Aniversario de 17 anos

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A Palavra de Deus é muito clara em Jeremias 17:9 ao dizer que o nosso coração é enganoso, por isso, não espere que seu coração se envolva com alguém para você começar a buscar a Deus, mas comece a buscar a Deus e deixe que Ele encontre para você alguém segundo o coração dEle.

Portanto, ORE para ENCONTRAR, não ENCONTRE para ORAR.

Jesuscopy

O Pecado da Incredulidade
Pr C H Spurgeon
P 1
2Rs 7:17 Dera o rei a guarda da porta ao capitão em cujo braço se apoiara, mas o povo o atropelou na porta, e ele morreu, como falara o homem de Deus, o que falou quando o rei descera a ele.
2Rs 7:18 Assim se cumpriu o que falara o homem de Deus ao rei: Amanhã, a estas horas mais ou menos, vender-se-ão dois alqueires de cevada por um siclo, e um de flor de farinha, por um siclo, à porta de Samaria.
2Rs 7:19 Aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poderia suceder isso, segundo essa palavra? Dissera o profeta: Eis que tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás. (II Rs 7.17-19)
Um sábio pode salvar uma cidade inteira; um justo pode libertar multidões. Os crentes são o sal da terra; graças à sua presença entre os ímpios, estes são poupados. Se os filhos de Deus não atuassem como preservadores das massas, a raça humana não mais existiria.
Na cidade de Samaria havia um homem justo: Eliseu, servo do Senhor. Na corte do rei já não havia mais apreço pelas coisas de Deus. O rei era um pecador da pior espécie, sua iniqüidade era evidente e infame. Jeorão andava nos passos do seu pai Acabe e fez deuses falsos para si. O povo de Samaria caíra como seu monarca: tinham se desviado de Jeová, esquecido o Deus de Israel. Não lembravam mais do lema de Jacó: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; em idolatria flagrante eles se inclinavam diante dos ídolos dos pagãos. Por isso o Senhor dos Exércitos permitiu que seus inimigos os oprimissem até que a maldição do monte Ebal se cumpriu nas ruas de Samaria: A mais mimosa das mulheres e a mais delicada do teu meio, que de mimo e delicadeza não tentaria por a planta do pé sobre a terra, olharia com má intenção para seus filhos e devoraria seus descendentes por causa da fome atroz. Nesta situação extremamente terrível o único homem santo foi o meio de salvação. Um único grão de sal preservou uma cidade inteira, o único guerreiro de Deus libertou toda uma multidão sitiada. Por amor de Eliseu o Senhor prometeu que no dia seguinte haveria comida, que já não havia mais por preço nenhum, para ser comprada pelo preço mais baixo possível, às próprias portas de Samaria. Podemos imaginar o júbilo da multidão quando o profeta pronunciou sua predição. Eles sabiam que ele era um profeta do Senhor. Ele tinha credenciais divinas, todas as suas profecias tinham se cumprido. Eles sabiam que ele era um homem enviado por Deus, que trazia a mensagem de Jeová. Certamente os olhos do monarca brilharam de prazer e a multidão faminta saltou de alegria com a perspectiva da libertação breve da fome. Amanhã, eles devem ter gritado, “amanhã nossa fome terá acabado, e teremos festa a mais não poder”.
Entretanto, o capitão sobre o qual o rei se apoiava expressou sua descrença. Não nos é dito se alguém do povo, dos plebeus, disse algo assim, mas alguém da elite sim. É estranho que Deus raramente escolhe pessoas importantes deste mundo. Lugares altos e fé em Cristo raras vezes combinam. Este homem disse: Impossível. E, com um insulto para o profeta, acrescentou: ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia suceder isso? seu pecado consistiu em depois de ver evidências repetidas do ministério de Eliseu, ainda não crer nas afirmações que o profeta fazia em nome de Deus. Com certeza ele tinha visto a derrota esplendida de Moabe; tinha ficado perplexo com a notícia da ressurreição do filho da sunamita; sabia que Eliseu tinha revelado os segredos de Bem-Hadade e tornado cegas suas hordas de assaltantes; ele vira o exército da Síria ser preso no centro de Samaria, e provavelmente sabia a historia da viúva que encheu todas as vasilhas com azeite e libertou seus filhos. Em todos os casos, a cura de Naamã era assunto de conversa comum na corte; mesmo em face de toda essa evidencia, nas barbas de todas essas credenciais da missão do profeta, ele duvidou e o insultou, dizendo que o céu precisava abrir-se inteiro antes que a promessa se cumprisse. Em resposta DEUS pronunciou sua condenação pela boca do homem que recém pronunciara a promessa: Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comeras." A Providencia que sempre cumpre as profecias, assim como o papel registra a impressão das letras destruiu o homem. Pisoteado nas ruas de Samaria, ele morreu à porta, ainda vendo a abundancia mas sem chegar a prová-la. Talvez seu procedimento fosse arrogante e insultuoso para o povo, ou ele tentasse controlar a correria desenfreada deles; ou, poderíamos dizer, foi por mero acidente que ele foi pisoteado; assim ele viu a profecia se cumprir, mas não viveu para alegrar-se nela. Neste caso, ver foi crer, mas não foi prazer.
Hoje quero chamar a atenção de vocês para duas coisas: o pecado e o castigo deste homem. Talvez eu diga pouco do homem, pois já descrevi as circunstancias, mas discursarei sobre o pecado da descrença e seu castigo.
Primeiro, o pecado, Seu pecado foi incredulidade. Ele duvidou da promessa de Deus. Neste caso particular a descrença tomou a forma da dúvida da veracidade divina, ou de desconfiança do poder de Deus. Ou ele duvidou que Deus realmente queria dizer o que disse, ou que estava dentro do alcance que Deus cumprisse sua promessa. A incredulidade tem mais fases que a lua e mais cores que um camaleão. As pessoas comuns dizem que o Diabo pode ser visto as vezes com uma forma e outras vezes com outra. Eu tenho certeza que isso também vale para o primogênito de satanás, a descrença, porque ela tem uma legião de formas. A um tempo eu vejo a descrença vestida como um anjo de luz. Ela chama a si mesma de humildade, e diz: não quero ser presunçosa; não me atrevo a dizer que Deus me perdoará. Sou um pecador ruim demais. Chamamos isso de humildade, e agradecemos a Deus que nosso amigo apresenta uma atitude tão boa. Eu não agradeço a Deus por um engano tão próprio como esse. É o Diabo vestido como anjo de luz; no fim das contas, é incredulidade.

O Pecado da Incredulidade
Pr C H Spurgeon
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Outras vezes detectamos a incredulidade sob a forma de dúvida sobre a imutabilidade de Deus: O Senhor me amou, mas talvez amanhã Ele me rejeite. Ele me ajudou ontem, e sob a sombra de suas asas eu estou seguro; mas talvez eu não receba ajuda na próxima aflição. Talvez Ele me expulse; Ele pode ter esquecido da sua aliança e deixar de ser gracioso. As vezes esta infidelidade esta incluída numa dúvida quanto ao poder de Deus. Sofremos pressões novas a cada dia, somos envolvidos em nossas dificuldades, e pensamos: Com certeza o Senhor não pode nos livrar dessa. Nos esforçamos para aliviarmos nosso fardo e, ao vermos que não o conseguimos, achamos que o braço de Deus é tão curto como o nosso e que o seu poder é tão pequeno como a força humana. Uma forma temível de descrença é a duvida que evita que as pessoas venham a Cristo, que leva o pecador a não confiar na capacidade de Cristo de salvá-lo, a duvidar da disposição de Jesus de aceitar um transgressor tão grande. Infidelidade, deismo e ateísmo são os frutos maduros desta arvore perniciosa; são as erupções mais terríveis do vulcão da descrença.
Estou perplexo, e tenho certeza que você também ficará, se eu lhe disser que há algumas pessoas estranhas neste mundo, que não crêem que a incredulidade é pecado. Devo chamá-las de pessoas estranhas porque sua fé é saudável em todos os outros aspectos; só para serem coerentes em seus artigos de fé, no seu modo de ver, eles negam que a descrença seja pecado. Lembro-me de um jovem que se aproximou de um grupo de amigos e pastores que discutiam se era pecado quando alguém não cria no evangelho. Depois de ouvir por algum tempo, ele disse:
--- Senhores, estou na presença de cristãos? Vocês crêem na bíblia, por acaso?
--- é claro que somos cristãos --- responderam eles.
--- Mas então, não diz a escritura: Do pecado, porque não crêem em mim? Não é este o pecado que condena os pecadores, de que não crêem em Cristo?
Eu não teria imaginado que alguém pudesse ser tão tolo a ponto de se aventurar a afirmar que não é pecado quando um pecador não crê em Cristo. Eu pensava que, por mais vazão que quisesse dar a seus sentimentos, eles não iriam contar uma mentira para reter a verdade; na minha opinião é exatamente isso que pessoas assim estão fazendo. A verdade é uma torre forte e não precisa ser reforçada com erros. A palavra de Deus vai prevalecer sobre todas as artimanhas dos homens. Eu jamais inventaria um sofisma para provar que não é pecado quando o descrente não crê, porque tenho certeza de que é, depois que a bíblia me ensina que o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, e quando leio que o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. Eu o afirmo, e a palavra o declara, incredulidade é pecado. É óbvio que pessoas racionais e sem preconceitos não precisam de argumentos que provem isso. Não é claro que é pecado quando a criatura duvida da palavra do seu criador? Não é crime, um insulto contra a Divindade quando eu, um átomo, um grão de pó, me atrevo a negar suas palavras? Não é o cúmulo da arrogância e o extremo do orgulho quando um filho de Adão diz, nem que seja em seu coração: Deus, eu duvido da tua graça; Deus, eu duvido do teu amor; Deus, eu duvido do teu poder. Oh, senhores creiam em mim, se vocês pudessem juntar todos os pecados numa só massa, se pudessem tomar assassinato, blasfêmia, lascívia, adultério, fornicação e tudo que é maligno e unir tudo num conjunto imenso de corrupção horrenda, nem isso se compararia com o pecado da descrença. Esse é o pecado principal, a quintessência da culpa, a mistura do veneno de todos os crimes, a escória do vinho de Gomorra; é o pecado nº 1, a obra prima de Satanás, o principal feito do diabo.





