Ano primeiro de Abril

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[POEMEU EFEMÉRICO]
Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril

Millôr Fernandes

ENTRE AMIGOS
12 de abril de 1999

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contruído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.

Martha Medeiros

*ÁRIES*
(de 21 de março a 20 de abril)

Branca, preta ou amarela
A ariana zela.
Tem caráter dominador
Mas pode ser convencida
E aí, então, fica uma flor:
Cordata... E nada convencida.
Porque o seu denominador
É o amor.

Desconhecido

*TOURO*
(de 21 de abril a 20 de maio)

O que é que brilha sem
Ser ouro? - A mulher de touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo faz a pista.
Depois que dona de casa...
E a noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta-feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.

Desconhecido

Era um capricho e nada mais,
Doce como um dia de abril,
Mas o seu olhar azul de anil
Roubou de vez a minha paz.

George Orwell

Jornal do bairro:
"Pescaria no rio Tietê"...
Primeiro de abril!

Hazel de S. Francisco

A infanticida Maria Farrar

Maria Farrar, nascida em abril,
sem sinais particulares,
menor de idade, orfã, raquítica,
ao que parece matou um menino
da maneira que se segue,
sentindo-se sem culpa.
Afirma que grávida de dois meses
no porão da casa de uma dona
tentou abortar com duas injeções
dolorosas, diz ela,
mas sem resultado.
E bebeu pimenta em pó
com álcool, mas o efeito
foi apenas de purgante.
Mas vós, por favor, não deveis
vos indignar.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Seu ventre inchara, agora a olhos vistos
e ela própria, criança, ainda crescia.
E lhe veio a tal tonteira no mei do ofício das matinas
e suou também de angústia aos pés do altar.
Mas conservou em segredo o estado em que se achava
até que as dores do parto lhe chegaram.
Então, tinha acontecido também a ela,
assim feiosa, cair em tentação.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Naquele dia, disse, logo pela manhã,
ao lavar as escadas sentiu uma pontada
como se fossem alfinetadas na barriga.
Mas ainda consegue ocultar sua moléstia
e o dia inteirinho, estendendo paninhos,
buscava solução.
Depois lhe vem à mente que tem que dar à luz
e logo sente um aperto no coração.
Chegou em casa tarde.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Chamaram-na enquanto ainda dormia.
Tinha caído neve e havia que varrê-la,
às onze terminou. Um dia bem comprido.
Sòmente à noite pode parir em paz.
E deu à luz, pelo que disse, a um filho
mas ela não era como as outras mães.
Mas vós, por favor, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Com as últimas forças, ela disse, prosseguindo,
dado que no seu quarto o frio era mortal,
se arrastou até a privada, e ali,
quando não mais se lembra,
pariu como pôde quase ao amanhecer.
Narra que a esta altura estava transtornadíssima,
e meio endurecida e que o garoto, o segurava a custo
pois que nevava dentro da latrina.
Entre o quarto e a privada
o menino prorrompeu em pratos
e isso a perturbou de tal maneira, ela disse,
que se pôs a socá-lo
às cegas, tanto, sem cessar,
até o fim da noite.
E de manhã o escondeu então no lavatório.
Mas vós, por favor, não deveis vos indignar,
toda criatura precisa da ajuda dos outros.
Maria Farrar, nascida em abril,
morta no cárcere de Moissen,
menina-mãe condenada,
quer mostrar a todos o quanto somos frágeis.
Vós que parís em leito confortável
e chamais bendido vosso ventre inchado,
não deveis execrar os fracos e desamparados.
Por obséquio, pois, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.

Bertolt Brecht

Ausente andei de ti na primavera,
quando o festivo abril mais se altavia,
e em tudo um'alma juvenil pusera
que Saturno saltitava e ria.

William Shakespeare

Quem sabe eu ainda sou criança
Ou um velho eu não sei
Quem sabe eu já entrei na dança
Quem sabe eu não dancei

Quem sabe eu não saiba nada
Ou saiba tudo que eu não sei
Quem sabe a hora está errada
Ou há horas já errei

Talvez eu deixe você escolher
Quem saiba eu ainda perca por aqui
Às vezes quero tudo que sonhei
Às vezes o que eu quero é desistir

Pedaços de papel rasgado
Em cima da mesa de um bar
Não fume, não beba, não viva,
Não pense em sonhar

Pedaços de um coração partido
Em frente a varias cartas de amor
Não chore, não ligue, não volte,
Não ouse me amar

Milhas e milhas eu fui percorrer
Por milhas eu não soube aonde ir
Às vezes não espero me encontrar
Talvez um dia eu te encontre por aí

Talvez eu deixe você escolher
Quem saiba eu me perca por aqui
Às vezes quero tudo que sonhei
Às vezes o que eu quero é desistir

Milhas e milhas eu fui percorrer
Por milhas eu não soube aonde ir
Às vezes não espero me encontrar
Talvez um dia eu te encontre por aí

Ah! eu sinto muito blues

Abril

Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão fragil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto...

