amor.

Agonia de plateia mórbida, palmas seguidas e cabeças idiotas
Gritar, gritar, gritar, raiva, odeio, dor, esqueça vou procurar o doutor
Remédio pra loucura é o mesmo que pra dor de dente ?
Enrolar uma corda no pescoço, arrancar o dente e a vida
Corda flácida, mal sabe acabar com o tédio, me joga no inferno.

''Sinto que quando amamos tudo doe mais até um café frio.''

A minha vida acaba sempre quando de manhã acordo!

Ana, Ana, Ana seu nome me chama
Me ama, me ama, me ama
Me engana

Mas você me vem de volta desprezando as minha opiniões
Restringindo o meu mundo. Mas vizinho você é intimo, de certo seja eu!

Então eu e você estamos interligados, presos
Porem eu preciso tirar a poeira do tapete, tirar as vidas de baixo dele
Sufoca-las de uma vez ou adentrar dentro delas. Sufocar-me, adentrar-me !
O que posso fazer é segui-lá, segui-lá consciência
Mas agora irei ficar nos trilhos brincando de ser meu próprio hospede...

Hospede na minha consciência!

Sinta o gosto, repare o oposto
O igual é banal, chato, formal
Observe, confirme o engano
Aproveite o papo, relate o ato
Aprecie o desejo esqueça o erro

Fique mais um pouco, depois vá, depois volte.

Cansada, latente, arrogante e pouco vista
Dor de garganta sempre no final da dança
Mastigo meu odeio com rancor latente no coração
Constrangimento, míope, cega, como queira chamar
Tenho pressa que regressa no meu paladar a dor
Que batendo se mistura ao cansaço, visto - falado
Que se torna em mim uma montanha de elevador.

Agora preciso de uma cara madura para conseguir muito status
Nada me parece barato, nem a sola do meu sapato
Meu primeiro formigueiro em frente ao banco do estado
Parada, decidida, agora vivo sem garantia de trabalho
Bem informada, bem arrumada, de salto alto.

Eu odeio tornar cotidiano em mim esses sentimentos Banais, e por mais que me frustrasse como individuo eu os deixei entrar
Sem nenhuma cerimônia, habitando a caixa e a ocupando
Sufocando as regalias que me propus a ter das quais amar ficava em ultimo lugar
Para de propósito não ter a dor como aliada, mas já agora ela é intima
Se de certo comanda minhas duas mãos que enfraquecem o pincel e torna fraco o que havia a lhe dizer.
Foge de controle as minhas palavras e quando a mim voltam, se tornam essa rasura de dor
Essa fraca carta de amor.

- Seguindo eu mesma, sendo eu mesma, sendo de mais pra mim
Por que ando parando com essas, esses, se assim posso dizer seres que são meus vizinhos
Donos, ladrões, vespas, sangue sugas, que sugam, sugam algo inabitável dentro de mim
Eu mesma !

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