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Tentarei neste pequeno espaço mostrar a natureza extremamente má do pecado da incredulidade.
Em primeiro lugar, ficará evidente como o pecado da incredulidade é terrível quando lembramos que ele é o pai de todas as demais iniqüidades. Não há crime que a descrença não possa conceber. A meu ver a queda do homem foi em boa parte devida a ele: foi neste ponto que o diabo tentou Eva. Ele lhe disse: é assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Ele sussurrou e insinuou uma dúvida: foi isto que Deus disse? É como se ele dissesse: Você tem certeza? Foi por meio da incredulidade --- Este fio estreito da lâmina ___ que o outro pecado entrou. A curiosidade e o resto se seguiram. Ela tocou no fruto, e a destruição entrou no mundo. Desde aquele dia a incredulidade tem sido o pai prolífico de todo tipo de culpa. Um descrente é capaz do crime mais vil que jamais foi cometido. A descrença, senhores Ela endureceu o coração do faraó, tornou atrevida a língua blasfema de Rabsaqué, sim, tornou-se deicida e assassinou Jesus.
Incredulidade. Ela tem afiado a faca do suicídio, misturado mais de um copo com veneno, levado milhares à forca e outros tantos a um tumulo infame, pessoas que mataram a si mesmas e se apresentaram com mãos sangrentas no tribunal do seu criador por causa da descrença. Tragam-me um descrente; digam-me que ele duvida da palavra de Deus, que não conta com suas promessas nem com suas ameaças; com essa premissa eu concluirei que, se ele não for restringido por um poder muito forte, ele se tornará culpado dos crimes mais horrendos e infames.
Deixem-me acrescentar aqui que a incredulidade no cristão é da mesma natureza que a descrença no pecador. O fim não será o mesmo, porque no cristão ela será perdoada; já esta perdoada. Foi colocada sobre o antigo bode expiatório; foi apagada e expiada; mas tem a mesma natureza de pecado. Na verdade, se existe um pecado mais hediondo do que a incredulidade de um pecador, é a incredulidade de um santo. Porque um santo que duvida da palavra de Deus, que não confia em Deus mesmo com incontáveis demonstrações do seu amor, com milhares de provas de sua misericórdia, supera tudo. Além disso, em um santo a descrença é raiz de outros pecados. Quem é perfeito na fé, é perfeito em tudo mais.
Em segundo lugar, a incredulidade não só gera, mas também promove o pecado. Como é que as pessoas conseguem continuar no pecado mesmo sob o trovão do Sinai? Como é possível que, quando Boanerges está no púlpito e exclama pela graça de Deus: Maldito todo aquele que não guarda todos os mandamentos da lei, e o pecador ouve as advertências tremendas da justiça de Deus, ele endurece ainda mais e avança em seus maus caminhos? Eu lhes direi: A incredulidade nas ameaças impede que elas tenham qualquer efeito sobre eles. O diabo dá descrença ao ímpio; assim ele estabelece uma barreira e se refugia atrás dela. Ó pecadores! No dia em que o Espírito Santo derrubar sua descrença, quando comprovar a verdade com poder, como a lei atuará sobre sua alma? Se o homem não acredita que a lei é santa, que os mandamentos são santos justos e bons, como ficará abalado diante da boca aberta do inferno? Não haveria mais ninguém à vontade ou dormindo na casa de Deus, nem ouvintes descuidados, ninguém que fosse embora para logo esquecer que tipo de pessoas somos. Digo mais uma vez: como pode ser que as pessoas ouçam o chamado da cruz do calvário e não venham a Cristo? Como pode ser que pregamos sobre os sofrimentos de Cristo Jesus e terminamos dizendo: Ainda há lugar, que falamos sobre sua cruz e paixão, e as pessoas não ficam contritas em seus corações. O relato da cruz do calvário é suficiente para partir uma rocha. As rochas se despedaçaram quando viram Jesus morrer. O relato da tragédia do Gólgota é suficiente para fazer uma pedreira jorrar lágrimas e o patife mais endurecido chorar seus olhos em amor penitente. Mas a vocês eu conto, e repito, mas quem chora por ela? Quem se importa? Senhores, vocês estão sentados tão despreocupados como se não fosse com vocês. Oh Olhem e vejam, todos que estão passando. A morte de Jesus não diz nada a vocês? Vocês parecem dizer: não é nada. Qual é o motivo? Há incredulidade entre vocês e a cruz.


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Há ainda um terceiro ponto. A incredulidade torna a pessoa incapaz de fazer qualquer coisa boa. Tudo o que não provém da fé é pecado. É uma verdade muito importante, em mais de um sentido. Sem fé é impossível agradar à Deus. Você nunca me ouvirá dizer uma palavra contra a moralidade; você nunca me ouvirá dizendo que a honestidade não é uma coisa boa, ou a sobriedade; pelo contrário, digo que são coisas recomendáveis, mas vou dizer-lhes o que falo depois: elas são como o dinheiro da Índia; ele pode ser moeda corrente entre os indianos, mas não aqui. Essas virtudes podem ser comuns aqui embaixo, mas não lá em cima. Se você não tem nada melhor que sua própria bondade, você nunca irá para o céu. Algumas tribos da Índia usam pequenas tiras de pano em vez de dinheiro. Eu não teria problemas com isso para morar entre eles, mas aqui tiras de pano não me servem para muita coisa. Desta forma, honestidade, sobriedade e coisas assim podem ser muito boas entre as pessoas, e quanto mais tiver delas, melhor. Eu os exorto a que tenham o que é amável, puro e de boa fama; mas elas não lhe servirão lá em cima. Nem todas essas coisas juntas, sem fé, agradam à Deus. Virtudes sem fé são pecados lavados. Obediência sem fé, se é que ela é possível, é desobediência disfarçada. Não crer anula tudo. É como a mosca no perfume, o veneno na panela.
Certo homem tinha um filho possesso e afligido por um espírito mau. Jesus estava no monte Tabor, transfigurado; assim, o pai trouxe seu filho aos discípulos. O que esses discípulos fizeram? Eles disseram: Bem, nós o expulsaremos. Puseram as mãos sobre ele e tentaram, mas cochicharam entre si: Temos medo de não conseguir. Logo o moço começou a espumar pela boca, arranhar a terra e bater-se em seu ataque. O demônio dentro dele se manifestou, e não saiu. Em vão eles repetiam o exorcismo, o espírito imundo ficou como um leão em sua toca, e os esforços deles não o desalojaram. Eles diziam: Sai, mas ele não saia. Vá para o abismo! eles gritavam, mas ele estava irredutível. Lábios incrédulos não assustam o maligno, que pode bem ter dito: A fé eu conheço, Jesus eu conheço, mas quem são vocês? Vocês não têm fé. Se tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, eles teriam expulsado o demônio; mas sua fé tinha ido embora, e por isso não podiam fazer nada.
Veja também o caso do pobre Pedro. Enquanto teve fé, ele andou sobre as ondas agitadas do lago. Foi um passeio esplêndido; eu quase o vejo, andando sobre o lago. Se Pedro continuasse tendo fé, teria andando por sobre o Atlântico até a América. Mas ai veio uma onda por traz dele, e ele disse: Essa vai me levar. Depois veio outra da frente, e ele gritou: essa vai me afundar! Então ele pensou: Como pude ser tão presunçoso e achar que poderia andar por cima dessas ondas? e lá se foi ele para o fundo. A fé era sua bóia salva-vidas; a fé era seu amuleto, que o mantinha à tona, mas a incredulidade o mandou para o fundo. Você sabia que você e eu, por toda nossa vida, teremos de andar por sobre a água? A vida do cristão é sempre andar sobre a água. A minha é. E cada onda quer engoli-lo e devorá-lo, mas a fé o mantém à tona. No momento em que você para de crer, o desânimo se faz presente, e lá vai você para baixo. Porque você duvida, então?

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Nossa próxima constatação é que a incredulidade é punida com severidade. Abra as escrituras Vejo uns mundos justos e belos, as montanhas sorrindo no sol e os campos alegrando-se na luz dourada. Vejo moças dançando e rapazes cantando. Que visão bela Mas oh Um Senhor respeitável e sério levanta sua voz e exclama: Vem aí um dilúvio para inundar a terra. As fontes das profundezas serão escancaradas, e todas as coisas serão cobertas. Vejam esta arca Trabalhei cento e vinte anos para construí-la; fujam para ela, e vocês serão salvos. Ora, homem velho, vá embora com suas predições vazias Estejamos alegres enquanto pudermos. Quando vier o dilúvio, construiremos uma arca; só que não vem nenhum dilúvio. Diga o que quiser aos tolos; nós não cremos nessas coisas. Veja os incrédulos andarem atrás de suas danças alegres. Ouça, incrédulo Você não ouviu a voz do trovão? Os intestinos da terra começaram a se mover, as costelas de pedra se sentem pressionadas por convulsões internas. Veja! Elas irrompem com força incrível de dentro da terra, torrentes desconhecidas desde que Deus as ocultou no interior do nosso mundo. O céu se parte ao meio. Chove. Não são gotas, mas nuvens inteiras que vêm abaixo. Uma catarata como o velho Niágara desce do céu com um estrondo terrível. Os dois firmamentos, as duas profundezas a de cima e a de baixo, se dão as mãos. E agora incrédulo, onde estás? Lá estão os últimos sobreviventes. Um homem a esposa o abraça pela cintura. Está de pé no último cume de montanha que ainda não está coberta pela água. Olhe agora. A água já atingiu sua cintura. Ouça seu último grito. Ele agora flutua. Noé olha da arca e não vê mais nada. Só um grande vazio. Monstros marinhos se instalam e procriam nos palácios dos reis. Tudo está derrubado, coberto, afogado. O que fez isto? O que trouxe o dilúvio sobre a terra? A incredulidade. Pela fé Noé escapou ao dilúvio. Pela descrença o resto foi afogado.
Você não sabe que a incredulidade impediu Moisés e Arão de entrarem em Canaã? Eles não honraram a Deus: bateram na rocha quando deveriam ter falado com ela. Eles não creram, e por isso o castigo veio sobre eles, de modo que não herdaram a boa terra pela qual trabalharam e se esforçaram.
Deixem-me levá-los para onde Moisés e Arão moraram - o grande deserto. Vamos andar um pouco por ele; com os pés cansados, nos tornaremos como os beduínos andarilhos, que vagueiam pelo deserto. Ali há um esqueleto esbranquiçado no sol; lá mais um, e acolá um outro. O que significam esses ossos secos? Quem são esses corpos ali um homem, lá uma mulher? Quem são todos esses? Como esses cadáveres foram parar aqui? Certamente deve ter havido aqui um grande acampamento, destruído numa noite por uma explosão, ou por um ataque. Ah, não. Esses ossos são os ossos de Israel; os esqueletos são as antigas tribos de Jacó. Não puderam entrar na terra por causa da incredulidade. Não confiaram em Deus. Os espias disseram que eles não conseguiriam conquistar a terra. A incredulidade foi a causa da morte deles. Não foram os Anaquins que destruíram Israel, não foi o deserto uivante que os engoliu. O Jordão não os impediu de entrar em Canaã, não foram os Heveus, e os jebuseus que os mataram; foi somente a incredulidade que os manteve fora de Canaã. Que maldição foi pronunciada sobre Israel depois de quarenta anos de peregrinação: não puderam entrar porque não creram.

