ALISSON

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SOLIDÃO: UMA NOITE ETERNA

Os dias estão se passando... as noites cada vez mais se tornam amáveis, meu quarto então... o meu melhor amigo, o único que me conforta com seu silêncio, meu travesseiro, um ombro para muitas lágrimas... Há uma guerra agora, não feita por homens, mas interna,(e intensa) sentimentos opostos batalham, os soldados da tristeza ganham mais campo, mas não posso deixar, não estou só (certeza tenho), porém, a posição que cada vez mais toma forma e permanece inalterável é: ser só, por que eu quero chorar? Por que a solidão é a minha mais fiel companheira? (rumos de uma convicção certa: sonhos vazios, um quarto triste, mais uma noite sem fim).

Meu amigo está na minha cabeça, amizade é uma criança crescida, inoscente, que sente, que fala, que repreende, que aconselha, porém, a amizade verdadeira é resistente como diamente, transparente como água, sensível como a luz do sol, no entanto, essa pessoa não existe, (não de carne e osso) essa pessoa sou eu, (a de carne e osso) o meu cachorro está ali.

O SOL DA MEIA NOITE:

Palavras me impedem, desejos se guardam em mim, a euforia do momento entorpesse minha mente, o sentimento é interno, gestos proibidos, desejos escondidos, inoscencia revelada, socorro colorido – estou preso, não há quem me tire daqui, somente eu sou meu advogado, meus direitos e meus deveres são negligenciados, são arquivados, a lei não permite, eu não posso, eu não devo, lágrimas me rodeiam, pensamentos me incendeiam, a vil carne deseja se manifestar criminalmente, porquanto, sonhos são expelidos pela madrugada numa noite de lua cheia, intensos sonhos, tudo o que a vil carne deseja finalmente são realizados, concretizados de modo imcomparável. Momentos ofegantes, sensações incríveis, agora sim posso, tudo posso, não dever não existe, sorrisos me contemplam diante o encanto dum dia interminável, dia este mui absurdo, extraordinário, sensacional, fiz de tudo, me declarei, a paixão está no ar, foi um espetáculo, eu beijei, natural tudo foi! O pôr do sol está irradiante, amarelo e bem arredondado em cima da montanha, tudo lindo! Que sol lindo! Porém, infelizmente o clarão do sol feio apareceu pelo corredor decretando mais um interminável dia preso nas ânsias do meu coração.

Os olhos das crianças apontam para os caminhos da esperança

Contentarmos com aquilo que temos é a razão para compreendermos os outros.

Querida

Na verdade, eu acredito que nessa vida, com freqüência estamos tentados a crer que ela não é uma criação do sentimento, nem um jogo caprichoso, inconsciente e uma imaginação enganosa, mas uma realidade verdadeira, algo que realmente existe, algo real e palpável. Por que então, nesses momentos de viver irreal precisamos conter a respiração? Por que meu coração começa a agitar, vai inspirando pouco a pouco um novo anseio, enchendo de modo sedutor a minha fantasia, e evocando sentir sensações antes contidas? Por que, como por efeito de um feitiço inexplicável, bate mais depressa o pulso, correm as lágrimas dos meus olhos, põe-se como fogo nas pálpebras desse sonhador, e sem ser parece fundir-se em um prazer sobre-humano? Por que há noites inteiras em que passo mergulhado em inesgotável alegria e grandiosa satisfação, sem pensar em dormir, senão por um breve instante? Por que tenho então a sensação de quase morrer de felicidade, como todo meu espírito morbidamente comovido, e com tudo isso, uma sensação de dor tão docemente penosa e medo de viver tudo isso? Talvez as respostas repousem em meu coração ou seria simplesmente uma: eu estou amando! E seu coraçãozinho, tão distante e indecifrável, poderia me responder? Que represento diante desses olhos lindos que torna o mundo mais feliz! Essa é a minha dolorosa dúvida meu Deus! Que me faz estremecer e ficar cravado no chão sem poder lhe dizer uma só palavra. Como tenho medo! Que pensará de mim! Em razão disso lhe escrevo Querida, para que saiba de mim e se for a sua vontade, dei-me a certeza de afluir em meu coração à esperança que você sente algo por mim e possa nutrir e buscar nas cinzas uma centelhazinha, uma só, por pequena que seja, para nela soprar, e com a luz assim criada, acalentar o coração e despertar de novo em mim o que era tão grandioso, que comovia minha alma e arrebatava o sangue, aquilo que fazia afluir lágrimas aos meus olhos. Por favor! Não deixe que as dúvidas corroam meu ser; qualquer que seja seu sentimento, responda a esse e-mail. E me perdoe pela covardia, pelo modo de dizer as coisas, não tenho o dom de me expressar. Se, por nenhum momento de sua vida, você não sentiu nada por mim, que minhas esperanças não têm sentido ou outra razão, por favor, desconsidere essas singulares e verdadeiras palavras, mas assim mesmo responda.