Agton Barbosa de Souza

Encontrados 12 pensamentos de Agton Barbosa de Souza

A vida é um barco que navega sobre um mar de mentiras.
E quando esse barco afunda você se afoga em toda realidade.

Pierrot



Do ponto da desgraça
Ao que o coração empala
Como Pierrot o tolo ensaia
A espera de sua Columbina

Dentre o olhar de um Arlequim
A sempre de se seguir assim
Cântico do desprezo ao fim
A fim de vedá-la o sim

Desprovido de palavras
Atuando a encantá-la
Coração logo dispara
Almejando conquistá-la

Devaneio que vem de mim
Ali em meio às garrafas de gim
Castigando-me enfim
Ao pensar no querubim

Dispenso as esperanças
Agrego-me a insignificância
Calando o que sentia
Assim começo outro dia.

Você tem que acreditar



Você tem que acreditar
Todos têm que acreditar
Mais em que acreditar?

Que ainda a esperança
Que tudo que passa é lembrança
Pois a sempre concordância

Você tem que acreditar

Que tudo que é feio é belo
Que fazemos um céu do inferno
E temos que olhar, sorrir e gostar

Você tem que acreditar

Que o mais forte não tem defeito
Que não existe preconceito
E toda situação lhe vem a calhar

Você tem que acreditar

Que o que escrevo é verdade
Que não existe atrocidade
Que o justo não possa superar

Pois é...
Você tem que acreditar

Castelo de areia



Meu castelo de areia

Bate a brisa volta e meia

Ruindo os sonhos


Monto meu quebra cabeça

Desligo-me do que me rodeia

Deixando os pensamentos medonhos


Tento me adaptar

Acabo por me esgotar

Preso a teias passadas


Sempre a me enganar

Buscando me normalizar

Mais com asas curtas


Em livre queda

Sufoca-me a ânsia

Da invasão de pensamentos


Vejo que tudo me queima

Praticamente me condena

Malditos, malditos são os sentimentos.


Quero o óbolo pra pagar

Quero o óbolo pra descansar

E tranqüilizar dentre os moribundos


Em esquecimento fazer parar

Em lembrança se transformar

Somente coisas passadas


Vivencia longa, frustrada.

Sem entendimento, cinzenta.

Mais no fim apenas palavras exageradas

O reflexo



Procura em tua alma
Um belo cântico soturno
Que conte tua nostalgia
De algumas noites pelo mundo

Diga-me o que lhe falta
Nesse infeliz viver sozinho
E qual a tua proposta
Ao encéfalo render-se ao vinho

Nessa tua face tão sofrida
E de alma tão corrompida
Apenas ser o simples estranho

Uma quimera esquecida
Com a vida mal resolvida
A quem este componho _seu espelho_

Olhares platônicos



Tua boca aquece minha alma
Teus olhos são minha calma
Rasga-me o desejo de reencontrá-la
Com seu som, música, palavras.

Perdi-me em meus desejos
Segredos profanos em bocados
Ceda aos meus vícios proibidos
Venha, pois somos destinados.

Encanta meus sonhos senhora
Clamo por seu nome até a aurora
Abraça-me como outrora
Dancemos nossa valsa

Valsa dos loucos apaixonados
Musica dos tolos embriagados
De passos e olhares platônicos
Que sacia nossos pecados

Marcou minha memória
Com meu medo de amá-la
Que rebenta o peito e fala
O desejo de tomá-la

Mas somos proibidos
Apenas sonhos não vividos
De dois seres reprimidos
E corações desencontrados

O pior morto é o que ainda vive e derrama já as lágrimas de seu funeral.

A dor



A dor é uma vilã passageira,
Em meio ao prazer do acaso,
Desmancha-se a um simples afago
De qualquer inocente e fria.

Sonho privado


Meus próprios erros,
Fazem a alusão de que me conheço,
Desprendo-me entre seus dedos,
E parto para um recomeço.

Desejos, pecados precários,
Maltrato a lembrança do fato,
De minha quimera em pedaços,
Eu pseudo poeta do sonho privado.

Distorço palavras de tempos em tempos,
Presença plena de meu descontento,
Faço de cada um de meus segundos enfadados,
Uma pequena cicatriz com drama de um fado.

E por fim esta tudo como os quadros,
Um regalo enquadrado e moldurado,
Em um canto, em intervalos admirados,
Por quem sonha do outro lado.

Uma vida vivida


Arquitetura de um corpo moribundo
Que nem em todo sofisma sonhara
De tanto viver entre falantes e falácias
Acabei chegando a este ponto sem palavras

Dentre as vertigens vejo um mundo
E uma firmeza limitada me falta
Para um caminhar de linhas tortuosas
A esse desregrante de palavras sagradas

Um brinde a toda alma de boêmio
Um trago para adoçar a vida amarga
E um pensamento as noites fantásticas
Em que deixei amantes ou amadas

Não deixo o alento da vida para provar algo
Apenas fato de que foi bem apreciada
De sua epigênese até as esfaimadas bactérias
Em meu epitáfio apenas estará “Uma vida vivida.”

O importante para o "artista" não é a arte
Mas a inspiração que o levou a fazê-la
O primor equivale a inspiração
Ela é o fruto de qualquer idéia bem resolvida.

Amar para sempre


Fascina-me minha dócil inocente
Tocar seu olhar sempre distante
Aguardar seu retorno inconstante
E saudar minha saudade eminente
Sua necessidade descomplacente
Altera todo um sistema em corrente
Meu tédio atrelado é incoerente
Vejo-me sentir como todo tolo sente
Que seu ultimo amar será amar para sempre