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Por último, quero dizer que você reconhecerá a natureza hedionda do pecado da incredulidade nisto - este é o pecado que condena. Existe um pecado pelo qual Cristo não morreu: o pecado contra o Espírito Santo. Você pode mencionar qualquer crime na lista do mal, e eu lhes mostrarei pessoas que receberam perdão por eles. Mas pergunte-me se a pessoa que morreu descrente pode ser salva, e eu respondo que não há expiação para essa pessoa. Ha expiação pela descrença de um cristão, porque é temporária; mas a incredulidade final a descrença pela qual as pessoas morrem não foi expiada.
Isto nos leva a concluir com o castigo. Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás. Ouçam, incrédulos Vocês ouviram aqui os seus pecados; agora ouçam suas conseqüências: Tu o verás com os teus olhos, porém disso não comerás. Isso acontece com muita freqüência com os próprios santos de Deus. Quando eles não crêem, eles vêem a misericórdia, mas não podem comê-la. Há trigo na terra do Egito; mas há santos de Deus que vêm no dia do descanso e dizem: Bem, o evangelho está sendo pregado, mas não sei se será bem sucedido. Estão sempre duvidando e temendo. Ouça o que dizem quando saem do culto: você recebeu uma boa refeição hoje? Não havia nada para mim. é claro que não - você pôde vê-lo mas não comeu porque não teve fé. Se tivesse vindo com fé, você teria recebido sua porção. Tenho visto cristãos que cresceram tão críticos que, se a porção de carne que têm para receber não lhes é trazida bem cortada sobre um prato especial de porcelana, eles não a comem. Estes têm de sair sem nada, e ficar sem nada até ficarem com apetite. Terão aflições que agirão sobre eles como quinino; serão forçados a comer com um gosto amargo na boca; serão colocados na prisão por um ou dois dias até que seu apetite volte, e então ficarão contentes por comer a comida mais simples, do prato mais comum, ou sem prato nenhum. Mas a verdadeira razão porque o povo de Deus não se alimenta é porque não tem fé.
Deixe-me aplicar isso principalmente aos não convertidos. Muitas vezes eles vêem grandes obras de Deus acontecerem diante dos seus olhos, mas não comem delas. Uma multidão veio aqui hoje para ver, mas tenho minhas dúvidas se todos vão comer. As pessoas não podem comer com os olhos; se pudessem, muitas estariam bem alimentadas. Espiritualmente, as pessoas não podem se alimentar simplesmente com os ouvidos, nem olhando para o pregador; assim, constatamos que as pessoas vêm somente para ver: Bem, ouçamos o que este tagarela tem a dizer, este caniço balançado pelo vento. Entretanto, eles não têm fé; eles vêm, e vêem, e vêem, mas nunca comem. Aqui na frente há um que se converte; ali há outro que é chamado pela graça soberana; algum pobre pecador está chorando sob o peso de um senso de culpa de sangue; outro está clamando pela misericórdia de Deus, e ainda outro está dizendo: Tem misericórdia de mim, pecador. Há uma grande obra em andamento neste lugar de cultos, mas alguns de vocês não têm nenhuma noção do que está acontecendo; não há obra em andamento no coração de vocês, e porque? Porque vocês acham que isto é impossível; vocês acham que Deus não age. Ele não prometeu trabalhar por vocês que não o honram. A incredulidade faz com que vocês fiquem sentados em tempo de avivamento e derramamento da graça de Deus, sem serem tocados, sem serem chamados, sem serem salvos.
Todavia senhores, o pior cumprimento dessa maldição ainda está por vir O bom Whitfield às vezes levantava as duas mãos e gritava da forma como eu gostaria de gritar, mas a voz me falha: A ira vem. A ira vem. Não é a ira de hoje que vocês devem temer, mas a ira que vem; vem a maldição, quando vocês o verão com os olhos, porém disso não comerão. É como se eu visse o último e grande dia. A última hora do tempo já soou. Ouvi o sino tocar suas badaladas fúnebres - o tempo se foi, a eternidade começou; o mar está revolto, as ondas estão iluminadas por um resplendor sobrenatural. Vejo um arco-íris - uma nuvem que vem voando, e sobre ela um trono, e sentado nele um parecido com O Filho do Homem. Eu o conheço. Diante dele estão os livros, o livro da vida, o livro da morte, o livro dos registros. Vejo seu esplendor, e me encho de júbilo; contemplo sua aparência pomposa, e sorrio de felicidade que Ele veio para ser admirado por todos os seus santos. No entanto, também vejo uma fila de vilões miseráveis, rastejando horrorizados tentando se esconder, mas mesmo assim olhando, porque seus olhos têm de contemplar aquele a quem traspassaram; porém, quando olham, eles gritam: oculta-me da face. Que face? rochas, ocultem-nos da face. Que face? A face de Jesus, o homem que morreu, mas que agora veio julgar.
Para concluir: parece que vejo você em algum lugar do inferno, acorrentado a uma rocha, o urubu do remorso estraçalhando o seu coração; e lá em cima está Lázaro, ao lado de Abraão. Você levanta os olhos e vê isto: Este é o pobre que estava jogado ao lado do meu monte de lixo, de quem os cães lambiam as feridas; ele está lá no céu, enquanto eu estou cá embaixo. Lázaro sim! é Lazaro!; e eu, que era rico no mundo do tempo, estou aqui no inferno. Pai Abraão, diga a Lázaro que molhe a ponta do dedo na água para refrescar minha língua. Não. Não pode ser, não é possível. Enquanto você está deitado ali, se houver no inferno uma coisa pior que as outras, será ver os santos no céu. Oh, pensar em ver minha mãe no céu enquanto eu fui expulso. Ó pecador, pense, ver seu irmão no céu aquele que foi ninado no mesmo berço e brincou debaixo da mesma árvore enquanto você está fora. Marido, lá está sua esposa no céu, e você está entre os condenados. E veja você pai Seu filho está diante do trono, e você Maldito por Deus e pelas pessoas, está no inferno. Sim, o inferno dos infernos será ver nossos amigos no céu e nós perdidos. Eu lhes imploro, meus ouvintes, pela morte de Cristo por sua agonia e suor de sangue, por sua cruz e paixão, por tudo o que é santo, por tudo o que é sagrado no céu e na terra, por tudo o que é solene no tempo e na eternidade, por tudo o que há de horrível no inferno e de glorioso no céu, por esta palavra terrível - para sempre --- eu lhes imploro que levem essas coisas a sério e se lembrem de que, se forem condenados, será por causa da incredulidade. Se se perderem, será porque não creram em Cristo; se perecerem, esta será a gota mais amarga do fel --- não ter confiado no Salvador.

Charles Haddon Spurgeon

EZEQUIEL 17

Deus mandou Ezequiel propor uma parábola aos judeus, de duas águias e duas videiras. Como eles estavam desprezando a Palavra do Senhor quanto aos juízos que ocorreriam em Jerusalém, e o modo como eles se cumpririam, especialmente em relação aos reis de Judá, cujos tronos estavam em Jerusalém, então, lhes falaria por meio de alegorias, ou seja, de parábolas.
Algum tempo antes de ter sido proposto este enigma, Nabucodonosor havia levado o rei Joaquim para o cativeiro em Babilônia, quando tinha permanecido no trono de Judá por apenas três meses. Juntamente com Joaquim foram trazidos os seus príncipes e nobres para Babilônia.
Isto está representado na parábola por uma águia que veio ao Líbano e tirou o ramo mais alto de um cedro e arrancando a ponta mais alta dos seus ramos a colocou numa cidade de comerciantes.
A cidade de comerciantes era Babilônia, o centro comercial do mundo em seus dias.
O ramo mais elevado do cedro era o rei Joaquim, que a águia (Nabucodonosor) havia aprisionado em Babilônia, para não mais de lá sair, como de fato sucedeu.
Nabucodonosor é comparado a uma águia na parábola, porque ela é uma ave de rapina, e era exatamente isto que ele estava fazendo com todas as nações da terra que lhes foram entregues por Deus para serem despojadas.
Jerusalém é apresentada na parábola como sendo o Líbano, que era uma terra de cedros.
Quando Nabucodonosor levou o rei Joaquim para Babilônia, colocou para reinar em seu lugar, o seu tio (de Joaquim), chamado Matanias, cujo nome ele mudou para Zedequias.
Então Zedequias é a semente da terra, citada na parábola, (v. 5) que foi plantada num solo frutífero, porque não foi um rei estranho que foi dado a Jerusalém, mas a um natural da terra, pertencente à família real, mas foi plantado como um salgueiro, que é uma planta fraca, e não como um cedro.
Mas o salgueiro se tornou numa videira ampla, mas de pouca altura, e lançava os seus ramos e raízes na direção de uma outra grande águia, para que fosse regada por ela (v. 7).
Esta grande águia era faraó, rei do Egito, para o qual Zedequias se voltou tentando formar uma aliança com ele contra Babilônia.
Todavia o Senhor revelou que isto não prosperaria, porque a outra águia (Nabucodonosor) lhe arrancaria as raízes e não poderia portanto frutificar (v. 9). E isto seria feito sem necessidade de esforço, porque uma vez tirada as raízes, a videira se secaria.
No verso 16 é predita a prisão de Zedequias em Babilônia, terra na qual ele viria a morrer, por ter quebrado a aliança que Nabucodonosor fizera com ele, tentando traí-lo com o Egito.
E faraó não lhe prestaria qualquer ajuda em guerra quando Babilônia sitiasse a cidade de Jerusalém (v. 17).
O Senhor considerou a traição contra o rei de Babilônia, como sendo uma traição contra a Sua própria pessoa, porque foi por Sua inspiração que Nabucodonosor deixara Zedequias ainda reinando em Jerusalém, de modo que se ele conduzisse o povo a caminhar em retidão, pelo arrependimento perante o Senhor, por tudo o que havia ocorrido ao rei Jeoaquim, e depois dele ao rei Joaquim, e aos nobres que haviam sido levados em cativeiro juntamente com ele para Babilônia, eles poderiam emendar os seus atos e o Senhor pouparia tanto a eles quanto à cidade de Jerusalém e o templo, depois de purificá-lo das abominações que estavam sendo nele praticadas.
No entanto, ao agir com traição, Zedequias, não somente quebrou o pacto que o Senhor fizera em relação à condução da preservação de Jerusalém, como manteve o povo debaixo da prática da corrupção e da idolatria, motivo porque, em vez de ser poupado, seria castigado, bem ele como as suas tropas.
Nos versos 22 a 23 nós temos uma referência a nosso Senhor Jesus Cristo, que seria o renovo do broto que Deus tiraria do cedro (casa real de Davi) e o plantaria sobre um monte alto e sublime em Israel (a morte de Jesus como semente na terra do monte Calvário) da qual surgiu um cedro excelente (a Igreja) que é abrigo de aves de toda espécie (judeus e gentios de todas as nações que se convertem a Ele, e que por conseguinte, fazem parte de tal Cedro excelente, a árvore plantada por Deus.
Todas as árvores do campo (nações da terra) saberiam então que o Senhor havia abatido a árvore alta (o reino de Babilônia) e elevou a árvore baixa (a casa e o reino de Davi restaurados em Cristo); e secou a árvore verde (o reino de Israel, que havia se secado nos dias de Ezequiel); e fez reverdecer a árvore seca (Israel sendo restaurado totalmente quando da volta de nosso Senhor).




