Aline Diedrich
Por menor que seja uma ação e ainda que seja apenas uma...já é o começo!
Uma dose de poesia, o som de um violão, um pouquinho de sarcasmo e acrescente o que sua imaginação permitir...
Tem gente com doenças terminais, tem gente morrendo de fome, tem gente sem lugar para morar, tem pai matando filho e filho matando pai... E tem gente que pensa que tem problemas...
Pior do que alguns gostos amargos são os desgostos que a vida ensina a provar...
Talvez não possamos mudar o mundo, mas estaremos cientes de que fizemos nossa parte...
Ações individuais dão vida ao conjunto que o mundo precisa para mudar...
Certamente irão me ver quieta muitas vezes, mas jamais diante uma injustiça...
Sábio é quem sabe que, às vezes, é necessário mudar...
O que é a vida se não uma sequência de capítulos?
Estranho,
Disseram para pensar menos no mundo
E que minha visão de tudo
É distorcida
Disseram, vai cuidar de sua vida
Deixe de bobeira, perder tempo com sonhar
Porque estes sonhos de mudar o mundo não valem nada
E a tendência é mesmo deixar para lá!
Mas quando eu crescer devo me tornar um destes poetas
Destes que falam o tempo todo de amor
E andam pelas ruas descalços
E despidos de todo e qualquer pudor...
Dominava o desassossego da razão. Sua liberdade era o desapego.
...Lia. Lia até demais. Só para tentar entender essa forma romanceada de se viver e deu-se conta que parecia com um daqueles personagens... Não alquimistas, astronautas ou alienígenas. Ele era um que fingia ser normal. Trabalhava, ganhava seu sustento, pagava tudo em dia, tinha cartão de crédito, meias brancas, roupas passadas, gel para cabelo e, quem sabe, um dia sofresse com calvície. E quando não estava perante os outros – amigos e paixões – era um errante que vagava pelas ruas e trancava-se em seu laboratório, com tantas teorias e nenhuma fórmula para preencher o vazio que tinha transformado o amor em um desses produtos da indústria cultural...
Mas jamais desistiria de ver os sapos transformarem princesas!
E a vida segue em seu ritmo normal, o planeta gira na mesma velocidade e asteróides continuam suas órbitas, enquanto alguns perdem suas casas e familiares, morrem por dores inexplicáveis e outros pensam que os seus são os piores problemas.
Cidadania poderia ser sinônimo de solidariedade! Mas se solidariedade não fosse palavra e sim ação? Solidariedade, fazer o bem não tem preço!
Andando por aí a toa
Num dia tão normal
Achando que ta tudo numa boa
Ultrapassando o sinal
Revivendo o passado
Do teu inferno astral
Transformando em poesia
Aquilo que outro dia
Parecia tão banal
Sem planos, sem pressa
Sem nada que impeça
De desmontar as histórias que eu mesma criei
Sem impor os limites
De tudo que um dia sonhei
Sem as ideologias cruéis
Do livro da lei
Que um dia
Por ironia
Inventei
Na vida a gente tende a criar
Fantasmas imaginários
Pra ninguém suspeitar
Os medos eternizados em diários
E de repente da uma vontade
De mandar alguém pra longe, pra outros lugares
Pra fugir de alguma outra vontade
E dizer pra quem não tem nada a ver comigo
Que não faço representações vulgares
Então, não te represento um perigo
E gritar loucamente
Olhando pro céu
Desculpa, se eu tenho mel
Pedi pra alguém ler minha mão
Adivinhar o meu futuro
Olha a minha situação
Viram um blecaute
Tudo escuro
E por provocação
Falaram que to sempre em cima do muro
Andei na contramão
Bati o carro
Fiz maior estrago
Pisei no barro
Contei aquele segredo
E machuquei alguém sem encostar um dedo
Fiz tudo errado
Pois errar é humano
Sendo normal ou muito insano
Perdoei da boca pra fora
Me desculpei com más intenções
Planejei uma fuga, ir embora
Transformando fatos em canções
Já não sei se me engano ou se cometo enganos
Já não sei se vale a pena fazer tantos planos
Andei na contramão
Bati o carro
Fiz maior estrago
Pisei no barro
Contei aquele segredo
E machuquei alguém sem encostar um dedo
Fiz tudo errado
Pois errar é humano
Sendo normal ou muito insano
E nisso parecia que não tinha uma saída
Mas você tava na linha da vida
As lembranças são as mesmas da parede da sala
Quando eu viajar vou levar na mala
Essas imagens que compõem o relicário
Por acaso aconteça o contrário
Restam as letras e o som do seu violão
Continuam sendo o que trago aqui dentro
Falo em emoção e sentimento
Um chalé escondido naqueles relevos confusos. Do alto da montanha a paisagem parecia uma pintura. Na lareira, o fogo e as cinzas que restavam. Dois copos de vinho. Risos. Sorrisos. Um quadro enorme na parede, cujas dimensões pareciam puxá-los para dentro de outra história (Van Gogh, Picasso ou Portinari?). Livros de páginas amareladas marcadas com uma dobra, empilhados na estante de madeira. O vento batia contra a vidraça, tentando achar uma fresta para invadir o lugar. O céu de azul intenso. Poucas nuvens brancas. Raios de sol.
