Amigo Oculto

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Os falsos amigos nunca me surpreenderam, mas os amigos ocultos, por sorte, sempre o fazem.

Jorge Emerson

DESOBEDIÊNCIA

É chegado o natal.

Não há natal pleno sem família.
As reuniões de amigo oculto, ceia, presentes.

Mas o natal pra mim tem gosto de escola. Havia um sabor de fim de ano inesquecível.

As provas do 4º bimestre, os amores platônicos não resolvidos (sempre fui um garoto extremamente tímido), as férias dos coleguinhas e a saudade que já começava a apertar o peito.

A atenção da minha mãe às tarefas e o acompanhamento sempre alerta no "azul" do boletim.

Minha mãe, atenta, cumpria a risca sua missão de mãe e professora dos filhos.

Com carinho, mas firmeza, dizia:

- Olhe, ESTUDE, viu? Se tirar nota baixa, vai ficar de castigo!
Nada de preguiça, nem pensar em me desobedecer!

Minha avó, com quem eu ficava nos fins de semana, já era o contrário.

Nada de tarefa, nem pensar em ameaçar com castigo.

Nunca soube o que era ser castigado por ela.

Na verdade, nunca soube o que era ser castigado, por nenhuma das duas.
A promessa da minha mãe nunca se cumpriu. Eu não deixei, não dei trabalho pra passar de ano.

A timidez que me sobrava, fazia sobrar também disposição pro estudo.

Mas agora lembrando disso, me vem uma certa revolta.

Ambas, minha mãe e minha vó Mocinha (se apelido que virou nome) me desobedeceram.

Há 3 anos eu estava em um distrito de Porto Velho, onde ia passar o réveillon (isso mesmo, ano novo em um distrito), eram 16h mais ou menos do dia 31 quando, de repente, comecei a ficar angustiado.

Um aperto no peito que não quietava e sufocava fundo.

Minha baiana notou e perguntou o que eu tinha:

- não sei, não tenho nada, já melhora.

Um ou duas horas depois, recebo mensagem da tia Rosario
- Emerson, a mamãe (minha avó) passou mal mas estamos levando pro hospital.

Pronto!

A mão que me apertava o peito retesou ainda mais suas garras e inquietei de vez.
Pelas próximas horas foi um trocar de mensagens infinito. A sensação de perda crescendo dentro de mim.

Eu rezava. Pedia a Deus que a protegesse. Em oração pedia a ela, minha vó, que resistisse, não me deixasse...

A inacreditável presença da morte como nunca antes havia sentido se fez real e por fim, já as 22h a notícia:

Abdon me liga e pede pra eu voltar pra cidade:

- Emerson, volta, Dona Mocinha morreu.

Minhas pernas viraram borracha.

minha mãe doce tinha partido?
Ela me desobedeceu?? Pedi pra ela aguentar!

Enlouqueci.

Binha me deu agua.

Pedi pra voltar pra cidade, começava a chover.

Ela veio dirigindo.

Era um trovejar sem fim.

Nos 114 km que dirigiu, sob forte tempestade, vi cobras atravessando a BR, um cão, já morto, raios que rasgavam o negrume da noite e me rasgavam também por dentro, assombravam uma noite que parecia não ter fim.

A pista quase invisível, tamanha força da chuva que caía.
Só se via o prateado dos faróis sobre o asfalto encharcado.

E foram quase duas horas nesse tormento.

Pouco a pouco a tempestade ia amainando.
A poucos kilometros de Porto Velho, estiou de vez.

Já era quase meia noite.

Ao chegar no centro da cidade, o ano virou, rojões em toda cidade estouraram.

Era um show de cores, explosões, luzes que ofuscava tudo.

Meus olhos que estavam cegos de tanto chorar começaram a ver sem a cortina de lágrimas que me corria.

Minha vó me
Desobedeceu, partiu sem que eu pudesse despedir-me dela.
Porque?

Mais fogos.
Mais cores, iam crescendo explodindo bem em frente aos meus olhos.

Ano novo.

2011 havia chegado.

Dona Mocinha, sempre malandra, preparara tudo direitinho.

Viveu uma vida de trabalho, a criar filhos do caminhoneiro duro, vindo do árido sertão nordestino.

Partia em festa.

A festa que pra todos significa um recomeço, o ano novo, para ela era a formatura de uma vida de luta.

Mas de muitas alegrias.

O recomeço de Minha avó ia ser MUITO MELHOR que o nosso.
Ia ser nos braços de Deus.
Enquanto olhava pela janela do carro, a Binha a dirigir, os fogos a estourar, esse Pensamento, que agora partilho, veio a minha mente.

Festa!

Mais uma aluna havia terminado seu "período de estudos".

Festa!
Mais uma a viajar de férias, deixando saudades para os que com ela estudaram.

Alegria!
Nosso Deus abraçava a volta pra casa eterna da filha que havia saído pra um longo período de estudos e que agora acabava.

De repente, sem mais nem porque, as lágrimas secaram de vez.

Sorri.

Beijei o vidro frio da janela do carro, olhando para o show de luzes que desfilava ante meus olhos e refletia nas poças de água do asfalto. O beijo que eu queria que chegasse até a minha avó, abriu a mão que me esmagava o coração trazendo um certo sossego.

A aceitação.

A aluna da vida se formava, e partia pra nova jornada.

Sem antes me desobedecer, coisa que eu nunca havia feito com ela...

Ah, vó...

Vais ficar de castigo.

Me desobedeceu, na maior cara de pau?!

Isso lá é exemplo que se dê??

Um dia, me formo também, vou procurar fazer logo uma "pós", pra chegar aí mandando brasa!

Vou lhe aplicar um corretivo pra senhora se exemplar!

E vais ver só, QUANTO AMOR sentirás em meu castigo...

Emerson Castro

Amigo Oculto?

A criança,
Escondendo-se, feliz!
O adulto, ocultando-se, infeliz?

Francismar Prestes Leal

Não existe amigo oculto ou secreto pois a amizade é uma linda declaração que não se pode abafar.

Alvaro Granha Loregian

Meu amigo oculto é ...o Bin Laden.

Murillo Leal

Não basta ser pobre, tem que participar de um amigo oculto de R$1,99!

Vanessa Pimentel

Meu amigo oculto é tão oculto que eu nem sei se estou participando de um amigo oculto.

Milena Leão