“1 Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, propõe um enigma, e profere uma alegoria à casa de Israel;
3 e dize: Assim diz o Senhor Deus: uma grande águia, de grandes asas e de plumagem comprida, cheia de penas de várias cores, veio ao Líbano e tomou o mais alto ramo dum cedro;
4 arrancou a ponta mais alta dos seus ramos e a levou a uma terra de comércio; e a pôs numa cidade de comerciantes.
5 Também tomou da semente da terra, e a lançou num solo frutífero; pô-la junto a muitas águas; e plantou-a como salgueiro.
6 E brotou, e tornou-se numa videira larga, de pouca altura, virando-se para ela os seus ramos, e as suas raízes estavam debaixo dela. Tornou-se numa videira, e produzia ramos, e lançava renovos.
7 Houve ainda outra grande águia, de grandes asas, e cheia de penas; e eis que também esta videira lançou para ela as suas raízes, e estendeu para ela os seus ramos desde as auréolas em que estava plantada, para que ela a regasse.
8 Numa boa terra, junto a muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e para dar fruto, a fim de que fosse videira excelente.
9 Dize: Assim diz o Senhor Deus: Acaso prosperará ela? Não lhe arrancará a águia as raízes, e não lhe cortará o fruto, para que se seque? para que se sequem todas as folhas de seus renovos? Não será necessário nem braço forte, nem muita gente, para arrancá-la pelas raízes.
10 Mas, estando plantada, prosperará? Não se secará de todo, quando a tocar o vento oriental? Nas auréolas onde cresceu se secará.
11 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
12 Dize, pois, à casa rebelde: Não sabeis o que significam estas coisas? Dize-lhes: Eis que veio o rei de Babilônia a Jerusalém, e tomou o seu rei e os seus príncipes, e os levou consigo para Babilônia;
13 e tomou um da estirpe real, e fez pacto com ele, e o juramentou. E aos poderosos da terra removeu,
14 para que o reino ficasse humilhado, e não se levantasse, embora, guardando o seu pacto, pudesse subsistir.
15 Mas ele se rebelou contra o rei de Babilônia, enviando os seus embaixadores ao Egito, para que se lhe mandassem cavalos e muita gente. Prosperará ou escapará aquele que faz tais coisas? Quebrará o pacto e escapará?
16 Como eu vivo, diz o Senhor Deus, no lugar em que habita o rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou, e cujo pacto quebrou, sim, com ele no meio de Babilônia certamente morrerá.
17 Não lhe prestará Faraó ajuda em guerra, nem com seu grande exército, nem com sua companhia numerosa, quando se levantarem tranqueiras e se edificarem baluartes, para destruir muitas vidas.
18 Porquanto desprezou o juramento e quebrou o pacto, porquanto deu a sua mão, e ainda fez todas estas coisas, ele não escapará.
19 Portanto, assim diz o Senhor Deus: Vivo eu, que o meu juramento que desprezou, e o meu pacto que violou, isso farei recair sobre a sua cabeça.
20 E estenderei sobre ele a minha rede, e ficará preso no meu laço; e o levarei a Babilônia, e ali entrarei em juízo com ele por causa da traição que cometeu contra mim.
21 E a fina flor de todas as suas tropas cairá à espada, e os que restarem serão espalhados a todos os ventos; e sabereis que eu, o Senhor, o disse.
22 Assim diz o Senhor Deus: Também eu tomarei um broto do topo do cedro, e o plantarei; do principal dos seus renovos cortarei o mais tenro, e o plantarei sobre um monte alto e sublime.
23 No monte alto de Israel o plantarei; e produzirá ramos, e dará fruto, e se fará um cedro excelente. Habitarão debaixo dele aves de toda a sorte; à sombra dos seus ramos habitarão.
24 Assim saberão todas as árvores do campo que eu, o Senhor, abati a árvore alta, elevei a árvore baixa, sequei a árvore verde, e fiz reverdecer a árvore seca; eu, o Senhor, o disse, e o farei.”

Silvio Dutra

O Valor do Espírito Quebrantado – Jó 17

Nós vemos no capítulo 17 que o espírito queixoso de Jó havia dado lugar agora a um coração quebrantado. Ele mesmo declara que seu espírito se encontrava quebrantado.
E o que dizem as Escrituras acerca do espírito quebrantado?
“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” (Sl 34.18)
“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Sl 51.17)
“sara os quebrantados de coração, e cura-lhes as feridas;” (Sl 147.3)
“Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.” (Is 57.15)
“A minha mão fez todas essas coisas, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor; mas eis para quem olharei: para o humilde e contrito de espírito, que treme da minha palavra.” (Is 66.2)
Jesus diz que bem-aventurados são os pobres de espírito, que é o mesmo que ser quebrantado de espírito. Quando não tivermos isto, Ele o produzirá em nós, caso sejamos Seus servos, tal como fizera com Jó.
Podemos afirmar portanto, que o coração de Jó chegara ao ponto esperado por Deus, e que logo, logo seria provido o seu livramento.
Jó tinha diante de si a morte, e seus pensamentos eram apenas pensamentos de morte (v. 1).
Assim como os urubus rodeiam aqueles que estão dando sinais de morte, de igual modo os zombadores cercam os que estão em grande penúria, e escarnecem de suas fraquezas, e isto é também aflição para os que sofrem.
Ninguém pode nos valer nestas horas senão somente o Senhor ou aqueles que forem realmente levantados por Ele para nos confortarem.
É comum que atravessemos estes vales sozinhos, porque mesmo os que se encontram ao nosso lado não podem ser companheiros de nossas almas sofridas, enquanto eles não privam dos mesmos sofrimentos.
Somente o Senhor pode compreender a alma sofrida e fazer-lhe companhia.
Então foi a Deus que Jó pediu um penhor, ou seja uma garantia de que seria com ele, e também que lhe estendesse a mão para apoiá-lo naquela hora que sentiu estar abandonando este mundo.
Mesmo em sua agonia Jó não perdeu a visão da verdade de que o justo prossegue no seu caminho e que o que tem mãos puras vai crescendo em força, não em força física propriamente, mas em força espiritual diante de Deus, tal como ele começava a se sentir agora, conforme lhe permitia a graça que o Senhor estava lhe concedendo, em resposta à Sua oração para que lhe desse um penhor e a Sua mão amiga.
O penhor que Deus lhe dera é o mesmo que Ele dá a todos os seus santos em suas aflições, a saber, a sua graça, com a qual são fortificados.
Fortificado pela graça, mesmo ainda em meio aos seus grandes sofrimentos, Jó não estava mais colocando a sua esperança no seol, na sepultura, mas no Senhor (v. 10 a 16)


“1 O meu espírito está quebrantado, os meus dias se extinguem, a sepultura me está preparada!
2 Deveras estou cercado de zombadores, e os meus olhos contemplam a sua provocação!
3 Dá-me, peço-te, um penhor, e sê o meu fiador para contigo; quem mais há que me dê a mão?
4 Porque aos seus corações encobriste o entendimento, pelo que não os exaltarás.
5 Quem entrega os seus amigos como presa, os olhos de seus filhos desfalecerão.
6 Mas a mim me pôs por motejo dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe.
7 De mágoa se escureceram os meus olhos, e todos os meus membros são como a sombra.
8 Os retos pasmam disso, e o inocente se levanta contra o ímpio.
9 Contudo o justo prossegue no seu caminho e o que tem mãos puras vai crescendo em força.
10 Mas tornai vós todos, e vinde, e sábio nenhum acharei entre vós.
11 Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, as aspirações do meu coração.
12 Trocam a noite em dia; dizem que a luz está perto das trevas.
13 Se eu olhar o Seol como a minha casa, se nas trevas estender a minha cama,
14 se eu clamar à cova: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã;
15 onde está então a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?
16 Acaso descerá comigo até os ferrolhos do Seol? Descansaremos juntos no pó?” (Jó 17)

Silvio Dutra

Os Preparativos da Páscoa – Mateus 26.17-25

“17 Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, vieram os discípulos a Jesus, e perguntaram: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?
18 Respondeu ele: Ide à cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos.
19 E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa.
20 Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos;
21 e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.
22 E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?
23 Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.
24 Em verdade o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido.
25 Também Judas, que o traía, perguntou: Porventura sou eu, Rabí? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.”

