Amizade que Virou Amor

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Você virou amizade
Virou amor
Virou felicidade
Então se virou
E virou saudade

William Valerio

Semana passada baixei um aplicativo de 'karaoke' e virou meu vício. Passava horas 'cantando' com gringos e nem via o tempo passar (e olha que eu nem tinha tempo sobrando). Resolvi até pagar pela versão 'vip', pra ter mais recursos.

Hoje olhei pro aplicativo, após receber diversos 'convites' para continuar cantando e pensei: "Ah não... agora não. Hoje não. Talvez amanhã". Isso tudo em menos de uma semana. Só que, veja bem, antes desse eu já tinha me "apaixonado e viciado" em diversos outros. Curioso foi observar que o desinteresse posterior veio proporcional a empolgação inicial, e em pouquíssimo tempo. E lá vou eu atrás de algo novo, que me encante, me atraia e me vicie.

As coisas estão 'um pouco assim' ultimamente, né? Não estou generalizando, mas é algo que tenho observado não só na minha vida, como na vida de muitos que me cercam. A gente tem se encantado e enjoado muito rápido. A lei da oferta e da procura está trabalhando na velocidade da luz. O vídeo que fez sucesso essa semana no Youtube, com milhões de visualizações (e que em alguns casos acaba até em convites para programas de entrevista e contratos publicitários) cai no esquecimento em pouco tempo, ou assim que aparecer um 'mais legal'.

Não sei se é saudosismo bobo de quem nasceu nos anos 80 e curtiu a infância dos anos 90, mas me parece que as coisas duravam mais décadas atrás. Eram 'degustadas' com mais tempo, afim de se aproveitar cada nota do seu sabor. Hoje a gente engole goela abaixo e mal mastiga. A digestão vem tão rápido, que logo estamos 'com fome'. Imagino eu que o legado da Xuxa não teria sobrevivido há tantas gerações se ela tivesse surgido no ano 2000. Quantas bandas (especialmente as 'teens') estouram com adolescentes se matando por um show, e que agora estão com CDs sendo vendidos a preços promocionais e integrantes mendigando atenção? Em compensação Paralamas do Sucesso e Roupa Nova estão aí. Sorte a deles que não foram lançados semana passada. Quase nada hoje vira 'clássico', tá meio descartável...

Isso aqui pode parecer super piegas e papo de quem passa o dia inteiro filosofando, na contramão da 'modernidade'. Pelamor, não pensem isso! Sou a mais "adepta das adeptas" das novas tecnologias. Só que tenho me questionado o quão superficial posso tornar as coisas, se levar esse estilo 'high tech' pra tudo na vida. É natural você gostar e 'desgostar', não há nada de errado. Mas e se de repente começarmos a tratar tudo dessa forma, nessa velocidade e com essa facilidade? Pessoas não são aplicativos, que você usa, se diverte, desfruta, aproveita, depois enjoa e vai atrás de outro. Relacionamentos precisam ser cultivados, investidos. E a vida não funciona como na internet, com várias abas ao seu dispor, onde você consegue o que quer em um clique, com pouco esforço. Há de se ter doação e paciência.

Aliás... paciência é o que mesmo?
Um download que dure mais de 1 minuto já é o fim do mundo! Vejo meus filhos sem paciência para esperar o menu do DVD carregar. 'No meu tempo' (pausa para eu pagar a língua por estar falando exatamente como minha avó agora) não tinha capítulos para correr... era o velho e bom VHS (e pasme: que ainda precisava ser rebobinado).

Nos tornamos mais críticos. Nos tornamos mais exigentes. Nos tornamos mais imediatistas. As coisas tem girado em torno do 'eu'. Minha vontade, meu prazer, minhas necessidades, eu, eu, eu, EU. E o mundo está aí, ao MEU dispor. Sei lá. Acho meio difícil viver em sociedade quando tudo gira em torno do 'eu'. Precisamos pensar um pouco em nós. Precisamos de tempo, paciência e força de vontade pra investir um pouco em nós. Só acho.

Os aplicativos não vão ficar 'tristes' se os abandonarmos, trocando por outro que nos agrade - no máximo as pessoas que o projetaram e estão lucrando com isso. Pois é. Por mais que exista tecnologia e modernidade, seres humanos continuam sendo seres humanos. E os corações ainda são de verdade.

Tainah Ferreira