O tic tac do relógio lembrava o ritmo de um blues. Um chiado estranho no rádio. Sussurros. Canções que nem conheciam, mas escritas por um poeta louco só para marcar seus momentos. Passos. Pés descalços no assoalho. Fotografias que eternizavam.
Assim descobriram que poderiam crer no impossível e acreditar mesmo no invisível. Fé. Então, o ódio jamais venceria o amor, a força seria capaz de derrubar qualquer indício de dor e as palavras sempre formariam rimas e, se caso não formassem, as frases também teriam sintonia, desconexamente.
E já nem precisavam implorar por um mundo melhor, porque tudo estava em perfeita harmonia. Entenderam o próprio milagre da vida...
...E quando chegasse o verão, poderiam viajar. Ver o mar ou tomar banho de cachoeira.
Ela o olhava, distante, curiosa e com certo receio. Em volta, meninos e meninas pareciam iguais, quase nus. Mais alguns passos. Afastou-se. Percorreu ruas e ruas. Quase nada. Somente tribos. Somente qualquer coisa que a antropologia pudesse explicar.
Em volta, os gênios estavam oprimidos. Os diferentes reprimidos. Os iguais, toleráveis, sempre juntos. Os injustos nunca punidos. Estranha, ela era. Vestia-se de jeito comum. Andava como queria. Falava sem pensar e às vezes pensava demais. Fazia trocadilhos. Engolia seu próprio sarcasmo. Dançava sons diferentes. Até tentava compor.
Não gostava de usar palavrão, embora também, por vezes, fosse um pouco vulgar. Contraditória. Gritava sem ter um motivo. Amava alguém que nem parecia ser tão anormal. Julgava. Era julgada. Apostava. Nunca se entendeu muito com a tal da certeza.
Não tinha dons. Não se encaixava em quase nada. Não tinha rótulos, ainda que rotulasse e decifrasse alguns códigos de barras.
Perdia o trem. Atrasava-se. Comprou um relógio de camelô. Cinco ou 10 “pila” no bolso. Um chocolate crocante. Um vício. Muitas virtudes.
Empurrada pro centro do universo. Pretendia continuar habitando aonde sua mala chegasse. Errante, não. Tentava fazer o certo, por mais errado que tudo pudesse parecer. Afinal, ela e um pouco dos outros, somente aparências... Por dentro podia ser outro alguém. Por hora, era só aquilo... Voltaria, um dia, para rever os estranhos.
Dominava o desassossego da razão.
Sua liberdade era o desapego.
O pensamento mais livre, sem convenções
Sem explicação, sem muitas razões
Só o ser por ser assim
Outro livro, outro disco, qualquer cor preferida
Que tal viver a vida...
...Perdia o trem. Atrasava-se. Comprou um relógio de camelô. Cinco ou 10 “pila” no bolso. Um chocolate crocante. Um vício. Muitas virtudes...
...Fazia trocadilhos. Engolia seu próprio sarcasmo. Dançava sons diferentes. Até tentava compor...
...Empurrada pro centro do universo. Pretendia continuar habitando aonde sua mala chegasse...
Corrompa-se ao rock!
Dizem que esta filosofia é coisa de mesa de bar
De poeta malandro que não aprendeu a rimar
Mas e daí, se o nosso divã é um banco de carro atolado
Ainda tem gente que pensa que rir é pecado
Mas e daí, se sou fruto dos anos 80
Alma de socialista e você nem esquenta
Mas e daí, se coleciono moedas, livros e discos
E você guarda garrafas e riscos, arrisco em falar
Mas e daí, eu culpo o planeta por fazer o sistema girar
E você desligou essa órbita, nem quer ativar
E qual o problema da minha cabeça de mundo e o seu mundo ser tão interior
Se no mesmo contexto o assunto é amor?