Aqueles que Satanás planta como joio na Igreja para traírem a causa de Cristo, raramente sabem que estão a serviço do Inimigo, porque ele lhes ilude fazendo pensar que são verdadeiros servos de Cristo.
E isto explica muito sobre o motivo que levou Judas a se suicidar logo depois de ter traído Jesus.
Satanás o abandonou e lhe acusou depois de ter feito o uso que pretendia fazer dele, atacando-lhe duramente a consciência e mostrando-lhe que não passava de uma fraude, e que nunca tinha sido um verdadeiro apóstolo de Jesus.
Enquanto estava acompanhando o grupo de apóstolos é bem possível que ele julgasse a si próprio até mesmo como sendo o melhor deles.
Judas era uma árvore plantada pelo diabo na Igreja. Não era uma árvore que tivesse sido plantada por Deus. Assim, jamais poderia dar bons frutos.
Jesus nunca esperou qualquer bom fruto dele porque sabia a árvore má que ele era.
Não se pode colher figos dos abrolhos. A árvore é conhecida pelo seu fruto, e o de Judas acabou se manifestando completamente no momento da traição de Jesus.
Muitos acompanham a obra de Deus, plantados pelo diabo para o propósito de causar divisões, escândalos, impedir o avanço do reino de Deus, e especialmente para causar dores e feridas nos verdadeiros servos do Senhor.
Eles se transfiguram em verdadeiros santos, mas são lobos em pele de ovelha, prontos para devorar o rebanho nas oportunidades que lhes forem deparadas por Satanás.
Não que eles pretendam fazê-lo conscientemente, porque como dissemos antes, são enganados pelo Inimigo, que os torna muito zelosos até mesmo pelos assuntos relativos à Igreja, mas não aos assuntos que são relativos à verdadeira piedade, à obra do Espírito nos corações, porque eles lutam contra isto.
Jesus sabia que Satanás entraria em Judas e faria por meio dele toda a sua vontade, para que o traísse. Ele viu em Espírito aquilo que os demais apóstolos não puderam perceber.
Judas traiu Jesus com um beijo para dissimular o seu ato de traição.
Os traidores sempre usam esta estratégia de chorar, de beijar, de abraçar aqueles que eles estão traindo e aos quais trairão de forma ainda mais intensa quando Satanás se levantar para usá-los de tal forma.
Os ministros do evangelho devem portanto, se manterem firmes na fé, no amor, na bondade, na paciência e na mansidão, enquanto agem com prudência em relação a estes infelizes instrumentos do diabo que causam dó no nosso coração em relação ao triste estado deles de não poderem chegar ao conhecimento da verdade, porque permanecem endurecidos em suas próprias convicções e não têm um bom coração que sequer admita que devem se sujeitar ao Senhor.
Judas poderia ao menos ter deixado a companhia de Jesus e dos apóstolos sem nada fazer contra eles, e especialmente contra o Senhor.
Afinal ele privava da intimidade deles, e comia à mesma mesa com Jesus.
É digno de destaque que o diabo entrou nele justamente quando Jesus lhe deu o bocado de pão para comer.
O bem que Jesus fez a Judas não lhe tornou melhor, mas pior, e assim ele odiou a quem nunca lhe fez qualquer mal, senão somente o bem.
Entretanto não importa aos verdadeiros discípulos de Jesus que sempre haja tais traidores na igreja, sendo joios plantados por Satanás, porque isto não anula a grande honra que o Senhor dá àqueles que são por Ele enviados com a missão de pregarem o evangelho ao mundo. Aqueles que são enviados por Ele, quando são recebidos pelas pessoas, é como se elas estivessem recebendo ao próprio Cristo, e a Deus Pai que foi quem enviou Seu Filho a este mundo com a missão que seria agora realizada pela Igreja.
Foi justamente quando estava proferindo estas palavras de grande honra para os apóstolos, que Jesus se turbou em espírito, porque aquilo não se aplicava a Judas, que apesar de ter sido escolhido pelo Senhor para estar entre os apóstolos, não seria enviado por Ele como os demais para cumprir a Sua grande comissão de irem por todo o mundo pregando o evangelho a toda criatura.
Judas não somente não seria enviado, como também seria aquele que haveria de traí-lo para que se cumprissem as Escrituras.
Por isso Jesus se turbou em espírito, e nós também quando temos no nosso ministério um Judas plantado ao nosso lado pelo Inimigo.
Eles fazem o nosso espírito suspirar e se entristecer, porque afinal, comem do nosso pão e privam da nossa amizade, e sabemos que estão ali plantados esperando o grande momento de levantarem o calcanhar deles contra nós, tal como Judas havia levantado o seu contra o Senhor.

Silvio Dutra

Os Sofrimentos de Cristo Preditos – Mateus 20.17-19

“17 Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e no caminho lhes disse:
18 Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e eles o condenarão à morte,
19 e o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará.”

Este foi o terceiro e mesmo aviso que nosso Senhor deu aos discípulos quanto aos sofrimentos que Lhe aguardavam, e que já comentamos anteriormente.
Aqui Ele diz explicitamente que os principais sacerdotes e os escribas de Israel Lhe condenariam à morte e o entregariam nas mãos dos gentios (romanos) para que fosse escarnecido, açoitado e crucificado por eles, mas que ao terceiro dia ressuscitaria.
Ele estava se aproximando de Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa com eles. A última Páscoa, na qual seria crucificado como o nosso Cordeiro Pascal, para que pelo Seu sangue derramado na cruz, pudéssemos ser libertados da destruição pelo anjo da morte, e sermos libertados da nossa escravidão ao pecado, ao mundo e ao diabo, passando portanto, da morte para a vida.
A palavra páscoa no hebraico significa passagem. Indicando que houve uma passagem do destruidor no Egito, pelas casas marcadas com o sangue do cordeiro, mas o destruidor teve que pular aquelas casas porque estavam com a cobertura do sangue.
E é exatamente pelo mesmo motivo que os cristãos não são destruídos, pois estão sob a cobertura do precioso sangue de Jesus.
E é importante destacar que o motivo da morte dos primogênitos egípcios seria exatamente a falta de cobertura deste sangue, e da participação da páscoa, isto é, de se alimentarem do cordeiro que foi morto para que os primogênitos israelitas não fossem mortos. Isto é portanto indicativo de que aqueles que não estiverem debaixo da cobertura do sangue de Jesus, perecerão, porque não há outra forma de se escapar da condenação eterna.
Para marcar que é muito importante para Ele a libertação do seu povo do cativeiro, Deus determinou que o dia da saída do Egito seria o primeiro dia do ano dos hebreus, e aquele mês passaria a ser o primeiro mês deles, que foi chamado de Abibe e corresponde aos nossos meses de março/abril.
Desta forma, seriam celebrados dois eventos a um só tempo, todos os anos, em Israel, o primeiro relativo àquele fato histórico da saída do cativeiro egípcio, e o segundo à libertação do cativeiro do pecado, do qual aquele primeiro era apenas uma figura.
Certamente, os israelitas não tinham o segundo evento em perspectiva, mas sabemos que era principalmente este que estava em perspectiva nos propósitos de Deus, tanto que a morte de Jesus aconteceu exatamente no dia da celebração da páscoa dos judeus.
A eficácia da salvação e do livramento da morte está portanto no Cordeiro e no sangue do Cordeiro, e não em qualquer coisa ou obras daqueles que são salvos.
É por isso que a Páscoa deveria ser celebrada em todas as gerações futuras de Israel, e especialmente as crianças deveriam ser ensinadas sobre o significado daquela celebração. Por ela saberiam que o Senhor fez distinção entre o Seu povo e os egípcios, tendo libertado os israelitas da morte, por causa do cordeiro e do seu sangue, quando o destruidor passou à meia-noite no Egito e matou todos os primogênitos deles, quer de homens quer de animais.
E a Páscoa ensinava de modo tão claro e distinto que era uma festa para ser celebrada para os que estão aliançados com Deus, pois o livramento que lhes deu no Egito havia sido por causa desta aliança, que todo estrangeiro que desejasse participar dela teria antes que se naturalizar israelita, submetendo-se à circuncisão.
Do mesmo modo só podem participar da vida do Cordeiro aqueles que estão aliançados com Deus pela fé nEle. E se alguém ainda não está aliançado, terá que se arrepender e crer, de modo que, pela conversão, possa participar efetivamente de Cristo, nosso Cordeiro pascal.
Assim, quando nosso Senhor alertou aos Seus discípulos as coisas que Lhe aguardavam, relativas aos Seus sofrimentos em Jerusalém, estavam em perspectiva todas estas verdades a que nos referimos e muitas outras. Todavia, isto ainda estava oculto ao entendimento dos discípulos. Eles ainda não podiam entender, mas entenderiam depois, conforme nosso Senhor lhes disse em outra parte do evangelho (Jo 12.16; 13.7).

Silvio Dutra

Jesus Paga o Imposto – Mateus 17.24-27

“24 Tendo eles chegado a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as didracmas, e lhe perguntaram: O vosso mestre não paga as didracmas?
25 Disse ele: Sim. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, perguntando: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra imposto ou tributo? dos seus filhos, ou dos alheios?
26 Quando ele respondeu: Dos alheios, disse-lhe Jesus: Logo, são isentos os filhos.
27 Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-lho por mim e por ti.”