Vinicius de Moraes

A gente podia ter podido tudo. Podia ter feito surtir efeito. Já é abril. E você ainda nem percebeu que perdeu. Todos ganham presentes, mas nem todos abrem o pacote. Algumas pessoas ainda, guardam o sorvete pra mais tarde. Eu gostaria imensamente de entender, mas a minha compreensão enfraquecida não consegue suportar certas verdades, nem ver mais aberta as feridas, minha compreensão quer descansar.

Autor desconhecido

Uma Carta de suicídio.


Terça-feira, 22 de abril do ano de 2011, são absolutamente 00:00 horas, e eu estou aqui, decidida a acabar com a minha dor, eu não queria ter que acabar com a minha vida junto com a dor, mas não encontrei outra solução. Há quatro meses atrás, perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida, e depois disso comecei a perder tudo, perdi o que tinha de mais valoroso, perdi o amor, eu perdi absolutamente tudo o que tinha, e até o que não tinha. Não tenho sinceras desculpas quanto a tudo isso, minha vida tá um caos, todos os dias, pessoas entram e saem da minha vida, não dizem adeus, elas simplesmente se vão… Eu sofro cada vez mais a cada partida, eu não suporto mais sofrer, eu tenho pensamentos absurdos, e cheguei a tal conclusão do suicídio, eu não sei dizer uma definição certa, eu não tenho um motivo tão óbvio para isto, eu só não suporto mais, desabei, caí, fraquejei… Não aguento mas e quero dar um basta nisso… Sabe aquele momento que você olha em todas as direções, vê multidões de pessoas, mas você está só, em meio a multidão. Eu gritava, ninguém me ouvia, eu chorava e ninguém enxugava minhas lágrimas, nem sequer perguntavam como eu estava, apenas me ignoravam, era como se eu não existisse… Por dias comecei a acreditar que eu fosse só um fantasma, uma alma penada, perambulando pela terra, sem rumo, sem chão, sem um propósito de vida. Então tomei essa decisão, sei que muitos irão me julgar, me mandarão ir ao inferno, mas eu não sei o que vai ser de mim daqui pra frente, não sei para onde vou, eu não sei nem aonde eu estou nesse absoluto momento, eu por diversas vezes tentei firmar meus pés no chão, mas era como se eu estivesse me afogando, procurando terra onde não tinha… Então, chegou a minha hora. Peço desculpa a todos, não pude significar nada na vida de ninguém… Agora minha alma caminha livre, calma até o infinito até o além… Até o eu sei lá para onde… Como meu último pedido, peço que escrevam em minha sepultura, essa pequena frase: ” Aqui descansa eternamente aquela que nunca soube o real motivo da sua existência, que nunca soube o valor que tinha sua vida

Laila Menezes

Como eu sou...

Sou amigo...
sou amante...
sou sempre constante...
sou pele...
sou cheiro...
sou ardente
e muito caliente...
sou fera...
sou homem...
sou olhares...
sou olhado...
sou puro...
sou safado...
amo!!!
e desejo ser amado...
sou eu e você...
e você eu eu...
te desejo...
e quero ser desejado...
por você meu amor...

Marcelo Fouquet Rosembrock abril 2010

Qυє αвriℓ ทσs τrαgα σs sσทнσs ทãσ rєαℓiʑα∂σs єм мαrçσ. Qυє vєทнα cσм вêทçãσs ∂є ραʑ, нαrмσทiα є sαú∂є!

Adriana Araujo Leal

Para o verdadeiro todo dia é o dia de falar a verdade. Para o mentiroso todo dia é dia de contar mentiras. O problema não é no dia, é na sua boca.

Marcelo Wagner dos Santos

Primeiro de Abril

Hoje é o único dia do ano em que as mentiras
são desmentidas com sorrisos
Bom seria se todos os outros dias fossem assim.