Nós vemos nesta e em outras passagens dos evangelhos que nosso Senhor nos deixou o exemplo para ser seguido quanto a sermos bons cidadãos, estando sujeitos às autoridades constituídas.
Não podemos esquecer que Ele havia se esvaziado em Seu ministério terreno, em tudo se identificando conosco, com exceção do pecado, para que pudesse pagar o preço exigido para a nossa redenção.
Ele esteve como homem debaixo da Lei, e tudo cumpriu perfeitamente, para que, em Sua perfeição de obediência em tudo o que padeceu e sofreu, pudesse se tornar o autor e consumador da nossa eterna salvação.
Aqui nós o vemos pagando o imposto que era cobrado de todo cidadão judeu.
Ele, sendo o Filho do Deus vivo, sendo Deus com o Pai e o Espírito Santo, estava isento de pagar tributos, senão, tem o privilégio de receber tributos, de honra e louvor, de tudo que criou, quer na terra, quer nos céus.
Todavia, em razão do estado da Sua humilhação, enquanto esteve na terra, em carne, para a nossa justificação, viveu como um cidadão como qualquer outro, e se sujeitou às autoridades, no que deviam ser obedecidas, sem trazer qualquer transtorno à ordem civil.
No modo como Ele proveu o dinheiro necessário para pagar o tributo, deve ser destacada não apenas o milagre que foi realizado demonstrando o Seu poder até mesmo sobre as criaturas do mar, porque foi ordenado a um peixe que apanhasse uma moeda que se achava perdida no fundo do mar e que viesse na direção de Pedro, para ser apanhado por ele, como também, podemos inferir, que nosso Senhor vivia de modo completamente despojado, sem dispor de qualquer reserva de dinheiro, porque deu a Seus discípulos o testemunho prático de uma vida inteiramente dependente da providência de Deus.
Nisto, o objetivo de seu ensino pessoal, não era o de que devemos aprender a viver sem recursos, e sermos completamente pobres, mas aprendermos que Deus é de fato provedor de todas as necessidades de Seus filhos.

Silvio Dutra

Os Sofrimentos de Cristo Preditos por Ele – Mateus 17.22,23

“22 Ora, achando-se eles na Galileia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens;
23 e mata-lo-ão, e ao terceiro dia ressurgirá. E eles se entristeceram grandemente.”

Nosso Senhor, com o fito de preparar seus discípulos para a hora difícil que Lhe aguardava, que seria também um momento difícil para eles, mais uma vez lhes falou dos sofrimentos que Lhe aguardavam e que culminariam com a Sua morte nas mãos dos homens.
Todavia, não lhes falou somente dos sofrimentos e da morte, mas também da Sua ressurreição.
Mas mesmo assim, eles se entristeceram porque não compreendiam ainda, de modo adequado, tudo o que sucederia a nosso Senhor, de forma que nós os vemos vacilantes e duvidosos depois que Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, lhes relataram a Sua ressurreição (Lc 24.10,11).

Silvio Dutra

A Cura de um Jovem Possesso – Mateus 17.14-21

“14 Quando chegaram à multidão, aproximou-se de Jesus um homem que, ajoelhando-se diante dele, disse:
15 Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água.
16 Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar.
17 E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.
18 Então Jesus repreendeu ao demônio, o qual saiu de menino, que desde aquela hora ficou curado.
19 Depois os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, perguntaram-lhe: Por que não pudemos nós expulsá-lo?
20 Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível.
21 [mas esta casta de demônios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.]” (Mateus 17.14-21)

Nós comentaremos esta passagem com a apresentação de um sermão de Spurgeon relativo ao assunto, o qual transcrevemos a seguir, em forma adaptada:

Quando Jesus desceu do monte da transfiguração, os seus discípulos estavam envolvidos numa discussão com os escribas diante de uma numerosa multidão, e quando Jesus interpelou os escribas sobre o motivo da discussão; uma pessoa saiu da multidão e respondeu que havia trazido seu filho que estava possuído de um espírito mudo, aos seus discípulos e estes não puderam expeli-lo. Jesus exclamou: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei?”, e pediu que lhe trouxessem o menino. E ao perguntar ao seu pai desde quando aquilo lhe sucedia, ele lhe respondeu que desde a sua infância, e acrescentou: “mas se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.”. E a isto Jesus respondeu: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.”. E foi em face desta afirmação que o pai do menino proferiu as palavras do nosso texto.
“Senhor, eu creio”, disse o pai aflito. Quando nosso Senhor lhe disse que, se ele pudesse crer, todas as coisas lhe são possíveis, ele não demorou e não fez qualquer pausa, não desejou ouvir mais nenhuma evidência, mas clamou imediatamente: “Senhor, eu creio”.
Agora, observe que nós chamamos esta fé de fé verdadeira, e nós provaremos que tem sido assim. Primeiro, era fé na pessoa de Cristo. É um grande engano imaginar que endossar a sã doutrina é a mesma coisa que possuir a fé que salva, porque enquanto a fé que salva aceitar a verdade de Deus, isto se refere principalmente à pessoa e à obra do Senhor Jesus Cristo, e isto repousa em sua essência sobre o próprio Jesus. Eu não sou salvo porque eu creio na Bíblia, ou porque eu creio nas doutrinas da graça, mas eu sou salvo se eu crer em Cristo; em outras palavras, por confiar nele. Jesus é meu credo. Ele é a verdade. No senso mais alto o Senhor Jesus é a Palavra de Deus. Conhecê-lo é a vida eterna. Pelo seu conhecimento ele justifica a muitos (Is 53.11).
Eu não sei se o pai na narrativa diante de nós tinha ouvido muitos sermões. Eu não estou seguro que ele tivesse noções muito claras sobre tudo o que pertence ao reino do Salvador: isto não era essencial para que ele obtivesse a cura para o seu filho. Seria uma coisa muito desejável que ele fosse um discípulo instruído, mas na emergência diante de nós a coisa principal seria que ele deveria crer que Cristo estava disposto a expulsar o espírito imundo que dominava o seu filho.
Até aquele ponto ele creu; e, entretanto a sua fé pode ter sido deficiente em sua profundidade, contudo lhe permitiu perceber que o Messias que estava diante dele era o Senhor, e isto o levou a colocar toda a sua confiança nele.
Ele não creu nos discípulos; ele tinha confiado neles uma vez e eles falharam. Ele não creu em si mesmo; ele conhecia a sua própria impotência para expulsar o mau espírito do seu filho. Ele não creu nos remédios dos homens, mas ele creu no homem de semblante resplandecente que havia descido da montanha há pouco.
Quando ele o ouviu dizer: "Se tu podes crer, todas as coisas são possíveis ao que crê", ele disse imediatamente, "Senhor, eu creio.". Eu espero, amados, que vocês coloquem sua confiança da mesma maneira em Jesus, enquanto creem que Ele está disposto a socorrê-los. Esta é a fé que vai efetivamente salvar-te, curar-te, repreender a ação dos demônios sobre tua vida e tudo mais que se refira às tuas necessidades.
A fé daquele homem era fé verdadeira porque era fé pessoal sobre o assunto em questão, fé sobre o caso que ele estava apresentando.
Crer para outros é uma questão fácil, mas quando isto se refere ao seu próprio caso, crer que o seu pecado pode ser destruído, que você, que tem agido tão mal como o filho pródigo, pode ser recebido por seu Pai e que suas doenças espirituais podem ser curadas, e que o diabo pode ser expulsado de você - aqui está o trabalho, aqui está a dificuldade. Mas, amados, nós devemos crer nisto ou então nós não temos fé que salva. Eu crerei que o meu Salvador pode resolver qualquer problema das pessoas, e menos os meus?
A fé daquele homem era uma fé verdadeira porque ela triunfou sobre as dificuldades. O seu filho estava atormentado pelo espírito maligno há muito tempo, desde a sua infância. E agia de modo terrível procurando tirar-lhe a vida.
Os anos se passavam e o menino piorava. Isso enfraquece a esperança de qualquer um. Mas aquele pai intercedeu com fé pelo seu filho, ainda que abatido pelas lutas de anos a fio. Este homem pode ter considerado por muito tempo que o caso do seu filho não tinha mais esperança. O caso lhe parecia impossível. Por isso Jesus diz para fortalecer a sua fé: “tudo é possível ao que crê”. Eu espero assim, caso haja alguém em nosso meio que tenha perdido a esperança ou que não creia que haja cura para o seu caso que lhe parece impossível, que não há impossibilidade para aquele que crê no Senhor.
Tenha a fé de Abraão que creu contra a esperança.
Na presença de Cristo a confiança do homem voltou a ele. De repente, esta é a sua principal necessidade. Você precisa entrar na presença do Senhor pela oração e obediência à Sua vontade, e ali, você verificará que a sua fé é fortalecida por Ele e você pode ver que tudo é possível ao que crê.
Venha aos pés de Jesus e creia nele. Qualquer razão pode vir sobre sua alma, levando-o ao desânimo, em razão de derrotas passadas, mas creia firmemente que o poder dEle ainda é invencível; o braço do Senhor não está encurtado de modo que ele não possa salvar, o seu ouvido não está fechado de maneira que Ele não possa ouvir.
O espírito maligno agitou o menino quando Jesus se aproximou dele, porque sabia que o seu tempo era curto. Quando o Salvador lhe ordenou que saísse do menino, o espírito imundo clamou e agitou muito o menino antes de sair, deixando-o como se estivesse morto. E muitos pensaram que ele tinha morrido. Mas Jesus o tomou pela mão e o ergueu, e ele se levantou. É possível que muitos já tenham sido abençoados pelo Senhor mas ainda estejam deitados como mortos em seu desânimo pelos ataques que sofreram do Inimigo.
É preciso permitir serem erguidos agora pelas mãos do próprio Jesus, de maneira que sejam levantados na liberdade dos filhos de Deus para prosseguirem na jornada da vida.
A dúvida pode entretanto assaltar a fé na hora em que se trava o combate. E quando dizemos como o pai do menino: “eu creio, ajuda-me na minha incredulidade”, estamos na verdade dizendo que reconhecemos que a dúvida invadiu o nosso coração, apesar de continuarmos crendo no Senhor e no seu poder para nos ajudar. Ainda que lhe digamos”se tu podes fazer alguma coisa por nós, tem compaixão de nós, e ajuda-nos” assim como fizera o pai do menino, indicando não a nossa falta de fé no Seu poder para realizar o que quer que seja, mas quanto ao Seu interesse efetivo na nossa necessidade específica, nós podemos confiar na Sua bênção e socorro porque sabemos que tudo está sob o domínio da Sua soberana vontade, e não poderemos saber se Ele nos atenderá ou não caso não nos revele isto pelo Seu Espírito. Por isso faremos bem em pedir que nos ajude na nossa falta de fé, quando se mostra favorável à resolução do nosso problema e nos indica que devemos crer que Ele está interessado em nos atender. Foi isso o que o pai do menino fez quando percebeu que o Senhor Onipotente atuaria em seu favor. Ele sabia que Ele podia todas as coisas, mas precisava confiar também que Ele queria resolver o seu problema. Por isso pediu que fosse ajudado a crer nisto.
A batalha estava se desenvolvendo naqueles poucos minutos. A fé que o levou a recorrer a Cristo, estava sendo provada em sua perseverança. Ele deveria manter a fé. Deveria continuar confiando. Os discípulos afinal, estavam a serviço de Jesus e não puderam expulsar o espírito maligno. É provável que tenha chegado ao conhecimento do pai que aqueles mesmos discípulos haviam expulsado antes muitos demônios. E por que não puderam fazê-lo agora ? Seria o problema do seu filho um problema tão grande que estivesse fora da esfera de poder ser resolvido por Cristo e seus discípulos? A fé daquele homem estava sendo provada. Este é o ponto. É no contexto da situação real que devemos avaliar as suas palavras e as do Senhor no texto bíblico. É nesta condição que ele pede que seja ajudado pelo Senhor na sua falta de fé, na dimensão que ele sabia que ela podia se firmar no Senhor: até o ponto de não ter qualquer sombra de dúvida, ou temor, receio, inquietação no coração.
Faríamos bem em ter a sinceridade daquele pai, dizendo a verdade ao Senhor: “ajuda-me na minha incredulidade” porque não cremos como o Senhor é digno de ser crido. Pecadores e fracos que somos, vacilamos muitas vezes, mas é preciso progredir e buscar nEle e por Ele que a nossa fé seja mais e mais fortalecida.
A fé pode ser pequena ou fraca, mas se for verdadeira ela salvará a nossa alma e nos trará as bênçãos de Deus.
É observado que aquele pai não disse: "Senhor, eu creio, mas tenho algumas dúvidas", e menciona isto como se fosse uma mera questão de inteligência comum. Oh, não; ele disse isto com lágrimas; ele fez uma confissão triste disto. Não era a mera declaração de um fato, mas era o reconhecimento de uma falta. Com lágrimas ele disse: "Senhor, eu creio", e então reconheceu a sua incredulidade. Aprenda então, no seu exemplo, sempre olhe para a incredulidade em Cristo na luz de uma falta. Nunca diga: "Esta é a minha fraqueza", mas diga: "Este é o meu pecado.". Por que eu deveria descrer do meu Senhor? Como ouso duvidar de quem não pode mentir? Repreendam a si mesmos, por suas dúvidas. As dúvidas estão entre os piores inimigos de suas almas. Não as entretenha. Não as trate como se elas fossem viajantes errantes. Lute contra elas, mate-as, e peça a Deus para ajudar-lhe a matá-las, e as enterre.
A dúvida e a incredulidade deve ser detestada, e ser confessada com lágrimas como pecado diante de Deus. Assim como fizera o pai daquele menino. Nós precisamos de perdão por duvidar.
É notável o fato que o pai do menino que estava possesso, não disse: "Senhor, eu creio; ajude meu filho." Nem disse: "Senhor, eu creio; agora expulse o diabo do meu menino.". Não; ele percebe que a sua própria incredulidade era mais dura do que superar o diabo. Este é o ponto para se chegar, sentir que não há nenhuma deficiência no mérito de Cristo; nenhuma falta de poder no seu sangue precioso; nenhuma repugnância no coração de Cristo para me salvar; mas todo o obstáculo reside na minha incredulidade. Nenhum médico pode curar incredulidade mas somente Cristo.”
A estas palavras de Spurgeon devemos acrescentar o comentário relativo à parte final desta passagem de Mateus, na qual os discípulos perguntaram a nosso Senhor qual foi a causa de não terem podido eles expulsar o demônio?
Ele lhes respondeu que a causa foi a pouca fé deles, menor ainda do que um grão de mostarda, porque uma fé tão pequena como esta pode ser suficiente para realizar proezas, até mesmo deslocar um monte de seu lugar, se esta fosse a vontade de Deus.
Com esta afirmação nosso Senhor quis nos ensinar que não há impossíveis para a fé, por menor que ela seja.
Todavia, a fé é muito preciosa e não pode ser obtida senão da nossa comunhão real com Deus, e esta decorre de uma vida de oração e jejum. Portanto, não se deve jejuar para expulsar demônios, mas ter uma vida de comunhão tal com Deus, que para orarmos, abriremos até mesmo mão, de nossos momentos regulares de refeição.
Esta vida de intimidade espiritual com o Senhor é obtida pelo hábito da oração constante e perseverante, não como um hábito mecânico religioso, mas como um canal de efetiva comunhão com Ele, de modo, que assim sendo, nos tornamos hábeis para sermos Seus instrumentos, para a realização da Sua obra, inclusive para expulsar demônios, porque não somos propriamente nós que o fazemos, mas o Seu poder operante em nossas vidas.

Silvio Dutra

A Transfiguração de Cristo – Mateus 17.1-13

“1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, irmão deste, e os conduziu à parte a um alto monte;
2 e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
4 Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.
5 Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.
6 Os discípulos, ouvindo isso, caíram com o rosto em terra, e ficaram grandemente atemorizados.
7 Chegou-se, pois, Jesus e, tocando-os, disse: Levantai-vos e não temais.
8 E, erguendo eles os olhos, não viram a ninguém senão a Jesus somente.
9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja levantado dentre os mortos.
10 Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?
11 Respondeu ele: Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas;
12 digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles.
13 Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.”

Estava se aproximando o momento de nosso Senhor deixar este mundo, passando antes por Seus sofrimentos que acompanharam a Sua morte na cruz.
Então a providência divina começou a agir no sentido de fortalecer a fé dos discípulos, para que pudessem resistir a tudo o que teriam que experimentar dali por diante, com a intensificação das perseguições ao Senhor deles, e para que tivessem algumas evidências que lhes fossem dadas desde os céus, para que ficassem firmes, até serem revestidos com o poder do Espírito Santo, no dia de Pentecostes.
Este foi um dos principais propósitos de tudo o que viram e ouviram no monte da Transfiguração, ainda que não todos eles, mas Pedro, Tiago e João, que poderiam dar tal testemunho aos demais e firmar a fé deles, na hora da provação que teriam que suportar.
Ainda assim, nós vemos o que sucedeu a Pedro com a sua negação de conhecer ao Senhor.
Todavia, todas estas experiências lhe ajudariam a se reerguer, de maneira que se tornasse um instrumento apropriado para fortalecer a fé dos seus irmãos no Senhor.
Pedro, mesmo quando estava próximo o seu martírio, muitos anos depois, ainda tinha uma lembrança vívida desta experiência que tivera no monte, e fora de tal modo marcado por ela, que a destacou como uma das evidências de que o Cristo ao qual servia, era alguém que não era deste mundo, mas do céu:
“14 sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, assim como nosso Senhor Jesus Cristo já mo revelou.
15 Mas procurarei diligentemente que também em toda ocasião depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas.
16 Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade.
17 Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando pela Glória Magnífica lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;
18 e essa voz, dirigida do céu, ouvimo-la nós mesmos, estando com ele no monte santo.” (II Pedro 1.14-18)
A glória da divindade de Cristo é percebida pela fé em nossos corações.
Todavia, como os discípulos se mostravam ainda endurecidos para compreenderem que não havia glória maior do que a do Senhor, apesar de estar entre eles no corpo de sua humilhação, e num estado de aflições, então veriam com os olhos da carne, não toda a glória do Senhor em Seu esplendor, mas parte dela, porque não poderiam suportá-la em toda a sua plenitude, e viram o Seu rosto brilhando como o sol, e suas vestes emitiam uma forte luz, de maneira que se tornaram brancas aos seus olhos.
Lucas registra em seu evangelho que esta experiência da transfiguração ocorreu cerca de oito dias após Jesus ter proferido as palavras que comentamos no final do décimo sexto capítulo do evangelho de Mateus.
Lucas registra também que nosso Senhor havia subido o monte com o propósito de orar juntamente com Pedro, Tiago e João. E ainda, que quando Moisés e Elias apareceram falando com o Senhor, o assunto era referente à Sua partida para glória celestial, que estava para se cumprir em Jerusalém.
A Moisés e Elias foi concedido e ordenado por Deus que viessem ter com Jesus naquele monte. Elias em seu corpo glorificado espiritual, porque fora arrebatado no passado e não havia experimentado a morte, e Moisés, em espírito somente, porque havia passado pela morte, conforme afirmam as Escrituras.
Os dois grandes profetas de Israel estavam diante da glória do Grande Profeta e Salvador e Senhor deles, tanto quanto nosso. Eles eram profetas, mas Jesus é o Profeta. O Profeta prometido a Moisés que deveria ser ouvido pelos filhos de Israel a bem de suas vidas, porque todo aquele que não lhe desse ouvido, Deus entraria com ele em juízo.
Por isso, quando a nuvem luminosa os cobriu a todos, inclusive a Pedro, Tiago e João, foi ouvida a voz de Deus Pai dando este testemunho acerca de ser o Seu Filho amado o Profeta que deveria ser ouvido, conforme prometido desde os dias de Moisés (Dt 18.15-19).
“Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.” (v. 5)
Estando como fora de si, sem saber o que dizia, Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.”
A transfiguração, naquele momento, não foi suficiente por si só, para instruir o espírito de Pedro, e transportá-lo da visão das coisas terrenas para as celestiais, porque afirmou que era bom estar aqui, ou seja, onde se encontravam, no monte, e pensou em fixar residência naquele local para Cristo, para Moisés e Elias.
Melhor instruído em seu espírito, aspiraria pela mesma glória que viu. Compreenderia quão pequena é a glória deste mundo comparada com a glória por vir a ainda a se revelar em nós.
Teria visto toda a miséria da natureza terrena, à face da glória e vida plenas que viu em Moisés e Elias, no estado glorificado deles.
Como aspirar a permanecer na terra, quando temos visto parte da glória do céu. Esta passará a ser a nossa inspiração e aspiração, como passou de fato a ser para Pedro, posteriormente, quando teve um entendimento espiritual de tudo o que lhe havia sido revelado no monte.
Em vez de exultarem no espírito por terem visto toda aquela glória e a voz de Deus Pai que falava com eles da nuvem luminosa, os discípulos caíram com o rosto em terra e ficaram grandemente atemorizados.
Aquela voz não veio com trovões e relâmpagos, fogo e grande fumarada, como havia ocorrido no monte Sinai, quando Deus se manifestou a Israel nos dias de Moisés, mas se manifestou em familiar comunhão entre os santos do céu com os santos da terra.
Todavia, os apóstolos não estavam ainda preparados para entenderem aquela experiência, e por isso o Senhor lhes tocou, dizendo que se levantassem e que não temessem, porque o propósito da revelação não era o de atemorizá-los.
Ao erguerem os olhos não viram mais a Moisés e a Elias.
Eles tinham visto que a glória de Jesus era maior do que a de Moisés e a de Elias, e que ambos se apresentaram a Ele no monte na condição de servos.
Por isso perguntaram por que os escribas diziam que era necessário que Elias viesse primeiro.
Eles afirmavam isto com base em Malaquias 4.5: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;”.
Eles tinham visto Elias no monte, e ficaram confusos, porque pensavam que o dia do Senhor seria manifestado logo.
No entanto, Jesus lhes explicou que Elias já havia vindo dantes, e que não fora reconhecido pelos judeus, e que lhe fizeram tudo o que quiseram, referindo-se à sua decapitação. E tal como Elias, Ele também padeceria nas mãos deles. Aos lhes dizer isto, compreenderam que o Elias da profecia de Malaquias é uma referência à pessoa de João, o Batista.