Carolina Carvalho (ByNina)

Qual a necessidade em homenagear a mentira, algo tão detestável e amargo com um dia só pra ela?
Particularmente, eu detesto mentiras, e não sei o que é pior: Ver alguém mentindo descaradamente para você, ver a pessoa tentando esconder a mentira, ou ser obrigado a confiar em alguém que você sabe que é muito mentiroso. Creio eu que essas são as 3 maiores dificuldades do homem ao lidar com a mentira.
A sensação de não conhecer a verdade, de estar sendo privado da realidade, de ter que "engolir" a situação do jeito que lhe foi exposta, sem poder intervir, e muito menos obrigar as pessoas a lhe contar a verdade, torna a mentira algo tão abominável a ponto de se tornar uma compulsão, existem casos que a pessoa começou a mentir e não consegue mais parar, se tornou uma loucura, um descontrole, um vício, uma doença.
Abraçar a verdade é a única maneira sóbria e inteligente de se viver no mundo de hoje, pois ao olharmos ao nosso redor, podemos perceber a triste realidade que nos circunda: Estamos cercados de mentiras.
São políticos, amigos, colegas de trabalho, de escola, professores, conhecidos e desconhecidos, todos, independente da ordem, compulsivamente mentindo. Uns para conquistar um certo objetivo, outros para tentar se vangloriar e parecer alguém que não é, outros simplesmente para se livrar de alguma enrascada. Mentiras, mentiras, e mais mentiras.
Em um mundo de mentirosos, quem carrega consigo a verdade, é rei. Ou pelo menos, devia ser.

Dimitry Duarte

O amor não enxerga cor
Sequer enxerga a dor que lhe há de causar

O amor não enxerga a altura da queda
Horas é vôo alto
Horas é no asfalto que se deixa encontrar

O amor é vertiginoso
É insistir no vergonhoso
É um coração bondoso a se doar

O amor é Ícaro
Inebriado pela sensação de liberdade e poder
Deixou a cera das asas derreter
E caiu ao mar

Iane Thomé

I
25 de abril...perdoem a minha igenuidade....
Descolonização dos países de lingua portuguesa....
Devia ter sido feita em paz....dar a escolher...
a todos aqueles que nasceram lá.....deviamos ter ...
tido escolha...escolha....onde deviamos ficar.....
mas atiraram-nos aos tubarões.
II
Tenho 48 anos....sinto-me uma estranha....
Nesta terra onde nasceram os meus pais....
Não sei donde sou...muitas vezes sinto-me ...
Sem terra ...sem pátria....quem sou afinal....??
25 de abril tirou-me mais, do que me deu.
III
Os homens vivem todos juntos....
Mas quando chega a morte.....
Morremos sozinhos e a morte....
É a suprema solidão......
Muralha fria onde habitamos....palavras de morte...
Imensas.....frágeis.....palavras que guardam
Nocturnas....gemidos...sobem ilegíveis.
IV
Cordas de violinos ...do sangue do mundo....
Triste.....triste das mortes ...triste da vida....
Morte do homem que não tem coragem de morrer.....
Morrer pelos outros....
Pior que a morte.....é a dor de quem fica....
De quem perdeu tudo.....perdeu.....e ficou sem nada....
É a saudade de quem era....que deixo tudo.....
E não sabe a quem....
Nem as lágrimas...acalmam a alma....
Nem a tristeza de quem chora.
V
O pior da morte.....é o desapontamento.....
Desencantamento...de quem não tem lar...terra ...pátria.....
Pátria que ficou em cinzas....
Sente que não pode continuar....sem força.....sem nada.....
Muitos que vivem merecem a morte......
Senhores da guerra...malditos......assassinos...
Corrruptos.......gananciosos.....são feitos em heróis....da pátria.
VI
De um país a arder....de uma pátria em cinzas...
Cheia de cadáveres....sangue....sangue dos inocentes...
Gente perdeu a vida que merecia viver.......
Desta guerra estúpida....estúpida ...maldita...
Este é o meu pensamento...a minha dor.....de um fatídico ano de 1975....
Saudade.. ..dos cheiros...dos aromas....do capim seco....
Ai Angola ....Luanda serás sempre Portuguesa, no meu coração.....na minha alma.!

Isabel MoraisRibeiro

Quando Abril chegar
terei a certeza
do quanto a vida passa depressa.

Sem espera, abre seus caminhos
pela ânsia de ser o que se deve ser:
Vida plena, intensa vida!

Abre as cortinas dos meus olhos,
lança em em meu coração
a luz da coragem e do discernimento.

Frente aos antigos desafios, destes novos tempos.

Abre as pétalas do acolhimento
amor-perfeito feito sonhos ao vento
semeiam alegrias, colhem fantasias!

Vida, tão sublime vida!
Enquanto me sorve, me envolve,
me contempla e me ensina.

E sempre, nos braços do Amor me devolve.

Ao mesmo me faz forte, ao mesmo me suaviza,
vivida entre os enganos e os acertos
de uma vida nunca em vão esquecida.

Carrego as lembranças que me comovem
enquanto vento frio, entre meus dedos, escorrem.
E os sons da brisa brincam entre meus cabelos.

Quando Abril chegar, Vida
terei a certeza do seu amor por mim!

Marcia Bandeira