Silvio Dutra

Do Jejum – Mateus 9.14-17

“14 Então vieram ter com ele os discípulos de João, perguntando: Por que é que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?
15 Respondeu-lhes Jesus: Podem porventura ficar tristes os convidados às núpcias, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo, e então hão de jejuar.
16 Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a rotura.
17 Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.” (Mateus 9.14-17)

Nós lemos no texto paralelo desta passagem, em Mc 2.18, o seguinte:
“Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando; e foram perguntar-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?”
Este texto paralelo registra que os discípulos de João e os fariseus estavam em acordo prático, quanto à questão do jejum.
Nós já comentamos na parte relativa ao jejum, no Sermão do Monte, que os fariseus haviam acrescentado à prática religiosa, um jejum obrigatório não previsto na Lei de Moisés.
É bem provável que João e seus discípulos tenham sido influenciados por tal prática e se submeteram à mesma, uma vez que era generalizada em Israel.
Poderia, portanto, parecer aos discípulos de João que era uma violação da lei, ou então algo pecaminoso em si mesmo, não observar aquele jejum prescrito pelos fariseus, para determinados dias da semana.
Nós vemos que não foi sem razão que Jesus advertiu os Seus discípulos quanto ao cuidado que deveriam ter para não se contaminarem com o fermento dos fariseus.
É muito comum que pessoas piedosas se deixem levar por práticas religiosas que lhes sejam impostas como obrigatórias, sem que haja qualquer base ou ordenação bíblica para as mesmas.
E quão difícil é dissuadir aqueles que adotam tais práticas quanto ao fato de não serem exigidas por Deus, porque admiti-lo, geralmente ofende suas consciências fracas e sensíveis.
Tanto que Jesus não condenou a prática dos fariseus e dos discípulos de João, mas, como jejuavam desfigurando o rosto, e como motivo de tristeza, deu-lhes a resposta de que não havia motivo para que os Seus discípulos fizessem um jejum de tal tipo, enquanto tinham a Sua companhia com eles, sendo a sua permanente alegria.
Quando Ele lhes fosse tirado temporariamente, em Sua morte na cruz, então teriam motivo de tristeza, e poderiam jejuar tal como faziam os discípulos de João.
No entanto, Cristo veio inaugurar uma Nova Aliança, diferente em muitos aspectos da Antiga, que regia os discípulos de João, que se encontravam debaixo das disposições do Antigo Testamento.
Nosso Senhor não veio colocar um remendo de pano novo no vestido da Antiga Aliança, que vigorava no Velho Testamento, mas trazer a veste nova da Sua justiça.
Muitos pensam que ao ter dito as palavras do verso 16, que nosso Senhor veio colocar remendo novo em vestido novo.
Todavia, não é o caso, porque este vestido novo não necessita de remendo, porque a justiça com a qual fomos justificados é perfeita e eterna.
Usando uma outra metáfora, nosso Senhor disse que o vinho novo da Nova Aliança não é colocado em odres velhos, mas em recipientes novos, para que sejam conservados tanto o odre quanto o vinho.
O cristão é uma nova criatura. Ninguém pode fazer parte desta Nova Aliança se não for justificado e se não nascer de novo do Espírito.
A obra de salvação não é uma obra de remendo do pecador, mas a formação de uma nova criação. Deus destrói o velho para erigir o novo. Tudo o que herdamos de Adão será removido pela mortificação do pecado, para que permaneça somente aquilo que temos herdado em Cristo e por Cristo.

Silvio Dutra

Muitas Curas Operadas por Jesus – Mateus 8.16,17

“16 Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os espíritos, e curou todos os enfermos;
17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.” (Mateus 8.16,17)

Nesta passagem nós temos o relato do método que o Senhor empregava usualmente para curar e expulsar espíritos malignos: simplesmente pela Sua palavra de ordem.
Nosso Senhor revelou o Seu completo poder sobre as obras de Satanás, para destruí-las.
Se o pecado não tivesse entrado no mundo não haveria doenças e nem possessões malignas, então, ao curar os enfermos e endemoninhados, Jesus demonstrou o Seu poder para também remover a causa de tais males, que é o pecado, conforme foi profetizado acerca dEle nas Escrituras:
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.” (Is 53.4)
“levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (I Pe 2.24)
Jesus pode curar enfermidades e expulsar demônios porque carregou sobre Si mesmo todos os nossos males na cruz.
Ele teve que pagar este altíssimo e doloroso preço para que pudéssemos ser curados e libertados.
É portanto, grande demonstração de gratidão para com o Senhor, e de tributação de louvor e honra ao Seu grande nome, depositar total confiança nEle para que sejamos curados, e principalmente salvos do poder de destruição do pecado.
Não é dito na passagem que Ele tivesse recusado a qualquer tivesse vindo a Ele. Ele não o fez e jamais o fará.
O Senhor entrará na casa do coração de qualquer que lhe der acolhida, e lhes abençoará com a Sua presença.

Silvio Dutra

Deus realmente ajuda quem o procura na madruga.(Pv.8:17)

Eliezer P. Ferreira

COMO E PORQUE SER ESPIRITUAL E NÃO CARNAL
– Parte 17

Se nós não rejeitarmos nosso ego e perdermos nosso viver pela alma, mas ao invés disso, seguirmos sua (da alma) ideia, opinião, e sugestão, e se nós constantemente não negarmos seu direito incondicionalmente e sem qualquer reserva, levando-a às cinzas, sem almejar o que nós perderemos, nós não podemos esperar ter uma vida espiritual e trabalho que agradem a Deus.
A razão de nós termos tantos fracassos em nossa vida espiritual deve-se ao fato de que a morte desta vida da alma não foi tratada completamente.
Se o trabalho do Espírito Santo não recebe boa acolhida da nossa parte, a carne prevalece, e como está naturalmente em inimizade permanente contra Deus, isto apaga o Espírito.
O Senhor Jesus disse: "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita;" (Jo 6:63).
As obras da carne são de nenhum proveito!
Tudo aquilo que nasce da carne, indiferentemente do que possa ser, é carne, e nunca pode se tornar espiritual.
Se a carne prega, se a carne ora, se a carne lê a Bíblia, se a carne oferta, se a carne canta hinos de louvor, ou se faz o bem, o Senhor disse que nada disso tem qualquer proveito.
Não importa quanto os cristãos confiem na carne, Deus disse que é de nenhum proveito e não ajuda a vida espiritual. A carne não pode cumprir a justiça de Deus.
"Porque a inclinação da carne é morte" (Rom. 8:6).
Do ponto de vista de Deus, há morte espiritual na carne. E realmente ela está morta, espiritualmente falando, porque o espírito do homem está morto em delitos e em pecados, e somente pode ser revivificado para a comunhão com Deus, caso renasça do Espírito, e seja continuamente renovada pelo Espírito Santo.

Silvio Dutra

...aprender com erros...aos 17 anos, compreendi esta frase; pois realmente apredi com meus erros, e levo uma lição para cada tropeço que dei.
Já me fizeram chorar, e já fiz tabém pessoas chorar, o arrependimento bate forte, e minha conciência me faz ver o quanto sou humana e sujeita à erros...mas é bom saber que tenho a chance de fazer tudo diferente, e que em certos casos posso corrigi - los (meus erros. Em certos momentos tenho que perdoar a mim mesma, para depois procurar perdão de quem magoei...e hoje estou procurando me perdoar, aceitar que tudo vai passar, e que o tempo ruim só alimenta mais a minha coragem; e que devo e que é extramamente importante para o meu amadurecimento:
errar ---> aprender ---> corrigir

Joice Fernanda

Ela tinha 14 e ele 17, eram feitos um pro outro, mas a distância não deixava.

Millena Gabrielle

“É a história mais antiga do mundo. Um dia você tem 17 anos e está planejando o futuro. E então, sem você perceber o futuro é hoje. E então, o futuro foi ontem. E assim é a sua vida. Passamos tanto tempo querendo, buscando, desejando. Mas ambição é algo bom. Perseguir as coisas com integridade é algo bom. Sonhar. Se tivesse um amigo que jamais fosse ver, o que você diria? Se pudesse fazer uma última coisa pra alguém que ama, o que seria? Diga. Faça. Não espere. Nada dura para sempre. Faça um pedido e guarde no coração. Qualquer coisa que você quiser. Tudo que você quiser. Fez? Ótimo. Agora acredite que pode se tornar realidade. Você nunca sabe de onde virá o próximo milagre. A próxima memória. O próximo sorriso. O próximo desejo que se tornará realidade. Mas se acreditar que está logo adiante e abrir seu coração e mente para a possibilidade, para a certeza, pode ser que consiga o que queira. O mundo está cheio de mágica. É só acreditar nela. Então faça um pedido. Fez? Ótimo. Agora acredite nele. Com todo o seu coração.”

One Tree Hill

17;19/30/1/2014

QUANDO VOCE APRENDER A CONFIAR NA VIDA VOCE VAI SER FELIZ...DE VERDADE...

CONFIAR NA VIDA É O MESMO QUE CONFIAR EM DEUS...
TENHA FÉ NA VIDA....

A SABEDORIA É DEUS...

A FORÇA É DEUS......

A VIDA É DEUS......

JOELMA FERA